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14 de Novembro de 2018

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Edição nº 926 / 2017

18/06/2017 - 18:04:02

JHC critica governo do Estado

Comissão da Câmara dos Deputados debate contradição sobre número apresentado por municípios

José Fernando Martins [email protected]
O deputado JHC reclamou do descaso de Renan Filho com a comissão

A reunião da Comissão Externa das Chuvas da Câmara dos Deputados, realizada nesta quarta-feira, 14, em Maceió, serviu também para os parlamentares se posicionarem sobre a atuação do governo estadual. Coordenado pelo deputado federal JHC, o encontro, que ocorreu no Centro de Convenções, no Jaraguá, tinha o objetivo de aproximar autoridades e a população prejudicada pelas chuvas para discutir políticas de investimentos e prevenção em áreas de risco.

Durante pronunciamento, JHC comentou a atitude de Renan Filho que não enviou nenhum representante do Governo do Estado para discutir sobre as chuvas. “Tentamos realizar esse encontro no Palácio ou na Assembleia Legislativa, mas não conseguimos”, disse. Porém, o assunto mais polêmico foi o número de desabrigados e desalojados pelas chuvas, que em Alagoas foi anunciado como tendo chegado a 39 mil pessoas. 

Para a deputada federal Rosinha da Adefal, os dados desencontrados poderiam ser apenas uma falha das autoridades em momentos difíceis, como as tragédias. “Tenho a certeza que a Defesa Civil fará a correção necessária junto ao Ministério Público do Estado”. No entanto, o deputado estadual Rodrigo Cunha não compartilhou da mesma opinião da parlamentar. “Quando falamos de fiscalização, muitos veem com maus olhos, mas a função da gente também é de fiscalizar. Penso, sim, que alguns tenham agido de má fé”.

Segundo avaliação do coronel do Corpo de Bombeiros Ricardo Cruz, os números desencontrados seriam por causa da pouca estrutura da Defesa Civil em alguns municípios. “Às vezes os prefeitos se encontraram despreparados para fazer os levantamentos sozinhos”. Já o coordenador da Defesa Civil Estadual, major Moisés Melo, disse haver diferença entre desabrigados e desalojados. “Muitos foram desalojados das áreas de risco, mas voltaram às suas casas. Outros perderam suas moradias e são considerados desabrigados”.

Conforme o promotor do Ministério Público, José Antônio Malta Marques, houve casos que pessoas de Pernambuco foram contabilizadas como moradoras de Alagoas. “Alguns disseram ao MP que usariam o dinheiro para ajudar a população carente. Claro que se pode ajudar a população, mas a verba é carimbada e com uma finalidade obrigatória. Sem contar que outros disseram que iriam reconstruir escolas, que já estavam no chão bem antes das chuvas”.

Também participou da reunião o deputado federal de Pernambuco, Danilo Cabral; Paulo Noronha, representando Defesa Civil Municipal; Maria Decele Dâmaso, prefeita de Coqueiro Seco; Marçal Fortes, secretário municipal de Meio Ambiente de Pilar; e Betinho, vereador por Marechal Deodoro.

Crea provoca órgãos para realizar visita técnica as áreas de risco 

Potencializados pelas chuvas, os deslizamentos de terras nas encostas responsáveis por desabrigar milhares de famílias alagoanas despertaram preocupação do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Alagoas (Crea-AL). Buscando contribuir com melhores medidas de prevenção, o Conselho estará promovendo na próxima segunda-feira (19) às 8h no auditório da instituição, a palestra “Instabilidade nas Encostas – Prevenção e Intervenções”. 

“A melhor forma de evitar o desastre é se antecipar a ele”. Esta afirmativa é do engenheiro civil e professor doutor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Luís Edmundo Prado Campos, convidado pelo Crea para falar sobre o tema. A palestra é voltada a engenheiros, empresários da construção civil, estudantes e, principalmente, profissionais técnicos dos órgãos públicos responsáveis pela prevenção e segurança de encostas. 

“Vou falar sobre soluções para problemas causados pelas chuvas nas encostas. Alternativas como drenagem e proteções de taludes são de extrema importância para prevenção. Dependendo da situação, é mais vantajoso executar este serviço do que retirar famílias daquele local. O trabalho realizado pela Defesa Civil Nacional é um modelo que também iremos destacar”, pontuou o especialista. 

Ainda de acordo com Luiz Edmundo, muitos escorregamentos de encostas estão relacionados com a forma desordenada com que a população vem se instalando em locais de risco. A falta de orientação e também questões sociais, e de renda, vêm contribuindo muito para esses problemas. 

“É preciso garantir um melhor direcionamento das águas de chuvas. A população está acostumada a jogar água diretamente nas encostas. Sabe aqueles canos expostos? É comum esse lançamento de águas por tempo indeterminado. É a mesma coisa como se estivesse chovendo o ano inteiro. Então, devido a esses fatores, quando chega realmente o período de chuvas a situação do solo já está bastante agravada”, alertou Edmundo. 

O presidente do Crea-AL, Fernando Dacal, convidou órgãos ligados à Prefeitura de Maceió e ao Governo de Alagoas para participarem do evento com o objetivo de colher mais informações e evitar novos desastres. 

“A intenção do Crea é colaborar com os estudantes, profissionais e, principalmente, com os técnicos do serviço do governo e prefeitura responsáveis pela prevenção de acidentes que, em alguns casos, resultam até em mortes. Nossa missão é colaborar, garantindo a defesa da sociedade”, falou Dacal. 

Visita técnica 

Ao término da palestra, será realizada na parte da tarde uma visita técnica no Crea Móvel com integrantes dos órgãos municipais e estaduais, responsáveis pela segurança e prevenção de acidentes. A princípio serão visitadas as encostas do Vale do Reginaldo, Cambona e Jacarecica.

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