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15 de Dezembro de 2018

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Edição nº 933 / 2017

07/08/2017 - 20:36:25

O sofrimento dos aposentados

Alari Romariz Torres

Getúlio Vargas foi o presidente da República que mais se preocupou com os trabalhadores pobres desse nosso Brasil sofrido. Criou as leis trabalhistas, é o pai da CLT e suicidou-se apavorado com as pressões que sofreu.

De lá para cá, houve muitas alterações e ouço as autoridades culpando os que trabalharam mais de trinta anos, ou seja, o sistema previdenciário, pela crise que atravessa a terra brasileira.

No atual governo, existe uma grande preocupação com as reformas trabalhista e previdenciária. Sempre, e quase sempre, os governantes criam regras para penalizar os aposentados. Temer, que é portador de uma bela aposentadoria, fala em apertar os inativos, porque o Estado não vai poder pagar aos pobres coitados, cansados de trabalhar por 30, 40 anos.

Um fato sempre me intrigou: o que pagamos ao Estado por anos a fio, onde foi parar? Foi gasto com o quê?

Lembro-me do início do Ipaseal: descontávamos mensalmente um percentual para ele. E via o nosso dinheiro indo para a construção de casas, assistência à saúde, empréstimos consignados. Depois de muitos anos, participei de uma reunião com técnicos de Brasília, ensinando aos tolos de Alagoas a “fazer cálculos atuariais” porque o Ipaseal dava prejuízo.

Intrigada, perguntei: “E o dinheiro que saiu dos nossos salários todos esses anos, para onde foi?” Irritados os homens e mulheres da capital federal responderam: “Vamos pensar daqui pra frente”. Só faltaram me chamar de tola.

E aí, apareceu uma ordem para a Previdência deixar de cuidar da saúde, construção de moradias e aplicar o dinheiro para pensões e aposentadorias. O óbvio ululante!!!

Hoje temos o Alagoas Previdência, localizado na Praia da Avenida, dirigido por um técnico que veio de fora. Há quase dois anos a Assembleia autorizou o governo estadual a usar 460 milhões de reais do Fundo Previdenciário para pagar o décimo terceiro salário do Executivo, Legislativo e Judiciário. Não entendi. E a Previdência, como ficaria? Ninguém respondeu!

Na Assembleia Legislativa, os inativos são tratados como marginais. Um belo dia, a presidente da Associação dos Aposentados foi chamada às pressas, pela Mesa Diretora. “Vocês estão no Alagoas Previdência” disse o sábio parlamentar. Isso faz mais de um ano e nunca a situação foi resolvida. Os velhinhos têm suas pastas funcionais na Assembleia, a folha de pagamento é confeccionada por técnicos do Legislativo, mas o pagamento é feito pelo Alagoas Previdência.

Todo mês é uma luta horrorosa para saber quem vai pagar a folha dos aposentados e o “pai do menino” não aparece. Os deputados se omitem, os técnicos mentem, o Alagoas Previdência reage e os inativos sofrem: suas contas zeradas, vazias, suas obrigações financeiras na inadimplência. Incerteza, desrespeito, humilhação, perseguição.

Ninguém resolve nada, ninguém decide nada e a situação se agrava mês a mês. 

Quando chegamos à velhice, após trabalharmos mais de 30 anos, precisamos descansar, receber nossa aposentadoria e aproveitar os últimos anos de vida. No Poder Legislativo isso é impossível. Sentimo-nos desrespeitados, desprestigiados, humilhados.

Os políticos alagoanos pouco ligam para pessoas que trabalharam por anos e anos no serviço público. Só se fala em cortar gorduras, aumentar o tempo de serviço. Nada que venha minorar o sofrimento dos idosos. Entretanto os cargos comissionados aumentam em quantidade e nas remunerações.

Enquanto perdurar tal mentalidade, os estados e o País afundarão em crises sucessivas, proporcionando o máximo crescimento da corrupção.

Só Deus na causa!  

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