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17 de Novembro de 2018

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Edição nº 933 / 2017

03/08/2017 - 21:28:48

Juiz Marcelo Tadeu na berlinda

A despeito de sindicância por ter participado de ato em favor de Lula, magistrado mantém decisão de participar de julgamento em Curitiba

Maria Salésia [email protected]
Mesmo respondendo sindicância, juiz Marcelo Tadeu garantiu que vai participar de evento

O juiz Marcelo Tadeu Lemos, da 12ª Vara Criminal de Maceió, terá que explicar à justiça alagoana sua ausência do trabalho para apoiar ato público no dia 10 de maio desse ano, em Curitiba (PR) em favor do ex-presidente Lula, quando este prestou depoimento como réu em processo criminal. Na ocasião, Tadeu teria participado de uma aula pública com outros juristas sobre ilegalidades na Lava Jato O magistrado terá que responder, ainda, sob sua participação no julgamento simbólico da Operação Lava Jato, que acontece no próximo dia 11, em Curitiba.

Embora esteja na berlinda, Marcelo Tadeu confirmou sua presença como presidente do júri no evento denominado Tribunal Popular. Julgamento da Lava Jato. “Vamos participar de uma discussão com viés político, sem escrachar qualquer autoridade. É uma ação impessoal. Vou estar lá (Curitiba), se Deus quiser”, garantiu. 

A abertura de sindicância foi publicada na terça-feira (1), no Diário Oficial do Tribunal de Justiça de Alagoas. Nela, o desembargador Paulo Barros da Silva Lima, corregedor-geral da Justiça do Estado, determinou a abertura de sindicância administrativa contra o juiz de direito Marcelo Tadeu. O EXTRA manteve contato com a corregedoria, mas a informação foi de que o corregedor não iria se pronunciar sobre sua decisão, mas que a questão em pauta estava disponível no Diário da Justiça Eletrônica. 

No documento, o desembargador Paulo Barros da Silva Lima argumenta que  a abertura da sindicância se deu porque o juiz Tadeu teria participado de orientação político-partidária e que estaria no âmbito de sua vida pessoal. Assim, para participar deste, teria se ausentado de suas funções como juiz no estado. 

Marcelo Tadeu argumenta que o autor da ação tem o direito de fazer a apuração, por estar em sua competência, mas acredita que a informação sobre sua participação nestes atos pode ter chegado ao  Tribunal de Justiça de forma deturpada, já que seu envolvimento diz respeito à atividade política, discussão jurídica de um assunto que diz respeito a todo brasileiro e não de peça político-partidária. “Atividade política é uma coisa, política partidária é outra. Há três anos a Lava Jato entra em nossas casas todos os dias sem pedir licença, através do noticiário”, argumentou Tadeu.

A portaria nº 644, de 31 de julho desse ano, da Corregedoria-Geral de Justiça, aponta que ao participar deste evento como juiz presidente, “pode configurar, em tese, infração ao dever do magistrado de contribuir para uma fundada confiança dos cidadãos na judicatura e ao dever de dignificar a função, previstos no s arts. 15 e 16 do Código de Ética da magistratura”.

TRIBUNAL POPULAR

O Tribunal Popular da Lava Jato, organizado pelo Coletivo Advogados e Advogadas pela Democracia, reunirá juristas de renome no dia 11 de agosto em Curitiba. O evento, que será presidido pelo juiz alagoano Marcelo Tadeu, tem por objetivo identificar supostas ilegalidades no modus operandi da operação Lava Jato e, a partir do resultado do tribunal, levar os encaminhamentos ao STF em Brasília.

O evento organizado por juristas críticos à Lava Jato terá ainda a presença de Beatriz Vargas Ramos, Marcello Lavenère, Antônio Maues, Juliana Teixeira, Gerson Silva, José Carlos Portella Júnior, Michelle Cabrera, Claudia Maria Barbos e Vera Karam Chueiri no corpo de jurados. O ex-ministro da Justiça e procurador Eugênio Aragão será responsável pela acusação contra a operação. O advogado criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, ficará com a defesa crítica e irônica. 

O júri acontece a partir das 15 horas com local a ser divulgado. Embora simbólico, o evento tem dado o que falar e conta com uma página no facebook:Tribunal Popular Julgamento da Lava Jato.

Na semana passada, o EXTRA publicou reportagem sobre o assunto. Com o título “Magistrado de Alagoas vai presidir júri que coloca Moro na Berlinda”, a reportagem mostrou opinião de Marcelo Tadeu sobre o assunto. A matéria aponta, ainda, que na página do evento no facebook as opiniões dos internautas são as mais variadas. Uma internauta critica a iniciativa ao dizer : “Deixa eu ver se entendi, um grupo de críticos (a maioria tem ideologias de esquerda) resolveu se juntar pra fazer um ‘julgamento’ da Lava Jato? Não possuem condições morais de realizar um julgamento. Só pela capa já dá pra ver o quão ‘imparciais’ vocês são.”. Outro, “excelente iniciativa. Vamos poder avaliar de forma concreta o quanto de arbitrariedade existe na Farsa Jato”.

Até a tarde da quinta-feira, 3, a página tinha 1574 curtidas. 


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