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19 de Novembro de 2018

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Edição nº 922 / 2017

18/05/2017 - 18:57:47

Justiça nomeia leiloeiro para as usinas de João Lyra

Nomeado deverá providenciar nova avaliação dos bens de minas gerais

José Fernando Martins [email protected]
Renato Schloach Moisés vai coordenar leilão das usinas de MG

A Justiça de Alagoas já nomeou o leiloeiro que irá executar a venda das usinas Vale do Paranaíba e Triálcool, ambas situadas em Minas Gerais, antes de propriedade do empresário João Lyra e agora pertencentes à Massa falida da Laginha.  Trata-se de de Renato Schlobach Moysés, leiloeiro oficial registado na Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp). Ele irá substituir o leiloeiro Laerte Teixeira Martins Silva, da Juceal, nome que foi apresentado pela antiga administração judicial, no ano passado, para a realização do leilão de bens inservíveis que acabou não acontecendo. 

Moysés é realizador de leilões judiciais eletrônicos desde 2004 com experiência no arremate de vinhos beneficentes e privados através da Superbid, empresa especializada na avaliação e venda de ativos físicos por meio de leilões oficiais presenciais e via internet simultaneamente. Fundada em 1999, é considerada uma das pioneiras do leilão eletrônico no país. Entre as companhias atendidas pela Superbid estão: Grupo Votorantim, Volkswagen, Vale, Pirelli, Yamaha, Goodyear, e as investigadas pela Lava Jato, Braskem, Queiroz Galvão e OAS.

Conforme especificado nos autos do processo, uma vez ciente da nomeação, o leiloeiro deverá providenciar nova avaliação dos imóveis e dos parques fabris, expedindo-se, em seguida, o necessário edital de leilão,com a devida publicação e intimação da parte demandada e da parte autora.

Também ficou acordado que o leiloeiro receberá 1,5% sobre o montante obtido com a hasta pública, levando em consideração o valor dos bens arrecadados. Segundo avaliação patrimonial feita pela Valor Engenharia, em 2014, a usina Vale do Paranaíba está estimada emR$211 milhões. Já a Triálcool chega na quantia de R$227 milhões.

Caso sejam vendidas pelo valor estipulado, os honorários do leiloeiro podem chegar ao montante de R$ 6.5 milhões. 

SEM PROPOSTAS

A decisão da venda por leilão aconteceu durante audiência no Fórum de Coruripe, no dia 28 de abril, após o não recebimento de propostas de empresas interessadas pela compra das usinas de Minas Gerais. Entretanto, os magistrados responsáveis pelo processo de falência da Laginha Phillipe Alcântara, Leandro Folly e José Eduardo Nobre ainda não decidiram a data para o leilão acontecer. Também participaram da audiência os credores, membros do Ministério Público de Alagoas que atuam na massa falimentar, além de representantes da atual administradora judicial, a Lindoso e Araújo Consultoria Empresarial Ltda. 

Conforme as prestações de contas disponíveis no site www.grupojl.com.br, em fevereiro, último mês atualizado, as despesas com a usina Triálcool chegaram a R$ 46.502,87. Já com a Vale do Paranaíba, o valor foi de R$ 23.966,10. Os valores englobam custos com vigilância, combustíveis, taxas, serviços de conservação, entre outros. Os irmãos Lourdinha e Guilherme Lyra tentaram adiar a venda das usinas, mas falharam. No entanto, tiveram a sorte da reunião terminar sem interessados na transação. 

Enquanto isso, prefeitos de Minas Gerais recorrem até o governador daquele estado para que as usinas de JL sejam reativadas para o reaquecimento da economia local. Fernando Pimentel (PT) já recebeu das mãos do prefeito de Ipiaçu (MG), Leandro Luís de Oliveira, um documento que pede ajuda quanto às usinas Vale do Paranaíba e Triálcool. Com o fechamento dos empreendimentos, municípios da região amargam com a queda da economia e o desemprego. 

Casos de família

João Lyra e os filhos travam uma verdadeira guerra judicial que inclui a tentativa deles em obter a interdição e tutela do pai. O processo que tramita na 24ª Vara de Família de Maceió ainda não teve seu desfecho e ensejou a realização de exames para atestar a sanidade mental do falido usineiro. Um dos laudos chegou a assinalar que ele estaria senil, mas JL tem tido até agora sucesso em retardar qualquer definição por parte da justiça.

Caminhando para os 90 anos – em junho fará 86 – JL acusa os filhos de má-fé e de quererem a todo custo tumultuar o processo de falência. E nisto parece ter razão, já que foi por ação dos filhos que até mesmo um leilão de bens inservíveis das usinas de Minas Gerais, que deveria ter ocorrido no ano passado, terminou sendo anulado por ordem judicial. Lourdinha e Guilherme são, ainda, acusados pelo pai de terem falsificado documento de transferência das ações de outro filho (Antônio José Pereira de Lyra), fato alvo de ação movida por JL contra os herdeiros.

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