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16 de Novembro de 2018

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Edição nº 923 / 2017

29/05/2017 - 10:09:26

Operação Fora Temer expõe dados de ministro alagoano

Ação foi em represália a colaboradores de Temer que é citado 43 vezes em inquéritos da Lava Jato

Bruno Fernandes Estagiário sob supervisão da Redação
Hackers perseguem políticos brasileiros: Quintella e Temer têm dados sigilosos divulgados publicamente

“Grupo de hackers invade site do governo americano”, “Anonymous expõe dados do governo do Senegal”, “Anonymous invade vários sites do governo da Islândia”. Essas são algumas manchetes que nos últimos anos se tornaram bastante comuns de ler nos principais veículos de comunicação do mundo inteiro, porém, o que antes parecia distante da realidade brasileira, tem se tornado cada vez mais constante no País.

Após diversos ataques a governos e empresas de outros países, o grupo que começou a ganhar notoriedade em 2003 voltou suas atenções para terras tupiniquins.

Ao contrário de organizações ou grupos convencionais, o Anonymous não é um grupo. Não tem lideranças, nem porta-vozes oficiais. Qualquer ativista, de qualquer causa, pode fazer uso da imagem e do nome Anonymous para criar uma “operação”, que é um conjunto de ações em favor de uma causa.

O ministro dos Transportes, o alagoano Maurício Quintella, também foi alvo do grupo durante uma operação que aconteceu na segunda-feira, 22, denominada #OpForaTemer. Um relatório com dados que inclui nome completo, CPF, CNS, datas, emails, números telefônicos, endereços residenciais e de trabalho, carro utilizado com placa e negócios (bens, ações e empresas), divulgado pelos ativistas, enfatiza que Quintella foi condenado, em agosto de 2014, por participação em um esquema que desviou dinheiro destinado ao pagamento de merenda escolar em Alagoas, entre 2003 e 2005, quando era secretário de Educação do Estado.

Ainda segundo os dados, o ministro tem sete endereços na capital, sendo nos bairros Jacintinho, Pajuçara e Mangabeiras. Os hackers divulgaram também os telefones pessoais do ministro e de parentes. 

Nem mesmo o presidente Michel Temer e a esposa dele, Marcela, escaparam do grupo que também divulgou informações pessoais de ambos. Desde 2013 o grupo passou a realizar ações em protesto à atual situação política do Brasil. Notícias que antes eram internacionais passaram a ser “Anonymous Brasil invade sistema do STJ”, “Hackers do Anonymous invadem site do PSDB”, “Anonymous invade sistemas e divulga banco de dados da JBS”.

Além do presidente, o documento denominado “exposed” inclui nomes fortes da política nacional como Romero Jucá (PMDB), Gilberto Kassab (ministro de Ciência e Tecnologia, PSD), Raul Jungmann (ministro da Defesa, PPS), Henrique Meirelles (ministro da Fazenda, PSD), José Sarney Filho (ministro do Meio Ambiente, PV), José Serra (ministro das Relações Exteriores, PSDB), Alexandre de Moraes (ministro do Supremo Tribunal Federal, PSDB) e muitos outros.

Manifesto

Em um manifesto enviado ao portal especializado em tecnologia TecMundo, e disponibilizado logo depois pelo mesmo, o grupo enfatiza que essa ação foi apenas o começo de uma série de ações que tem como foco atingir o atual presidente e seus aliados. “Nós não esquecemos, senhor presidente. Seu nome foi citado quarenta e três vezes na Operação Lava Jato. Nós não esquecemos toda sua articulação política para chegar a presidência...as reformas propostas pelo seu governo são uma afronta aos direitos humanos, aos direitos trabalhistas do pobre, beneficiando somente o empregador e não o empregado”. Diz um dos trechos do documento.

O EXTRA entrou em contato com a assessoria do ministro dos Transportes, Maurício Quintella, e foi informado que até o momento não foi definida uma ação sobre as providências que serão tomadas contra o grupo pelo ministro.


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