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17 de Novembro de 2018

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Edição nº 932 / 2017

01/08/2017 - 18:35:19

Obrigada, Paripueira

Alari Romariz Torres

A vida tem suas esquinas. De repente, decisões precisam ser tomadas.

Depois de quase vinte anos morando em Paripueira, resolvemos voltar para Maceió.

E aí vem à cabeça doces lembranças de uma pequena cidade, juntinho da capital, onde fomos felizes.

Lugar hospitaleiro, cujos nativos são pessoas de índole boa. Fizemos muitas amizades. Proporcionamos aos familiares dias maravilhosos. Tivemos o apoio da Igreja Católica, por onde passaram três padres, todos nossos amigos.

O amanhecer em Paripueira é um sonho intenso: o barulho do mar, o canto dos pássaros, os banhistas andando na areia da praia, nenhum sinal de carro.

Moramos num calmo condomínio que, praticamente, vimos nascer. O primeiro grupo de organização das regras do Atlântico Norte foi presidido por meu marido, ladeado por boas pessoas sonhadoras com um mundo melhor.

O jornaleiro da cidade era o Papa, uma figura alegre que sempre nos chamava de longe. Morreu este ano. Deus reservará para ele um bom lugar.

O homem da Ceal, logo no princípio de tudo, era o Ivan. Sempre nos socorreu, até que a empresa retirou a representação de nossa terrinha e levou tudo para Barra de Santo Antônio. Piorou totalmente! São as célebres decisões do serviço público!

O primeiro chefe de Serviço da Delegacia de Polícia Civil que encontramos foi o Gonça Gonçalves. Bicho bom. Botava para correr os ladrões que apareciam. Fez um excelente trabalho, mas, infelizmente, Deus o levou.

As administrações que passaram por nossa cidade não foram muito boas. Sofremos muito com o excesso de lixo, ruas esburacadas e sem calçamento. Chegou o Abraão Moura e minorou certos problemas. Paripueira melhorou um pouco, mas ele ficou vaidoso demais.

 Atualmente o prefeito é um nativo da localidade, o Haroldo. Tem tudo para fazer uma boa administração, entretanto é completamente dominado pelo ex-prefeito. Se não cortar o cordão umbilical, ficará perdido pelo caminho. Acorda, amigo!

Uma cidade de praia tem muitos problemas porque vive em função dos turistas. A população é pequena, contudo em época de festa cresce muito. Por causa disso, sofrem os que vivem por lá. Falta luz, o lixo aumenta de volume, os armazéns se desabastecem, o barulho de carros de som é ensurdecedor. Acabada a festa, voltamos ao normal, mas é preciso fazer uma limpeza total nas ruas.

Os postos de saúde melhoraram muito. Temos precisado de socorro e o atendimento é satisfatório. Com o plano federal de saúde ocorreu um fenômeno interessante: médicos antigos, experientes, alguns aposentados, atendem nos postos. Só casos mais sérios são encaminhados à capital.

O bom de uma cidade do interior é que todos se conhecem e são amigos. Ainda existe o laço forte entre as pessoas. Se alguém precisa de ajuda, quase sempre é socorrido.

Já vivi em várias cidades grandes e muitas vezes o vizinho era um desconhecido. Havia sempre o medo de que um precisasse do outro.

Conhecemos pessoas do bem no condomínio, fizemos amigos maravilhosos, viajávamos tranquilos porque se algo acontecesse, o morador do lado resolveria.

Sinto uma profunda dor no meu coração quando olho para a casa que construímos com muito carinho e sacrifício, vendo que vou deixá-la para outros. Todavia, penso que Deus passará para os novos ocupantes tudo de bom que nos deu.

Para a minha Paripueira querida, os meus agradecimentos pelos bons momentos que lá vivi. Sei que o povo da terra receberá de braços abertos outros aventureiros que por lá chegarem.

Deus existe. Não duvidem!!! 

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