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19 de Novembro de 2018

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Edição nº 932 / 2017

01/08/2017 - 18:36:18

Magistrado de Alagoas vai presidir júri que coloca Moro na berlinda

Marcelo Tadeu vai analisar os prós e contras da maior investigação sobre corrupção no Brasil

José Fernando Martins [email protected]
O juiz Marcelo Tadeu vai decidir se Moro foi ético, ou não, durante as investigações da Lava Jato

No banco dos réus está ela, a operação mais polêmica da história do Brasil: a Lava Jato. Mas, será que a investigação que já condenou o deputado federal Eduardo Cunha e o ex-presidente Lula foi realizada na base da ética e imparcialidade? Bem, quem vai decidir isso é o juiz de Alagoas, Marcelo Tadeu Lemos, que presidirá um julgamento simbólico que vai por em xeque os trabalhos de Sérgio Moro.

Juristas críticos à Lava Jato organizam um “julgamento popular” que contará com jurados, advogados de acusação e defesa e um juiz, que será Marcelo Tadeu Lemos, da 12ª Vara Criminal de Maceió.  O júri, que não passa de evento simbólico, porém reflexivo, acontecerá em Curitiba, no Paraná, no dia 11 de agosto, a partir das 15h, em local ainda não foi divulgado. O julgamento tem até uma página no Facebook: Tribunal Popular: Julgamento da Lava Jato. 

“Terei a honra de participar desse evento superinteressante a convite do Advogadas e Advogados pela Democracia e da Frente Brasil Popular. O julgamento simbólico é uma oportunidade de apreciar as teses de acusação, que de repente poderão apontar para uma operação com uma série de falhas”, explicou ao EXTRA.

“Como juiz e presidente do julgamento, a mim caberá conduzir todo o processo com bastante seriedade. Ouviremos também a defesa que trabalhará a legitimidade da operação Lava Jato. Honraremos o princípio fundamental da jurisdição correta e sadia que é a imparcialidade do julgador. Farei todo o esforço para garantir que o corpo de jurados aprecie as teses de acusação e defesa para oferecer um veredito correto”. 

E a imagem que ilustra o perfil do evento não poderia ser mais polêmica: uma foto em que o juiz federal Sérgio Moro conversa com o senador Aécio Neves (PSDB-MG). Lemos deu sua opinião sobre a foto: “Além de sermos honestos também devemos parecer honestos”, pontuou. 

O magistrado alagoano também se diz a favor da lei do abuso de autoridade. “Diariamente, nós assistimos casos de abuso na execução das prisões. Um exemplo que posso citar é quando uma pessoa é levada ao sistema prisional sem haver a mínima necessidade. Isso já caracteriza excesso de autoridade”, declarou a uma TV local.

Vale lembrar que a autoria do projeto de lei de abuso de autoridade é do senador alagoano Renan Calheiros (PMDB), que responde a vários processos no Supremo Tribunal Federal (STF). 

COMO SERÁ

A acusação no julgamento ficará a cargo de Eugênio Aragão, ministro da Justiça do governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), e o papel de advogado de “defesa” caberá ao criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, autodeclarado “crítico contumaz dos excessos frequentes” da Lava Jato e defensor de políticos investigados na operação.

Assim como em um processo, Aragão apresentará uma denúncia, que será analisada por Kakay e os jurados Marcello Lavenère, ex-presidente da OAB e crítico do impeachment de Dilma; Gisele Citadino, professora da PUC-Rio, para quem “chegou a hora do ex-presidente Lula ir para o ataque”; Antonio Maues, professor da Universidade Federal do Pará (UFPA); Juliana Teixeira e Luciana Grassano, professoras da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); e o jurista Gerson Silva. Haverá também oito jurados populares, a serem sorteados, com direito a voto.

PÁGINA

Navegando pela página “Tribunal Popular: Julgamento da Lava Jato” é possível ver internautas divergindo sobre a ação. “Para o PT estar apoiando, deve sair várias mentiras após esse julgamento”, escreveu um leitor. Já outro analisa a iniciativa de forma positiva. “Minha profunda admiração a esse combativo e ético profissional do direito. Muito nos honra!”, disse outro. Sérgio Moro também não é poupado pelos internautas: “O dever do Moro é se comportar simplesmente como juiz. Nada além disso é aceitável. Moro é um juiz parcial e fascista”. Apesar de ser um tema importante a ser discutido, a página, até o momento, tem pouco mais de 1.300 curtidas.


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