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23 de Setembro de 2018

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Edição nº 923 / 2017

29/05/2017 - 10:07:12

Alagoas é referência em pesquisa de diagnóstico

Ufal e Santa Casa unem Medicina e computação na luta contra uma das doenças que mais mata no mundo

Vera Alves [email protected]
Tomógrafo computadorizado de alta resolução e baixa dosagem de radiação adquirido pela Santa Casa de Maceió

O diagnóstico rápido e precoce do câncer de pulmão, de tal forma que o tratamento seja menos traumático e o paciente tenha 100% de chances de cura. Este o objetivo da pesquisa desenvolvida pela Universidade Federal de Alagoas Ufal) e a Santa Casa de Misericórdia de Maceió que alia a Computação à Medicina e vai reforçar a presença de Alagoas no cenário científico internacional. Os estudos estão avançados e têm apresentado resultados positivos, com perspectivas de em mais um ano o estado ter desenvolvido um sistema de leitura de imagens a ser aplicado mundialmente.

Considerada hoje a doença neoplásica mais comum e mais mortal no mundo, o câncer de pulmão se transformou ao longo dos anos na maior preocupação de médicos oncologistas e pesquisadores. E esta preocupação tem razão de ser: a evolução estatística dos últimos 20 anos mostra que, de 10ª causa de mortes em todo o mundo, em 1997, deve chegar à 5ª posição em 2020, ou seja, daqui a apenas três anos.

Na luta contra o tempo, pesquisadores vêm realizando estudos que tornem mais eficiente o diagnóstico precoce da doença. É aí que entra a Computação, ciência que obteve um franco desenvolvimento nas últimas décadas e que cada vez mais vem sendo aplicada à Medicina. Alagoas está inserido nesta tendência internacional e desenvolve hoje estudos com resultados promissores que estão sendo debatidos em encontros nacionais e internacionais de pesquisa e de computação.

Dentre as pesquisas em andamento, a tese para dissertação de Mestrado em Modelagem Computacional do Conhecimento, pela Universidade Federal de Alagoas, da médica pneumologista da Santa Casa de Maceió Maria de Fátima Alécio Mota, sob orientação do professor Marcelo Costa Oliveira, coordenador do Programa de Mestrado em Informática (PPGI) da Ufal, e do radiologista Thiago Costa de Almeida, especializado em Medicina Interna e Oncorradiologia, e com a participação e apoio do coordenador do Serviço de Radiologia da Santa Casa, o médico radiologista Rodrigo Benning Araújo Pinheiro.

Também atuam no projeto dois alunos do Programa de Mestrado em Informática do Instituto de Computação da Ufal, Ailton Félix e Lucas Lins, ambos bolsistas da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas- Fapeal, vinculada à Secretaria de Estado da Ciência, da Tecnologia e da Inovação (Secti), e orientados por Costa.

A Fapeal também financiou, entre 2013 e 2015, o estudo Auxílio Computadorizado no Diagnóstico do Câncer de Pulmão Otimizado por GPU, do bolsista José Raniery Ferreira Jr. sob a rientaão de Marcelo Costa.

Classificado como o melhor aluno do doutorado do curso de Bioengenharia da Escola de Engenharia da Universidade de São Paulo (USP), Raniery acaba de ser selecionado pela Universidade de Harvard (EUA), uma das mais importantes instituições de ensino no mundo. e vai levar para lá os resultados obtidos em solo tupiniquim.

Descoberta precoce elimina a letalidade da doença

O Brasil não é um país ainda confiável em termos de estatísticas, mas os números levantados em 2016 pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), a instituição brasileira mais respeitada na área da oncologia, apontam para o registro, este ano, de 17.330  novos casos de câncer de pulmão em homens e 10.890 em mulheres – total de 28.220.

Doença intimamente ligada ao tabagismo, o câncer de pulmão pode ter origem hereditária, como assinala a médica Fátima Alécio, ao assinalar ser comum que filhos de fumantes contraiam a doença.

“Saber com antecedência se um nódulo é maligno ou benigno e, mais importante, detectá-lo em sua fase inicial, é de vital importância para a recuperação do paciente e é isto que estamos em vias de obter”, afirma a médica, ao destacar que tem sido fundamental a utilização de um dos mais modernos equipamentos de tomografia computadorizada do mercado para o diagnóstico da doença.

O tomógrafo computadorizado de alta resolução com baixa dosagem de radiação adquirido pela Santa Casa há pouco mais de dois anos reduz em até 20% a dosagem de radiação sobre os pacientes durante a realização dos exames e possui um alto grau de definição da imagem. 

“Este equipamento moderno, junto com um sistema computacional (algoritmos) que estamos desenvolvendo é que vai possibilitar ao médico, auxiliado pelo radiologista, diagnosticar precocemente o nódulo e estabelecer com maior firmeza, e mais rapidamente, se ele é benigno ou maligno”, explica o professor Marcelo Costa.

