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18 de Setembro de 2018

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Edição nº 931 / 2017

26/07/2017 - 22:35:08

Alagoas registra 10 assassinatos de LGBT só este ano

SSP apresenta assassinos da travesti Carla e afirma que crime não teve motivação homofóbica

Sofia Sepreny Estagiária sob supervisão da Redação
Carla, segundo a polícia, foi morta por ‘guerra entre facções’

O assassinato da travesti Carla há um mês, em Maceió, foi somente mais um dos muitos casos de crime brutal contra a comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros). Uma população que vem sofrendo e sendo dizimada pelo preconceito e intolerância. 

No início desta semana, a Secretaria de Segurança Pública de Alagoas apresentou a elucidação do caso da travesti José Carlos Viana, conhecida como “Carlinha” assassinada no dia 25 de junho no bairro do Clima Bom.Apesar de divergências nos depoimentos dos jovens suspeitos apreendidos, a polícia acredita que ela foi morta por “guerra entre facções”. 

Segundo o delegado responsável pelo caso, Eduardo Mero a motivação do crime não foi por preconceito, e sim por uma rixa de facções. Quatro menores entre 13 e 17 anos foram os responsáveis pelo assassinato. Apesar de a polícia não identificar características transfóbicas no crime, a vítima foi brutalmente atacada com golpes de faca.

Este foi o 10° caso de morte dentro da  comunidade LGBT em Alagoas somente este ano. Além de Carla, os casos mais recentes foram os de Aroldo Flavius Cataldi, comerciante de 46 anos encontrado morto, amarrado e com sinais de estrangulamento dentro de sua residência e embaixo da cama, e o de Jamerson, encontrado morto em sua residência no povoado de Manganzal, município de Porto Calvo, no Litoral Norte de Alagoas

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Em sete meses, 

222 mortes no País 

Em 2017, só neste primeiro semestre, já são 222 casos de assassinato à pessoas lésbicas, gays, bissexuais e transexuais no Brasil, devido à discriminação e à orientação sexual. A informação é do banco de dados do portal Homofobia Mata..

O ano de 2016, segundo levantamento do Grupo Gay da Bahia (GGB), mais antiga associação de defesa dos homossexuais e transexuais do Brasil, foi o ano com o maior número de assassinatos da população LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais) desde o início da pesquisa, há 37 anos. Foram 347 mortes. 

O relatório é feito com base em notícias e informações que chegam ao conhecimento do grupo. A população de travestis e transexuais correspondeu a 42% das mortes, num total de 144 vítimas. De acordo com a organização, as pessoas trans são as mais vitimizadas. O risco de elas serem assassinadas é 14 vezes maior em relação a gays.

Nildo Correia, presidente do Grupo Gay de Alagoas, afirma que é necessário mais atenção para casos como o da travesti Carla. Além disso ele afirma que o grupo LGBT está catalogando todos os assassinados no país.

“Desde 2016, o grupo LGBT está catalogando todos os assassinatos, independente de ser homofóbico, transfóbico ou crime passional, todos os assassinatos à comunidade de todos o país estão sendo catalogados com o objetivo de ver mesmo a gravidade da violência e tentar melhorar essa problemática”.

Ele afirma também que não é só a segurança pública que deve ter mais atenção. “É necessário mapear esses assassinatos não só para cobrar da segurança pública, mas para também cobrar da secretaria de educação, para cobrar do setor de empregabilidade, de esporte, para que possam estar tirando a população LGBT da margem da linha da violência, como é o caso da prostituição”. afirma Nildo.

Brasil é o país que mais mata transexuais no mundo

O secretário de Segurança Pública do Estado, Lima Junior, afirma que políticas públicas são aplicadas junto à Secretaria da Mulher por exemplo. “Nós temos uma parceria com a Secretaria da Mulher que tem seus conceitos, realizando alguns cursos. O que for preciso nós fazemos, até porque o crime é muito bárbaro quem quer que seja a vítima, assim temos trabalhado a fundo para reduzir estes número no nosso estado”.

De acordo com a pesquisa realizada pela Transgender Europe (TGEU), rede europeia de organizações que apoiam os direitos da população transgênero, o Brasil é o país que mais mata travestis e transexuais no mundo.

“A Secretaria de Segurança Pública tem que cobrar das delegacias que estão responsáveis pelos casos da comunidade LGBT, por exemplo, no ano de 2016, foram 21 assassinatos, é necessário ver quantos réus confessos existiram, quantos desses casos foram elucidados, quantos réu confessos na verdade nem existem, nem houve suspeita do assassino. É necessário uma atenção maior da segurança nesse quesito.” conclui Nildo.

Nome social, 

uma conquista 

No início desta semana mais um vitória para a comunidade de travestis e transexuais foi garantida. O nome social poderá ser utilizado nos serviços de saúde do Rio. No Rio de Janeiro, está em vigor há seis anos um decreto que garante a travestis e transexuais o direito ao uso do nome social em todos os serviços municipais. Em Alagoas, a Universidade Federal de Alagoas (Ufal) aprovou o uso de nome social para documentos internos desde 2016. Já o Centro Universitário Tiradentes (Unit), universidade particular da capital, aprovou o uso de nome social já na matrícula.

Em abril de 2016, na semana das Conferências Nacionais Conjuntas de Direitos Humanos, foi publicado o Decreto Presidencial Nº 8.727/2016, que dispõe sobre o uso do nome social e o reconhecimento da identidade de gênero de pessoas travestis e transexuais no âmbito da administração pública federal.

DICIONÁRIO 

TRANS 

Transexual

Termo genérico que caracteriza a pessoa que não se identifica com o gênero que lhe foi atribuído quando de seu nascimento.

Mulher transexual

Pessoa que reivindica o reconhecimento como mulher

Homem transexual

Pessoa que reivindica o reconhecimento como homem

Travestis

São as pessoas que vivenciam papéis de gênero feminino, mas não se reconhecem como homens ou como mulheres, mas como integrantes de um terceiro gênero ou de um não gênero. Preferem ser tratadas no feminino.

Fonte: Orientações sobre identidade de gênero: conceitos e termos, de Jaqueline Gomes de Jesus


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