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20 de Novembro de 2018

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Edição nº 923 / 2017

29/05/2017 - 10:13:00

Moradores reclamam da falta de estrutura no conjunto

Obras de creche-escola e unidade de saúde estão inacabadas; falta de água é outro problema no residencial

Maria Salésia [email protected]
Escola-creche alagada; salas vazias servem como ponto de uso de drogas

Chegar ou sair do conjunto José Aprígio Vilela, localizado no complexo Benedito Bentes, na parte alta de Maceió, não é nada fácil. A Eco-Via Norte, única via de acesso, não oferece qualquer condição para as quase duas mil famílias que residem no local e não há previsão de quando a obra será concluída. Lixo, urubu, mato e muita lama completam o cenário degradante. Como se não bastasse, a escola, creche, quadra de esporte e até a unidade de saúde continuam com as obras paralisadas. A falta de água é outra reclamação da população.

Segundo a moradora do local, Cilene Rodrigues, as pessoas que residem no Aprigio Vilela foram esquecidas pelo poder público.  Ela reclama que as crianças precisam procurar escolas longe de casa e outras sequer estudam por falta de matrícula. O mesmo acontece quando alguém adoece por lá. Outro problema crônico, disse, é a falta de abastecimento de água. “As bombas são fracas e quando chega água é em torneira de jardim e em alguns lugares nem chega.”

O jornal Extra esteve no local e comprovou a situação de descaso com os moradores daquela localidade. Nenhuma viatura foi encontrada e a informação dos moradores é de que só aparece se for para alguma ocorrência. Se a criança que reside no conjunto conseguir vaga para estudar no Caic do Benedito Bentes terá que percorrer quatro quilômetros. O percurso é ainda maior se alguém adoecer e precisar de atendimento médico na UPA do Complexo. São quatro quilômetros e meio de distância, com uma parte de estrada de barro. Além de contar apenas com transporte coletivo integração ou mototaxista.

A presidente da associação comunitária e social, Ana Maria Porfiro, enumera os problemas, mas disse que a necessidade maior é de um posto de saúde no conjunto. Indignada, mostra a obra inacabada da unidade de saúde. Uma placa deteriorada pela ação do tempo aponta que o valor da construção era de R$ 709.051,29, com prazo de entrega de 180 dias. “Quando a obra estava nesse ponto a empresa foi embora alegando que não tinha mais dinheiro no cofre. Não sei onde foi parar todo o recurso”, reclamou. 

Ao tentar entrar na obra e ser barrada pelo segurança que se encontrava no local, dona Ana Maria reclamou e disse que a vigilância chegou há cerca de um ano e meio a pedido da associação. “Quem foi buscar ajuda pra fazer isso aqui fui eu. Agora, nem posso entrar. Eu entrando aí não vou mexer em nada, apenas mostrar o abandono. Mas entendo o senhor”, justificou.

A situação não foi diferente na creche escola. Tomada pelo mato e servindo de estribaria, as portas e janelas já não existem mais. Durante a visita, apenas um cavalo tomava conta do espaço. Junto ao animal um cachimbo deixado por usuário de drogas. Até parte do telhado não existe mais. O problema não é maior porque o aposentado Antonio Lira, um dos primeiros moradores do conjunto, cuida do espaço para que não se degrade cada vez mais. 

“Olha a situação da creche. Vivemos desse jeito e o governo não olha pra gente. Quando vejo os meninos aqui boto pra correr; se vejo uma coisa estranha deixo não e fico sempre de olho. O Aprígio está desprezado”, comparou ao afirmar que no projeto seriam 2 mil casas, mas a construtora construiu apenas 1927. 

 As crianças fora da sala de aula é um dos problemas apontados pela líder comunitária. Ela argumenta que muitas vão para outras localidades em transportes de má qualidade e as pequenas não encontrar creche. “Muitas crianças não estão estudando porque não tem lugar. Não há benfeitoria, apenas pegaram nosso dinheiro e jogaram no mato. Os impostos vão para o ralo, desceu pelo Riacho Salgadinho”, ironizou Ana Maria.

A falta de água é outra situação corriqueira no Aprígio Vilela. De acordo com os moradores, são cinco poços para 1927 residências e mesmo assim falta água constantemente. É o caso de Ana Maria que passou nove meses sem a água subir para sua casa. Ela aponta que um poço encontra-se abandonado e não é feito manutenção e nem limpeza nos outros. 

“A falta de água é grande e a que tomamos é sem tratar. Alguma coisa está acontecendo e a Casal precisa saber se há desvio”, orientou e reclamou ainda da precariedade do saneamento no conjunto.

Entregue às famílias de baixa renda em janeiro de 2014 pela Caixa Econômica Federal, as casas fazem parte do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, em parceria com o governo do Estado. 

Casal e MP  se posicionam

A respeito do abastecimento do Conjunto Aprígio Vilela, no Benedito Bentes, “a Casal informa que: a água de poço não passa por tratamento porque não precisa, tendo em vista que a água que vem do lençol freático já está em condições de potabilidade. Mesmo assim, a Casal faz coletas periódicas para analisar a qualidade dessa água em laboratório. Sobre a falta de pressão na rede, isso ocorre devido a um problema na bomba de um dos cinco poços que a Casal explora para abastecer o referido conjunto. Técnicos da empresa já trabalham no conserto da bomba e, tão logo o serviço seja concluído, o abastecimento voltará ao normal”

No Ministério Público a orientação foi de que as lideranças comunitárias provocassem o MP, fazendo a denúncia. A partir daí, o órgão abre procedimento para saber do Estado sobre os equipamentos sociais. Inclusive, o promotor Flávio Gomes se disponibilizou a receber representantes dos moradores. No que diz respeito à responsabilidade da Prefeitura de Maceió, a reportagem manteve contato com a assessoria de comunicação, mas não obteve retorno.


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