Acompanhe nas redes sociais:

16 de Novembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 926 / 2017

18/06/2017 - 17:56:04

O boi voador da ministra

CLÁUDIO VIEIRA

Certo dia – conta-se – São Tomás de Aquino estudava em sua cela no Convento de Saint Jacques quando foi interrompido por um outro frade que, aos gritos, informava-o sobre um boi que pairava no ar bem acima do estabelecimento religioso. Calmamente, sem atropelos, mas sem hesitação, o sábio incontinenti largou dos seus livros, saindo ao pátio onde deteve-se a olhar para o alto procurando o tal boi voador. A essa altura, o pândego pôs-se a rir do filósofo, dizendo-lhe ser muito inocente para acreditar que um boi pudesse voar. Suavemente o Doutor Angélico respondeu ser preferível acreditar que um boi pudesse voar do que constatar que um religioso pudesse mentir.

A história – talvez pura lenda – voltou-me à memória em razão dos últimos acontecimentos da política brasileira. Após a dramática – e pouco explicada – absolvição da chapa Dilma-Temer pelo TSE, terminamos a semana estarrecidos com a reportagem publicada pela revista Veja, dando conta de investigação procedida pela Abim – órgão de inteligência subordinada ao presidente da República – sobre a vida do ministro Edson Fachin, relator no STF de processos relativos à Lava Jato. Dita investigação, clandestina e ilegal, teria descoberto que Fachin utilizara-se de avião da JBS – aquele mesmo que Temer usara sem, segundo alega, saber que a aeronave pertencia à empresa de Joesley Batista, a despeito de o registro do avião, bem visível em sua cauda, seja PT-JBS. Segundo a investigação da Abim, o hoje ministro do STF, quando candidato à Corte Suprema brasileira, utilizara-se de favores da malfadada empresa em busca de apoio a sua pretensão. Como não poderia deixar de ser, a ministra Carmen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal, com justas razão e ira, emitiu nota repudiando a ação atribuída ao Poder Executivo brasileiro, classificando-a como crime contra o STF. Imediatamente o presidente Temer ligou à ministra Cármen Lúcia negando peremptoriamente a notícia, pois o governo jamais cometeria tal absurdo, mormente quando é comandado por consagrado constitucionalista, o próprio Michel Miguel Lulia Temer. Ante as contritas declarações de Temer, a presidente do Supremo Tribunal Federal preferiu acreditar que um boi possa voar. Não por outra razão declarou que as informações do presidente eram bastantes e o dito ficaria por não-dito, o feito pelo não-feito.

À parte a crença da ministra Cármem Lúcia, o que incomoda é o silêncio do ministro Edson Fachin diante de tudo isso. Nenhuma explicação, nenhuma consideração, nenhuma justa indignação. Sem dúvidas Fachin, tendo mesmo voado no JBS, tenha acreditado em boi voando desde o início do inusitado affair. 

Acredite quem quiser!


Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia