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19 de Setembro de 2018

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Edição nº 925 / 2017

08/06/2017 - 22:17:54

Número de desabrigados é reduzido em 96%

Municípios anunciam 39 mil atingidos, mas comissão constata que apenas 1.348 necessitam de ajuda humanitária

Maria Salésia [email protected]
Voluntários distribuem donativos para desalojados e desabrigados

As chuvas que caíram em Alagoas no final do mês de maio trouxeram transtornos e até vítimas fatais. Mas a polêmica maior envolve os números apresentados pelos municípios e os encontrados pela força-tarefa do Ministério Público Estadual. Para se ter uma ideia da discrepância, no boletim apresentado pela Defesa Civil do Estado na segunda-feira, 6, o número de desabrigados e desalojados foi reduzido em 96%.  Das 39.150 pessoas de 31 municípios que estariam nesta estatística, o número caiu para 7.600. Entretanto, na manhã da quinta-feira, 8, diminuiu para 1.348 atingidos em 27 municípios.

Segundo o major Moisés Melo, coordenador da Defesa Civil Estadual, o problema não foi maior em Alagoas porque pela primeira vez no estado foi feito alerta antes mesmo que a chuva caísse para que os prefeitos retirassem os moradores das áreas de risco. Ele cita como exemplo o município de Jacuípe que foi bastante afetado pela chuva, mas sem maiores danos.  “Fizemos o alerta em todos os municípios e funcionou. Foi possível salvar vidas e amenizar os problemas”, afirmou.

Quanto aos números desencontrados, o coordenador avaliou que se deve à recontagem e atualização dos dados, feitas a cada quinze dias. Assim, com a diminuição das chuvas as famílias retornam para suas residências e consequentemente o total de pessoas afetadas pela chuva é reduzido. “Qualquer recurso a mais que vir será devolvido ao governo federal ou solicitado para a reconstrução da infraestrutura das áreas atingidas”, disse ao acrescentar que só serão beneficiadas as famílias que realmente necessitam da ajuda humanitária.

O fato é que, em visita aos municípios afetados, o MP constatou irregularidades nos dados repassados pelos gestores. O caso que chamou mais atenção foi Colônia Leopoldina que informou à Defesa Civil do Estado que havia 2,5 mil desabrigados e desalojados na cidade. Mas, foi constatado apenas 54 famílias nesta situação, totalizando 214 vítimas das enchentes. Neste caso, a defesa civil local afirmou que se tratava de “erro de digitação”. 

Em outros municípios as explicações foram as mais variadas. Em um deles, a secretária de Ação Social afirmou que as pessoas estão fazendo sensacionalismo com a situação e questionou à reportagem do jornal EXTRA quem teria repassado seu número (de celular). No entanto, a divergência de números foi detectada na maioria dos municípios visitados. Vale ressaltar que Alagoas recebeu mais de R$ 13 milhões do governo federal para estas vítimas. Porém, o valor que estava na conta do Governo do Estado foi calculado com base na estimativa inicial de vítimas.

PLANO DE CONTINGÊNCIA 

O Ministério Público Estadual tem agido nesta situação e na terça-feira, 6,  recomendou aos prefeitos dos municípios atingidos pelas fortes chuvas para que  agilizem o Plano de Contingência de Proteção e Defesa Civil. Outra recomendação é de que os promotores fiscalizem as ações desenvolvidas pelos gestores daqueles municípios. O MP pede ainda que os prefeitos impeçam a reocupação das áreas de risco. Orienta ainda que as matas ciliares sejam recuperadas.

O governo do Estado criou o Gabinete de Crise da situação de Emergência (GCSE), coordenado pela Defesa Civil Estadual em parceria com outras secretarias de Estado. Foram definidas ações para monitorar o atendimento às pessoas atingidas pelas chuvas, supervisionar a assistência aos municípios atingidos, fazer levantamento de dados, emitir relatórios, apresentar conclusões e propor medidas corretivas e emergenciais.

Decretaram situação de emergência por conta das chuvas os municípios de Maceió, Marechal Deodoro, Atalaia, Barra de Santo Antônio, Cajueiro, Capela, Chã Preta, Colônia Leopoldina, Coruripe, Coqueiro Seco, Igreja Nova, Japaratinga, Joaquim Gomes, Murici, Paulo Jacinto, Paripueira, Pilar, Quebrangulo, Rio Largo, Satuba, São Luís do Quitunde, São Miguel dos Campos, Santa Luzia do Norte, Jacuípe, Jundiá, União dos Palmares e Viçosa.


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