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18 de Novembro de 2018

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Edição nº 924 / 2017

01/06/2017 - 19:54:56

Em um ano, 17 mil deixam os planos de saúde em Alagoas

Reajuste superior à inflação torna cada vez mais difícil PARA as famílias manterem os contratos

Bruno Fernandes Estagiário sob supervisão da Redação

Pelo menos 17 mil pessoas em Alagoas abandonaram seus planos de saúde entre abril de 2016 e abril de 2017, o que representa um decréscimo de 4,1% de usuários no estado. É o que informa relatório divulgado pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS).

E a tendência é que essa evasão aumente já que na última semana foi aprovado pela Agência Nacional de Saúde (ANS) um reajuste de 13,55% nos planos de saúde médico-hospitalares nas categorias individual e familiar. O aumento passou a valer a partir do dia 24 de maio e vai até abril de 2018.

O percentual é válido para os planos de saúde contratados a partir de janeiro de 1999 ou adaptados à Lei nº 9.656/98 e atinge cerca de 8,2 milhões de beneficiários, o que representa 17,2% do total de 47,5 milhões de consumidores de planos de assistência médica no Brasil, de acordo com dados referentes a abril de 2017.

Só em 2016, cerca de 1,5 milhão de pessoas abandonaram os planos de saúde no Brasil. Na Região Nordeste, esse número chega a 103,9 mil. Atualmente, Alagoas conta com 394 mil usuários de planos de saúde.

RECLAMAÇÕES

Em sites de reclamações como o Reclame Aqui, é normal ver queixas contra os mais populares planos em Alagoas como Unimed, Hapvida, Medvida, Smile Saúde e Amil que vão desde o não atendimento a telefonemas na hora de resolver algum problema até situações pós-cirúrgicas que não foram bem auxiliadas.

Embora os relatórios divulgados pela ANS indiquem números positivos em todos os aspectos avaliados anualmente o que, segundo a agência reguladora, justifica o reajuste, a realidade é bem diferente de acordo com os clientes.

Para Stephanie Ferreira, 19, usuária do plano de saúde oferecido pela Unimed desde que nasceu, o possível futuro reajuste não justifica os serviços oferecidos pela operadora que embora supra as necessidades em casos de exames ou cirurgias, deixa muito a desejar na hora de um atendimento mais emergencial. “Sempre que vou à Unimed no Farol sou mal atendida por causa da superlotação; em uma situação de emergência que deveria ter um atendimento mais rápido já cheguei a esperar três horas”.

O valor pago pela família de Stephanie para obter os benefícios do plano é de aproximadamente R$ 900, quase o valor de um salário mínimo. Stephanie conta também um episódio que aconteceu com sua irmã, que durante uma convulsão precisou do atendimento de urgência do plano, porém, os funcionários do local deram prioridade a outras pessoas por terem chegado antes no local. “Minha mãe precisou fazer um escândalo para que minha irmã de 11 anos, na época com 10, pudesse ser atendida, isso depois de quase quatro horas esperando na fila [...] quando finalmente fomos atendidas o médico mandou tomar Benzetacil e pronto. A consulta não durou nem 2 minutos”. 

Infelizmente casos assim não são isolados. Estudante de Ciências Biológicas, Noemi Castro, 21, relata que já teve contrato com cerca de três planos de saúde, em Maceió, MedVida, Geap e Saúde Excelsior do grupo Amil, e em nenhum deles ficou satisfeita com os serviços oferecidos pelas operadoras, tanto que hoje prefere não possuir vinculo com nenhum. 

“Todos que precisei de atendimento durante uma emergência fui mal atendida, prefiro pagar consultas e exames particulares a contratar outro plano”.

Ainda de acordo com o relatório do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar, Alagoas foi o estado no Nordeste que mais perdeu usuários de planos de saúde no período de um ano. A queda foi de 4,1% (16.965 usuários cancelaram seus planos), seguido do Maranhão com -2,3% (10,888) e do Rio Grande do Norte com -2,1% (10,799). O estado da Paraíba foi o que perdeu menos usuários, apenas -0,2% (707). Confira a tabela completa abaixo.

AUMENTO

É importante destacar que somente as operadoras autorizadas pela ANS podem aplicar reajustes e seus nomes podem ser conferidos no próprio site da agência.

Os beneficiários de planos individuais devem ficar atentos aos boletos de pagamento e observar se o percentual de reajuste aplicado é igual ou inferior ao definido pela ANS e se a cobrança com o índice de reajuste está sendo feita a partir do mês de aniversário do contrato, que é o mês em que o contrato foi firmado. 

Em caso de dúvidas, os consumidores podem entrar em contato com a ANS por meio do Disque ANS (0800 701 9656).

As operadoras citadas na reportagem foram procuradas pra falar sobre a perda de usuários, porém, até o fechamento desta edição, apenas a Amil respondeu aos e-mails e as ligações. Através da assessoria, a empresa disse preferir não se posicionar a respeito dos dados apresentados nos relatórios de pesquisa do instituto, alegando se tratar de um problema setorial. 

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