Atualmente, o médico é obrigado a esperar de 20 a 400 dias para saber se o nódulo é maligno ou benigno. Via de regra, este é o espaço de tempo que o nódulo leva para dobrar de tamanho e ter sua imagem melhor analisada a olho nu.

Outro componente importante da pesquisa é acabar com o falso positivo, aquela situação em que um exame indica a presença da doença que depois se descobre ser inexistente. 

“Com um sistema de leitura mais ágil e eficiente da imagem, vamos acabar com a possibilidade de provocar uma situação de profundo estresse num paciente que não é portador da doença”, explica Oliveira.

Quem são os pesquisadores 

Marcelo Oliveira Costa: professor associado do Instituto de Computação da Ufal. Possui doutorado e mestrado pela Universidade de São Paulo (USP) na área de Informática Médica. É revisor de diversos periódicos internacionais que atuam na área de computação aplicada à saúde, como o  Computer Methods and Programs in Biomedicine, Journal of Digital Imaging, Medical &Biological Engineering&Computing. É membro do Comitê de Assessoramento do Ministério da Saúde e da Rede Universidade de Telemedicina (REDE RUTE- RNP) e é consultor ad-hoc de projetos do Ministério da Saúde. O pesquisador tem experiência na coordenação de projetos, tendo coordenado cinco projetos financiados por agências de fomento (Fapeal, Ministério da Saúde e CNPQ) na área deste projeto de pesquisa. 

Atualmente é coordenador do Programa de Mestrado em Informática (PPGI). Professor permanente do PPGI desde 2013, atua na linha de Computação Visual e Inteligente. Somente no ano de 2016 o professor publicou seis artigos em periódicos internacionais de alto impacto no tema auxílio computadorizado aplicado ao diagnóstico do câncer de pulmão.

É membro do grupo de Pesquisa Diagnóstico Auxiliado por Computador e Radiômica (CadOmics) da Universidade de São Paulo e atua como pesquisador no projeto interinstitucional Modelo Radiômico de Predição Diagnóstica e Prognóstica do Câncer de Pulmão que envolve a USP e a Universidade de Harvard (EUA).

Maria de Fátima Alécio Mota: médica pneumologista da Santa Casa de Maceió e supervisora da Residência de Clínica Medica da Santa Casa de Maceió. Professora de Pneumologia do curso de Medicina do Cesmac e mestranda da Universidade Federal de Alagoas em Modelagem Computacional do Conhecimento

Thiago Costa de Almeida- Formado em Medicina pela Universidade Federal de Alagoas.

Residência em Radiologia e Diagnóstico por Imagem no AC Camargo Cancer Center e estágio em Ressonância Magnética no HCor (Hospital do Coração) de São Paulo. Atualmente é radiologista dedicado à Medicina Interna e Oncorradiologia, especialista na realização de biópsias e drenagens guiadas por exames de imagem.

Rodrigo Benning Araújo Pinheiro - coordenador do Serviço de Radiologia Santa Casa e médico radiologista, supervisor do Programa de Radiologia e Diagnóstico por Imagem

Lucas Lins de Lima - graduado em Ciência da Computação pela Universidade de Alagoas. Bolsista da Fapeal, atualmente é membro do Laboratório de Telemedicina e Informática Médica (LaTIM), situado no Centro de Pesquisa do Hospital Universitário Prof. Alberto Antunes (HUPAA/Ufal), realizando atividades de pesquisa e desenvolvimento com foco em Informática Médica sob a orientação do professor doutor Marcelo Costa Oliveira. 

Ailton Félix de Lima Filho - bolsista da Fapeal no mestrado do Programa de Pós-graduação em Informática pela Ufal sob orientação do professor Marcelo Costa Oliveira, possui graduação em Bacharelado em Ciência da Computação pela Universidade Federal de Alagoas.

Sobre a fapeal

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal) foi criada pela Lei Complementar nº 05, de 27 de setembro de 1990, como entidade jurídica de direito privado e teve a sua estrutura jurídica alterada para fundação de direito público pela Lei Complementar nº 20, de 4 de abril de 2002.

Nos seus 25 anos de atividade, vem desempenhando um importante papel no desenvolvimento científico e tecnológico do estado, investindo expressivos recursos na formação de recursos humanos de alto nível através de bolsas de estudo, assim como no fomento a importantes projetos de pesquisa.

A Fapeal é também a  gestora do Ponto de Presença (PoP) da Rede Nacional de Pesquisa (RNP), que liga pioneiramente o Estado de Alagoas à internet, oferecendo serviços de conectividade à comunidade científica, instituições governamentais e ONGs. 

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