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21 de Setembro de 2018

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Edição nº 926 / 2017

18/06/2017 - 18:05:43

Desabrigados vivem situação de incerteza

Sofia Sepreny Estagiária sob supervisão da Redação
Famílias amontoam em escola de Marechal o que conseguiram salvar durante a enchente

Diante da tragédia das chuvas que deixou milhares de desabrigados no estado de Alagoas, o Jornal EXTRA foi visitar após quinze dias algumas cidades e áreas afetadas para saber qual é a atual situação das pessoas atingidas.

O trajeto teve início em Marechal Deodoro, região metropolitana de Maceió. O estrago feito nesta localidade deixou cerca de 300 famílias desabrigadas e foi a cidade alagoana mais prejudicada pelas chuvas. A primeira parada aconteceu na Escola Municipal Governador Luiz Cavalcanti onde cerca de 20 famílias ainda permanecem desabrigadas.

Maria dos Santos, 43 anos, moradora da Rua São Vicente, na beira do rio Sumaúma viveu momentos de tensão ao ver sua casa sendo tomada pelas águas. Maria morava com suas três netas e sua cadelinha. Hoje, estão em uma sala da escola à espera de uma posição da prefeitura sobre a contemplação de casas aos desabrigados das chuvas.

“Eu tirei minhas três netas de casa no sábado, no domingo eu já perdi tudo e não consegui salvar nada. Tô dormindo em colchão que me doaram, e graças a Deus doaram. Além de ter tentado salvar alguma coisa eu não consegui mais dar pé, subiu muito rápido a água, não sabia que ia dar uma cheia tão grande, perdi todos os meus documentos”, relatou.

Maria era ambulante, tinha sua casa no quintal do irmão e perdeu todo seu material de trabalho, fora o registro civil das três meninas. “Não tenho como comprar material pra começar de novo a vender. Com as chuvas perdi 200 reais de peixe que tinha comprado pra vender. Sem trabalho, sem dinheiro, sem marido, só com as netas, agora sem nem registro das meninas”, lamentou Maria.

Além de famílias como a dona Maria, na escola ainda haviam duas famílias com filhas portadores de necessidades especiais. Raiane de 18 anos e Jéssica de 24 anos, ambas com paralisia cerebral. Ronilda dos Santos Silva, 37 anos, tem três filhas, uma delas é a Raiane. Ronilda conta com a ajuda do marido para cuidar das crianças

“Quando percebi que a água já estava entrando em casa, peguei a Raiane com meus dois filhos e saí de casa, meu marido ainda tentou ficar pra salvar alguma coisa, mas a água subiu tanto e rápido de uma maneira que ele também não conseguiu salvar nada”, desabafou.

Segundo Ronilda, o Corpo de Bombeiros, responsável por ajudar as famílias a saírem de suas casas no dia da enchente, 27 de maio, ajudou Ronilda a retirar a filha com paralisia e a salvar o fogão da casa. Além de Ronilda, Maria do Carmo de Lima Santos 57, também estava com a filha deficiente, Jéssica, na escola. Desesperados sem saber o que pode acontecer, Maria do Carmo desabafou: “Eu não posso trabalhar pra cuidar de Jéssica, meu marido tá afastado por problema de saúde sem receber auxílio nenhum, e agora a gente não tem casa, não sei como vamos ficar só com a aposentadoria da menina.”  A casa de Maria do Carmo e José dos Santos, que moravam na região há 37 anos, foi totalmente destruída e ela não conseguiu salvar nada.

Pilar: falta de água 

e rastro de destruição  

Seguindo o trajeto, o segundo destino da equipe de reportagem foi o município de Pilar, onde cerca de 800 pessoas ficaram desabrigadas e 200 desalojadas. A parte baixa da cidade ainda sofre com as conseqüências da cheia. Uma bomba da Casal (Companhia de Abastecimento), por exemplo, que abastece a parte baixa, quebrou nos dias de chuva e até o fim dessa reportagem não havia sido consertada, fazendo com que os cidadão peguem água em uma fonte disponível da cidade. Chã do Pilar, parte alta da cidade, está com abastecimento de água normalizado, pois não é a mesma bomba que abastece a parte baixa da cidade.

Além disso, ao caminhar na orla do município, é visível o rastro de destruição das chuvas. Muros caídos, sujeira acumulada, paredes com marcas d’água altas e portões derrubados.

A família da dona Ednalva Lopes, 50, que tem uma propriedade na orla e mora na região há 15 anos, sofreu ao ter grande parte de seus bens destruídos pelas águas. Quartos alagados, perda de eletrodomésticos, portão da entrada da sua casa e da entrada do seu estabelecimento foram derrubados pela força das chuvas, além do muro que dividia a casa dela do vizinho que também ficou comprometido.

família inteira morre na Grota do Santo Amaro 

O terceiro destino da equipe de reportagem foi a grota do Santo Amaro, na parte alta de Maceió. A comunidade é o local onde toda uma família morreu soterrada após deslizamento de terra.

Ao descer a grota o cenário é de destruição. Não tem mais ninguém residindo na região, somente moradores descendo e subindo para tentar salvar alguns pertences.


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