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17 de Novembro de 2018

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Edição nº 926 / 2017

15/06/2017 - 21:52:50

PM líder de quadrilha faturava até R$ 1 mi por concurso fraudado

Polícia Civil estima que organização criminosa movimentou cerca R$ 21 milhões

José Fernando Martins [email protected]
Flavio Borges, o líder, Chrystiann Machado, Alisson Gomes e Alexsandro Camilo, todos presos

O cabo da Polícia Militar de Alagoas Flávio Luciano Nascimento Borges chegou a faturar a quantia de R$ 1 milhão por concurso público fraudado. Considerado o “cabeça” da quadrilha que burlou mais de 70 certames no país durante doze anos de atuação, Borges lucrava 50% dos valores pagos por aqueles que queriam garantir uma vaga no serviço público por meio da corrupção. 

Relatório divulgado pela Polícia Civil da Paraíba mostra que, por exemplo, no concurso para a Guarda Municipal de Conde (PB), o acusado dividiu os lucros com o irmão Vicente Borges e outro acusado, Marcus Pimentel, que s receberam 25% cada. Borges teria ficado com o restante do dinheiro. O mesmo aconteceu com o concurso do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2016. 

Em entrevista para o EXTRA, o delegado que apura o caso, Lucas Sá, informou que, até o momento foi comprovado que as transações da quadrilha movimentaram em torno de R$ 21 milhões. 

Além de auxiliar administrativo em Campina Grande, na Paraíba, e policial militar em Alagoas, Flávio Luciano Nascimento Borges ocupava também o cargo de secretário adjunto de Cultura e Turismo da Prefeitura de Joaquim Gomes, da atual administração encabeçada pelo gestor Adriano Ferreira Barros. Ele chegou a ser inocentado por deserção na PM alegando um tratamento de saúde para justificar o número de faltas. Entretanto, como já noticiado pelo semanário, a quadrilha também era especializada em falsificar atestados médicos.

Desde o começo da operação, 31 pessoas foram indiciadas e 26 foram presas, suspeitas de envolvimento. Entre os presos por envolvimento na quadrilha também estão José Marcelino da Silva Filho e Kamila Marcelino Crisóstomo da Silva, filhos do ex-prefeito de Joaquim Gomes, José Marcelino, conhecido como “Nêgo Sarrapião”, que governou a cidade entre 2011 e 2012.

BLOQUEIO

Cinquenta contas bancárias pertencentes aos suspeitos investigados pela Operação Gabarito foram bloqueadas durante a terceira fase da operação. Além dos bloqueios judiciais nas contas e nos imóveis dos envolvidos, a Polícia Civil segue colhendo informações que permitam o mapeamento do todo o patrimônio do grupo.

A estimativa é de que a quadrilha tenha construído um patrimônio de R$ 100 milhões, com direito a imóveis, dinheiros em contas e carros. Os acusados cobravam, em média, o valor correspondente a 10 vezes o salário inicial do cargo pleiteado, de maneira que cada candidato interessado repassava a quantia de R$ 30 mil a R$ 150 mil para a organização criminosa.

Para que a organização atuasse em um concurso era necessário 10 candidatos contratantes do esquema. Desta maneira, a Polícia Civil concluiu que, levando-se em conta o número mínimo para a atuação dos suspeitos e o número de concursos identificados, pelo menos 700 pessoas  foram beneficiadas com o esquema.

Existem indícios de que a organização criminosa atuava, ainda, fraudando os documentos exigidos para o ingresso nos cargos pleiteados (diplomas, títulos etc.) e até mesmo na obtenção de empréstimos bancários. Diversos suspeitos ocupam atualmente cargos públicos em importantes instituições, além de terem acesso frequente a outros servidores aprovados através da atuação da quadrilha.

Em Alagoas, a organização teria fraudado certames do Instituto Federal de Alagoas (IFAL); da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), ambos em 2012; e do Tribunal Regional do Trabalho 19ª Região, para técnico judiciário, em 2013. Estão sendo investigados os concursos: Guarda Municipal (João Pessoa, Bayeux, Cabedelo), Prefeituras Municipais (João pessoa, Bayeux, Santa Rita, Cabedelo, Conde, Alhandra e outras cidades do interior da Paraíba), Câmara Municipal de João Pessoa, Corpo De Bombeiros da Paraíba, Polícia Militar da Paraíba e diversos outros concursos, a nível municipal, estadual e federal. 

Ainda de acordo com o delegado Lucas Sá, não existe nenhum vazamento por parte das organizadoras dos concursos. A atuação dos criminosos seria independente. 

Sobre os beneficiados pela fraude, a orientação do delegado é para que se entreguem. “Temos muitas pessoas identificadas. Aguardamos que eles se entreguem, pois se eles dificultarem as investigações certamente serão presos também”, disse. 

“Não têm mais escapatória. Certamente eles responderão pelos crimes, mas se eles ajudarem nas investigações, poderão ser beneficiados com a colaboração premiada e ter a pena atenuada”, finalizou.

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