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21 de Setembro de 2018

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Edição nº 924 / 2017

01/06/2017 - 19:58:10

PM líder de quadrilha era secretário de Joaquim Gomes

Organização criminosa planejava fraudar o concurso da Semed que teve provas aplicadas no começo de maio

José Fernando Martins [email protected]
Flávio (D) é acusado de chefiar a quadrilha junto com o irmão Vicente. Ambos estão presos na Paraíba

Além de auxiliar administrativo em Campina Grande, na Paraíba, e policial militar em Alagoas, Flávio Luciano Nascimento Borges, um dos acusados de chefiar, com o irmão Vicente Borges, organização criminosa que burlava concursos públicos, ocupava também o cargo de secretário adjunto de Cultura e Turismo da Prefeitura de Joaquim Gomes, na atual administração encabeçada por Adriano Ferreira Barros. A informação é do delegado que apura o caso, Lucas Sá. 

A terceira fase da Operação Gabarito, que ocorreu na terça-feira, 30, ainda descobriu que o grupo atuava com fraude de licitações públicas no município do interior alagoano. De acordo com o delegado, o pai de Kamila Marcelino, presa na primeira fase da operação, conhecido como Nego Sarrapião, já foi prefeito do cidade. Licitações, em nome de Kamila, foram fraudadas para favorecer financeiramente a quadrilha. Documentos enviados ao EXTRA mostram que as transações ocorriam desde 2010. 

Em apenas uma das compras de alimentos feitas pela prefeitura a Kamila, o valor foi de R$ 68 mil. A Delegacia de Defraudações e Falsificações (DDF) de João Pessoa vai enviar os documentos apreendidos para o Ministério Público de Alagoas para que prossiga com a investigação sobre a fraude nas licitações, fato que não pode ser apurado pela polícia paraibana. O EXTRA tentou contato com o atual prefeito de Joaquim Gomes, mas não obteve sucesso. 

Ao todo, 20 policiais participaram da nova fase da operação que aconteceu em João Pessoa e na cidade de Cabedelo, ambas na Paraíba. Além de prisões, foram encontrados documentos importantes, como planilhas de valores de cargos públicos, o planejamento de concursos neste ano de 2017 que seriam fraudados e planilhas com o nome de diversos candidatos. Entre os concursos que estavam nos planos da quadrilha está o da Secretaria Municipal de Educação (Semed) de Maceió, cujas provas foram aplicadas no dia 7 de maio. 

As investigações apontam que as fraudes em concursos públicos teriam beneficiado cerca de 700 pessoas desde 2005. Em Alagoas, a organização teria fraudado certames do Instituto Federal de Alagoas (IFAL); da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), ambos em 2012; e do Tribunal Regional do Trabalho 19ª Região, para técnico judiciário, em 2013. 

Estão sendo investigados os concursos: Guarda Municipal (João Pessoa, Bayeux, Cabedelo), Prefeituras Municipais (João pessoa, Bayeux, Santa Rita, Cabedelo, Conde, Alhandra e outras cidades do interior da Paraíba), Câmara Municipal de João Pessoa, Corpo de Bombeiros da Paraíba, Polícia Militar da Paraíba e diversos outros concursos, a nível municipal, estadual e federal.

“A identificação dos candidatos a gente acredita que será a partir da quarta fase, pois são muitas provas, é tudo muito complexo, então se a terceira fase for concluída até semana que vem, nós vamos instaurar inquéritos específicos sobre cada concurso da nossa atribuição, que são os da Paraíba, para encontrar os beneficiados” pontuou o delegado à imprensa paraibana.

ENEM FRAUDADO

A quadrilha atuava há pelo menos dez anos e conseguiu “aprovar” servidores em instituições municipais, estaduais e federais, obtendo mais de R$ 18 milhões. O esquema abrangia desde a confecção de documentos falsificados, se fosse necessário, até a assessoria no momento do certame. Conforme as investigações, a filha de um policial rodoviário federal foi aprovada em primeiro lugar para o curso de medicina no Centro Universitário de João Pessoa. Em seu interrogatório, M.R.N. confirmou que usou ponto eletrônico no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2016.  De acordo com o delegado Lucas Sá, a quadrilha exigia que pelo menos dez pessoas comprassem a aprovação em um mesmo concurso para que pudesse ser fraudado. O delegado destacou que não existe nenhum vazamento por parte das organizadoras dos concursos. A atuação dos criminosos seria independente.

Sobre os beneficiados pela fraude, a orientação do delegado é para que se entreguem. “Temos muitas pessoas identificadas. Aguardamos que eles se entreguem, pois se eles dificultarem as investigações certamente serão presos também”, disse. 

“Não têm mais escapatória. Certamente eles responderão pelos crimes, mas se ajudarem nas investigações, poderão ser beneficiados com a colaboração premiada e ter a pena atenuada”, finalizou.

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