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19 de Setembro de 2018

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Edição nº 926 / 2017

18/06/2017 - 17:56:31

A questionável lista dos 50 melhores restaurantes do mundo

JANIO FERNANDES

Tudo bem, vamos falar da controversa lista San Pelegrino, que elege os 50 melhores restaurantes do planeta. Mas devo adverti-lo que este texto não põe grande fé na tal lista. Por razões mais do que óbvias, é sensato questionar esse ranqueamento. Então segue a discussão sobre o tema. 

Aqui entre nós: cinquenta melhores restaurantes do mundo?! E tem gente que acredita nisso?! Pelo menos essa é a aposta de um grupo editorial britânico. Os editores criaram uma lista de restaurantes que, durante anos, passaram despercebidos em âmbito internacional, mas que, de repente, graças a um grande acordo de patrocínio com a marca de água italiana San Pelegrino, começou a adquirir destaque para se tornar uma referência internacional no setor da alta cozinha. 

Porém o que me chama atenção é que muitos chefes não parecem se incomodar que coloquem bistrôs simpáticos e locais modernos ou da moda na mesma lista dos grandes restaurantes. O mais curioso é que, hoje, a lista San Pelegrino já não é San Pelegrino. A necessidade de financiamento deste negócio é tão grande que eles tiveram que recorrer a vários patrocinadores. Por isso, até os próprios italianos deixaram de “emprestar” o seu próprio nome. 

Embora isso demonstre o quanto o mundo progrediu na gastronomia, de acordo com a opinião de um exército secreto de inspetores gourmets, eu particularmente não sou apreciador da lista dos 50 melhores restaurantes, porque a sua metodologia me parece um pouco imprecisa, ou melhor, não muito confiável. Além disso, não posso aceitar a colocação de restaurantes em posições exatas. 

Poderia considerar admissível se os restaurantes fossem selecionados como faz o guia Michelin, que premia com muito profissionalismo atribuindo uma, duas e até três estrelas. Mas dizer que um restaurante é o número um e outro o segundo, terceiro ou o quarto, é como se um grupo de críticos de arte dissesse, ou melhor, definisse que Romero Britto seria o número um, que Vincent van Gogh seria o segundo, que Salvador Dalí seria o terceiro, seguido de Claude Mont, e assim até chegar ao artista número 50. Homem, por favor!

Nesse momento, tenho algumas perguntas não muito fáceis de responder: até que ponto a criatividade é importante? Para alcançar a perfeição é fundamental ter boa comida e um bom chefe? E a inovação, é mesmo determinante hoje em dia? Será que existe o restaurante perfeito? Como ele seria, você já imaginou? Devo dizer que pessoalmente não consigo imaginar o restaurante perfeito. Trabalhei em lugares onde a filosofia era a perfeição. Mas, sempre ocorriam falhas. Um discurso comprometido com a aparência, mas com falhas gritantes nos processos internos.

Devo admitir, em todo caso, que o objetivo dessa lista é classificar um grupo de restaurantes extraordinários. Mas o que me deixa incomodado é que a lista não é justa ou que nessa lista dos 50 há muitos restaurantes que deveriam estar ali e não estão. Seu formato, de classificar anualmente o número um, na minha humilde opinião, é um tanto desrespeitosa, pois é fácil identificar nessa lista a ausência de lugares que atingiram a excelência. Insisto: será que existe mesmo o melhor restaurante do mundo? 

Claro que existe, cada um tem o seu. Essa é a única verdade. Mas existe uma outra verdade: as pessoas gostam das listas e os meios de comunicação se alimentam delas. Então, viva o espetáculo! No fundo, isto é apenas o reflexo do mundo em que vivemos. Foi o que disse um dos maiores e melhores cozinheiros, o espanhol Joan Roca, numa entrevista com um sorriso amável. 

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