Acompanhe nas redes sociais:

21 de Setembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 928 / 2017

29/06/2017 - 18:36:44

Servidor morre sem ver matador do filho na cadeia

Sonho de Sebastião Pereira era ver o cabo Luiz Pedro atrás das grades pelo assassinato de Beto

Maria salésia [email protected]
Sebastião Pereira lutou até o fim para ver assassino do filho Beto na cadeia

A morte do servidor aposentado do Detran/AL Sebastião Pereira dos Santos, 78 anos, o seu Sebastião, na manhã da terça-feira, 27, pode colocar um ponto final na trama do caso Beto. Desde agosto de 2004, quando Carlos Roberto Rocha Santos foi assassinado e teve o corpo roubado do IML, o pai lutava por justiça. Morreu e não realizou o sonho de poder enterrar o filho e ver o cabo Luiz Pedro detrás das grades.

O empenho de seu Sebastião foi fundamental para que, em setembro de 2015, o ex-deputado estadual Luiz Pedro fosse condenado a 26 anos e 5 meses de prisão. A frustração, porém, foi que ele recorreu e continua em liberdade. Luiz Pedro nega a acusação. Já os capangas Adézio Rodrigues Nogueira, Laércio Pereira de Barros, Naelson Osmar Vasconcelos de Melo e Leone Lima foram condenados por homicídio qualificado.

Seu Sebastião queria apenas que a justiça fosse feita. Para se ter uma ideia de sua luta, logo após o assassinato do filho foi diagnosticado com problema hepático (mesmo sem ser adepto de bebida alcoólica ou fumar), mas encontrar o filho era sua prioridade. Segundo o filho André Rocha, o pai iniciou o tratamento, porém na fase da quimioterapia abriu mão do procedimento para “correr atrás de justiça, achar o corpo do meu irmão e colocar o assassino na cadeia. Foi um exemplo e deixou seu legado”, disse emocionado André durante velório do pai.

Apesar dos problemas de saúde e a idade avançada, seu Sebastião nunca desistiu de seu filho Beto. Após o julgamento do acusado, foi até o Tribunal de Justiça de Alagoas saber como ficaria o processo do cabo Luiz Pedro. De acordo com André Rocha, a informação na época foi de que havia erro de digitação e voltou para o Fórum. “Mas ele não teve mais força para correr atrás. Ele não queria expor a gente. No hospital ele ainda queria ir ao MP pedir ajuda no processo. Até no leito clamava por justiça”, confidenciou o filho. 

A morte de seu Sebastião não foi a primeira perda da família após a tragédia. Em 2011 sua esposa e mãe de Beto, Maria Tereza Rocha, faleceu; teve a saúde agravada devido ao quadro avançado de depressão. Ela não aceitava a morte do filho, a ocultação do cadáver e temia por ir de encontro “aos poderosos”. A família chegou a ser inserida no programa de proteção a testemunhas, mas preferiu voltar para Alagoas e de perto pressionar a Justiça.

A busca incansável do pai do Beto por resposta teve uma trégua em 2016, quando sua saúde ficou mais fragilizada e ele passou a viver mais no hospital do que em casa. Da última vez, foram mais de 30 dias de internação, sendo oito na UTI. Mas na madrugada da terça-feira, 27 de junho, às 4h25, seu Sebastião faleceu com o desejo de que a impunidade chegasse ao fim.

RELEMBRE 

O CASO 

Na madrugada do dia 12 de agosto de 2004, o servente de pedreiro Carlos Roberto Rocha Santos foi sequestrado enquanto dormia em casa, no bairro do Clima Bom, em Maceió. Foi executado com mais de 20 tiros e o crime teve requintes de crueldade. De acordo com trecho do processo, Beto foi vítima do “grupo de extermínio liderado por Luiz Pedro”. Seu corpo foi encontrado, mas sumiu do IML para nunca mais ser visto.

A sede de Justiça levou seu Sebastião a lutar para provar que Luiz Pedro era o culpado pela morte de seu filho. Seja na mídia local ou nacional, o pai do Beto aparecia e não cansava de classificar Luiz Pedro como “assassino impiedoso”. Em março de 2014, o Fantástico, da Rede Globo, mostrou um quadro sobre a violência no Brasil onde Maceió aparecia como uma das cidades mais violentas do país. Na época, o cabo Luiz Pedro era um dos alvos, citado no caso da execução de Beto. Na reportagem seu Sebastião deu depoimento mostrando indignação e clamando por justiça em rede nacional.

O protesto do pai do Beto era constante. Com as fotos do filho em punho, ele se revezava nas portas da sede do governo de Alagoas, na Assembleia Legislativa, no Tribunal de Justiça, Câmara de Vereadores de Maceió e na imprensa. 

Vale lembrar que em 2004 o repórter do jornal EXTRA, Ródio Nogueira (falecido), foi o primeiro profissional da imprensa a entrevistar seu Sebastião. Na ocasião ele denunciou o cabo Luiz Pedro como culpado da morte do filho. Foram várias reportagem feitas pelo jornalista, que teve seu trabalho reconhecido pelo próprio Sebastião ao debruçar sobre o caixão de Ródio e aos prantos agradecer ao amigo.

Em uma das entrevistas ele desabafou: “A vida segue, né? Mas eu quero deixar claro que não vou desistir. Se os culpados forem presos, a dor não vai embora, mas vai aliviar alguma coisa dentro de mim”. Não aliviou. Antes, 


Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia