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19 de Setembro de 2018

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Edição nº 933 / 2017

07/08/2017 - 20:36:59

Claro que entendemos

CLÁUDIO VIEIRA

“A população vai entender o aumento dos impostos”, afirmou o presidente, dedos e mãos esvoaçando, suserano dirigindo-se ao vassalo ignaro, o povo brasileiro.

Claro que entendemos, presidente! Entendemos que o senhor tivesse de aumentar os impostos para que sua ilustríssima pessoa pudesse vangloriar-se de estar salvando o País, tirando-nos da crise econômica que governos anteriores (o senhor participante!) nos sujeitaram.

Claro que entendemos que o senhor não quer reduzir efetivamente o inchaço do seu governo, extinguindo ministérios sem sentido, porque eles servem para barganhas e para satisfazer ao seu populismo.

Claro que entendemos que o senhor também não quer extinguir cargos comissionados desnecessários, pois eles servem aos seus apaniguados, e aos de outros atores do seu governo.

Claro que entendemos que o senhor mantenha mais de três mil cargos no seu palácio (que deveria ser do ignaro povo vassalo), apenas para servir a sua comodidade vaidosa, como serviram à dos seus antecessores.

Claro que entendemos que o senhor, para ter a denúncia dos seus malfeitos  arquivada, esbanje liberação, em favor dos esfaimados deputados e senadores, os parcos recursos do erário.

Claro que entendemos que o senhor abra os cofres públicos para as escolas de samba do Rio de Janeiro, e d’alhures, pois afinal, se o senhor não nos dá pão, ao menos nos dê o circo.

Claro que entendemos que o senhor não tenha coragem de exigir, em nome da nação, como seria seu dever, que as Casas legislativas reduzam elas mesmas os seus cargos comissionados, assim como os recursos absurdos que são desperdiçados com deputados e senadores, pois o senhor, para ter virtude para tanto, deveria fazer o mesmo em sua própria Casa.

Claro que entendemos que o senhor não tenha coragem sequer para cobrar dos seus ministros parcimônia nos gastos com recursos do erário; que utilizem aviões de carreira para suas viagens semanais; que se abstenham do uso de carros oficiais para um tudo, inclusive lazer; que reduzam drasticamente os carros oficiais e os cargos comissionados dos seus ministérios.

Claro que entendemos tudo isso, só não compreendemos porque nós, a nação, os cidadãos, os contribuintes, devamos pagar a conta da irresponsabilidade do governo, nele inclusos deputados e senadores.

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