Acompanhe nas redes sociais:

15 de Novembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 922 / 2017

22/05/2017 - 16:51:46

Aos mortos, toda a culpa - II

CLÁUDIO VIEIRA

Semana passada, neste mesmo espaço, comentei a desfaçatez de José Carlos Bumlai, amigo do peito de Luiz Inácio Lula da Silva, em atribuir à senhora Marisa Letícia a decisão de criar o Instituto Lula (bela iniciativa), bem como buscar recursos para tanto junto a empreiteiros amigos (nada belo proceder). Concluí o texto com premonitória observação: a tragédia bufa ainda não terminara!

Não demorou muito, na sequência quase imediata das declarações do Bumlai, Lula apressou-se em afirmar perante o juiz Moro que Marisa Letícia era também responsável pelo tal triplex do Guarujá. Ficou então óbvia a estratégia de Lula e de sua defesa: tudo fora culpa da falecida. 

Ouvindo-o na transcrição do seu interrogatório, ainda estava eu digerindo o cinismo do ex-presidente, quando ele, esmerando-se no seu descaramento, requereu ao juiz não mais lhe fossem feitas perguntas sobre a esposa recém-falecida, uma vez que a mesma não mais poderia defender-se. Apercebendo-se da contradição que o desmascarava, passou a culpar a imprensa, o MPF e a Justiça pelo recrudescimento da doença de sua companheira, levando-a à morte. Talvez se o juiz Sérgio Moro tivesse entrado no seu jogo, Lula houvesse culpado as instituições, contra as quais reverberava, por todas as falcatruas que a sua família praticara, e das quais estava agora acusada. Nada anormal para quem de nada sabia, e que sempre atribuiu a terceiros os malfeitos do seu governo. Lembram-se que no mensalão ele culpava amigos e assessores pela corrupção afinal descoberta? Agora quando quase todos os do seu entorno encontram-se acusados e processados, alguns agilizando delações premiadas e outros oferecendo-se para tanto, quem senão a esposa falecida restou-lhe ao serviço de escudo? Os vivos, esses não mais parecem dispostos a arcarem sozinhos com a responsabilidade pelos roubos bilionários, sujeitando-se a longos anos na cadeia, enquanto o chefe desfila a sua graça nos palanques e nos salões.  

À primeira vista, a estratégia de Lula, ao par de ser de extremo mau gosto, parece extremada burrice. E é. Mas há um propósito em tudo isso. A pretensão clara é iludir os seus seguidores e admiradores, propensos todos a qualquer desculpa, por mais descabida, que livre o seu herói do mau-caratismo. 

Lendo essas últimas considerações, o irreverente Epaminondas sacou da sua mala de brocardos latinos: asinus asinum fricat, isto é, um burro coça o outro. Devo concordar com o Êpa que nada melhor descritivo do relacionamento de Lula com os seus acólitos há.    

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia