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14 de Novembro de 2018

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Edição nº 927 / 2017

22/06/2017 - 22:32:21

Celso Luiz, o todo-poderoso... do crime

ex-prefeito de Canapi é denunciado mais uma vez pelo MPF; por que ninguém consegue tirá-lo de cena?

Odilon Rios Especial para o EXTRA
Após a prisão em maio, o ex-prefeito Celso Luiz foi para presídio e teve a cabeça raspada, regra do sistema penal

Onze anos atrás, a “comitiva laranja”, liderada pelo então vice-candidato ao governo, Celso Luiz, percorria o sertão e o agreste alagoanos buscando agregar votos para vencer as eleições de 2006.

Estava ao lado de caciques da política local, com influência em Brasília.

Porém, começava ali o enterro político de um dos líderes eleitorais mais poderosos de Alagoas. Na época, Celso estava no auge: era “chefe” do PMN, “dono” do Detran, com passagem pela presidência da Assembleia Legislativa. À beira de virar vice-governador.

21 de junho de 2017: Celso Luiz está preso desde 12 de maio por organizar mais um esquema com laranjas, só que na Prefeitura de Canapi. 

Abandonado pelo PMDB (e ainda filiado ao partido), é acusado também de liderar uma organização criminosa que sugou R$ 300 milhões, ao lado do deputado Antônio Albuquerque (PTB), na Assembleia Legislativa, e chamado de criminoso pelo Ministério Público Federal, que insiste: Celso tem de permanecer preso.

Se for solto, pode fugir ou reorganizar a máquina de fraudes em que se transformou o “triângulo das bermudas”- as prefeituras de Mata Grande, Canapi e Inhapi, dominadas pelo agora todo-poderoso do crime.

“Não se pode conceber que permaneçam em liberdade criminosos, sobretudo aqueles econômica e politicamente poderosos, que estão em plena prática dos delitos, vale dizer, permanecem ocultando os valores desviados e os utilizando, em detrimento de todos os munícipes de Canapi”, disse o procurador da República, Carlos Eduardo Raddatz, na denúncia apresentada à Justiça Federal, pelo MPF.

No dia 26 de maio, o desembargador do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5), José Vidal Silva Neto, ao listar os tantos motivos para que o ex-prefeito de Canapi continuasse preso, concluiu: “A soltura do paciente possibilitaria a reorganização da organização criminosa para o retorno à plena atividade delitiva, sendo fundamental a manutenção de sua prisão preventiva para garantia da ordem pública, da ordem econômica e da instrução criminal, revelando-se ainda inadequadas as medidas cautelares diversas da prisão”.

PROCESSOS

Se a denúncia do MPF apresentada na quarta-feira (21) for aceita pela Justiça Federal em Alagoas, será o 25º processo contra o ex-quase-tudo. Na maioria deles, Celso é réu.

Há 21 processos no Tribunal de Justiça alagoano tramitando e, ao mesmo tempo, aguardando definição sobre o futuro do ex-prefeito e ex-deputado. Cinco deles são ações civis de improbidade administrativa, movidas pelo Ministério Público Estadual.

Só que uma série de coincidências na Justiça acaba chamam a atenção. 

O MP pede que o desembargador TutmésAiran seja afastado da relatoria do caso Celso Luiz. A alegação é que Tutmés foi casado, por 20 anos, com a mãe do advogado Lucas Almeida, um dos 3 sócios do escritório de advocacia que defende o ex-prefeito. Tutmés é padrasto de Lucas.

Segundo a ação, o desembargador negou o pedido do MP para se afastar do processo. O caso, então, foi para as mãos do presidente do TJ, desembargador Otávio Leão Praxedes, que manteve Tutmés na relatoria da ação de improbidade.

Outras duas ações tramitam em Mata Grande. Estão sob responsabilidade do juiz Bruno Acioli de Araújo, que este mês desmarcou duas audiências de instrução, onde o ex-prefeito deveria ser transferido da carceragem de Maceió para a cidade sertaneja.

Em uma delas, ele é acusado de não repassar R$ 805.898,31 em contribuições previdenciárias dos servidores públicos de Canapi, quando era prefeito.

Ainda é acusado de desviar R$ 11 milhões dos cofres da cidade para “laranjas”, cor de sua campanha ao governo 11 anos atrás e modus operandi para canalizar dinheiro para o próprio bolso.

Outra coincidência: a juíza federal Camila Monteiro Pullin Milan, de Santana do Ipanema, decreta sigilo nas investigações da Operação Triângulo das Bermudas, a mesma que mantém Celso Luiz preso desde maio. R$ 17 milhões teriam sido desviados dos cofres de Canapi.

Motivo do sigilo, segundo a juíza: o processo tem informações médicas a respeito do preso.

Dez anos depois do estouro da Operação Taturana - onde, segundo as investigações, Celso Luiz e Antônio Albuquerque montaram esquema com servidores laranjas, fantasmas, empréstimos fraudados - ele ainda não respondeu pelo crime. 

Indicou, por exemplo, a esposa, Cleide Bezerra, como conselheira do Tribunal de Contas. Hoje, ela é vice-presidente da Corte. Em seguida, escolheu o diretor financeiro do TC; o tribunal ainda não marcou sessão que decidiria sobre multa ao ex-gestor.

Por que ninguém consegue tirar Celso Luiz de cena? O poder deste líder político parece ser maior que as grades que o cercam na cadeia. Maior do que os olhos consigam alcançar...

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