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18 de Setembro de 2018

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Edição nº 923 / 2017

29/05/2017 - 10:06:43

E o amanhã?

CLÁUDIO VIEIRA

Como será?  A indagação do cancioneiro popular é bem apropriada ao momento brasileiro atual. Há mais ou menos um ano afastamos uma presidente da República, considerando que a mesma descumprira mandamentos legais e praticando o que foi folcloricamente denominado “pedaladas fiscais”, deveria sofrer o processo de impeachment. Deveria mesmo e sofreu, também porque a irresponsabilidade dos governos petistas veio à tona com a crise financeira. À época, embora concordasse com a legitimidade do impedimento, neste mesmo espaço observei que a saída de Dilma Roussef e a assunção de Michel Temer em nada mudariam o caos político-econômico brasileiro. Seria, afirmei, trocar seis por meia dúzia. Os fatos posteriores deram-me em parte razão, em parte fizeram-me queimar a língua.

O MEU EQUÍVOCO

Ante a profunda crise econômica – alguns afirmavam que teríamos atingido o fundo do poço – difícil acreditar que os nossos representantes, a ampla maioria acometida de tibieza ética, cuidasse de soluções republicanas. Malgrado timidamente, a crise vem paulatinamente perdendo a força. Não louvemos nisso os políticos, mas a equipe econômica do governo Temer, séria e respeitada pelos motores econômicos.

MEU ACERTO

Nada mudaria no comportamento dos políticos que assumiriam o comando temporário do País; e nada mudou mesmo.  Mal assumido o novo governo, as denúncias de corrupção – e de outros delitos – afloraram aqui e ali, o ministério Temer sendo atingido de morte, e vários ministros substituídos. O novel presidente, no afã de sustentar-se, fatiou o governo. Cargos públicos, relevantes ou não, foram distribuídos a partidos políticos sem qualquer critério republicano, uma prática dominante na administração pública brasileira. Em tal contexto, os escândalos vêm pipocando em impressionante sucessão, até atingir o mais estreito núcleo do governo e o próprio governante. A crise política agora é definitivamente dominante, próceres de quase todos os partidos políticos atingindos por acusações de corrupão. Vozes surgem por novo impeachment, havendo aqueles que disfarçadamente, assim como quem não quer querendo, creditam-se ao cargo em eleições indiretas que deverão seguir ao impedimento, declarando com autoridade (?) que demitiriam ministro que afirmara a mantença do projeto de recuperação econômica, com Temer ou sem ele. Outros já apregoam que qualquer solução para a crise política sairá da atuação dos representantes do povo. Indagações perplexas se impõem: que representantes? Esses que estão aí? Mais uma vez seria trocar seis por meia dúzia, novamente entregar a chave do cofre a bandoleiros.

Conscientizemo-nos e preparemo-nos para as próximas eleições. O voto popular é a nossa única esperança de sepultarmos a crise política. Mas não só isso: lutemos por uma Constituinte exclusiva, repudiando qualquer tentativa de fazê-la mista. 

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