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25 de Setembro de 2018

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Edição nº 922 / 2017

22/05/2017 - 16:56:11

Segunda fase de investigações aponta fraude no Enem

Quadrilha desmantelada na Paraíba também falsificava títulos e atestados médicos

José Fernando Martins [email protected]

Foi detido nesta quarta-feira, 17, em Maceió, o último foragido da Operação Gabarito, que desarticulou quadrilha que fraudou mais 70 concursos públicos no País, sendo três em Alagoas. A prisão de Erideywyd Henrique Omena Ferreira da Silva aconteceu após a Delegacia de Defraudações e Falsificações da Paraíba identificar sua localização. Ele foi preso por policias civis de Alagoas dentro de um guarda-roupa na casa de um irmão, no bairro de Eustáquio Gomes. De acordo com as investigações, Silva ainda é acusado de tráfico de drogas e homicídios em terras alagoanas. 

A segunda fase da Operação Gabarito descobriu que a organização criminosa, além de fraudar certames, ainda falsificava atestados médicos, diplomas, documentos para provas de títulos e que contava até com assessoria jurídica para se defender dos candidatos que eram desclassificados nos concursos. Como denunciou a última edição do EXTRA ALAGOAS, um dos chefes da quadrilha, o cabo Flávio Luciano Nascimento Borges, chegou a ser inocentado por deserção na Polícia Militar, em Alagoas. Flávio, que foi aprovado no concurso da PM no estado no ano de 2006, enfrentou, dois anos mais tarde, um processo devido a faltas no trabalho. Em sua defesa, o policial alegou à época que se encontrava de licença para tratamento de saúde e escapou ileso da Justiça.

Porém o atestado apresentado pelo PM pode ser objeto das falcatruas do grupo. É o que explicou o delegado responsável pelas investigações, Lucas Sá. “Provalmente, o atestado foi falso”, disse à reportagem. Enquanto isso, a Polícia Militar de Alagoas passou o problema à corregedoria da corporação para abertura de procedimento administrativo para apurar a possivel participação de policiais militares com a quadrilha de fraudadores. Vicente Fabricio Nascimento Borges, 32, irmão do policial militar Flávio Luciano Nascimento Borges, também preso, está cadastrado como inspetor de obras pela Secretaria de Infraestrutura da cidade Santa Rita (PB). 

Também entre os presos por envolvimento na quadrilha estão José Marcelino da Silva Filho e Kamila Marcelino Crisóstomo da Silva, filhos do ex-prefeito de Joaquim Gomes, José Marcelino, conhecido como “Nêgo Sarrapião”, que governou a cidade entre 2011 e 2012. 

As investigações apontam que as fraudes em concursos públicos teriam beneficiado cerca de 700 pessoas desde 2005. Em Alagoas, a organização teria fraudado certames do Instituto Federal de Alagoas (IFAL); da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), ambos em 2012; e do Tribunal Regional do Trabalho 19ª Região, para técnico judiciário, em 2013. 

Estão sendo investigados os concursos: Guarda Municipal (João Pessoa, Bayeux, Cabedelo), Prefeituras Municipais (João pessoa, Bayeux, Santa Rita, Cabedelo, Conde, Alhandra e outras cidades do interior da Paraíba), Câmara Municipal de João Pessoa, Corpo de Bombeiros da Paraíba, Polícia Militar da Paraíba e diversos outros concursos, a nível municipal, estadual e federal.

UMA DÉCADA DE CRIMES

A quadrilha atuava há pelo menos dez anos e conseguiu “aprovar” servidores em instituições municipais, estaduais e federais, obtendo mais de R$ 18 milhões. O esquema abrangia desde a confecção de documentos falsificados, se fosse necessário, até a assessoria no momento do certame. Conforme as investigações, a filha de um policial rodoviário federal foi aprovada em primeiro lugar para o curso de medicina no Centro Universitário de João Pessoa. Em seu interrogatório, M.R.N. confirmou que usou ponto eletronico no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2016.  De acordo com o delegado Lucas Sá, a quadrilha exigia que pelo menos dez pessoas comprassem a aprovação em um mesmo concurso para que pudesse ser fraudado. O delegado destacou que não existe nenhum vazamento por parte das organizadoras dos concursos. A atuação dos criminosos seria independente.

Sobre os beneficiados pela fraude, a orientação do delegado é para que se entreguem. “Temos muitas pessoas identificadas. Aguardamos que eles se entreguem, pois se eles dificultarem as investigações certamente serão presos também”, disse. “Não têm mais escapatória. Certamente eles responderão pelos crimes, mas se ajudarem nas investigações,  poderão ser beneficiados com a colaboração premiada e ter a pena atenuada”, finalizou.

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