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25 de Setembro de 2018

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Edição nº 921 / 2017

16/05/2017 - 07:07:36

Os marajás, os sindicalóides e a previdência

ELIAS FRAGOSO

Pero Vaz de Caminha foi o primeiro a buscar uma “boquinha” no Estado mal pôs os pés em nossa Terra Brasílis. E de lá para cá, haja Estado para bancar a voracidade das nossas elites políticas, empresariais e sociais da esquerda, da direita, do meio, de cima, de baixo... Não importa a denominação: todos querem um naco da grana que a classe média e os pobres são obrigados a recolher ao Estado sob as mais despudoradas explicações.

A pródiga Constituição de 1988 nos legou despesas (especialmente com o funcionalismo) sem indicar de onde sairiam as receitas. Deu um salto “desqualitativo” ao assegurar regalias antigas e criar espaço para o aboletamento de novos marajás na concorrida corrida para se apropriarem do dinheiro público. O meu, o seu dinheiro; e isso se deu, por exemplo tanto no governo tucano como no esquerdista socializante que nos infernizou nos últimos 12 anos que cuidou de ampliar a “boquinha”. E haja bilhões e bilhões para os “cumpanheiros” sindicalistas e demais apaniguados petistas (sem falar das criminosas ladroagens que a Lava Jato vem mostrando).

 O “milagre” da multiplicação do salário é hoje uma realidade para cerca de 150 mil marajás enquistados em algumas carreiras do governo federal (certamente isso se repete nos Estados). Lideram essa “tropa de choque” procuradores, juízes (o Brasil é campeão mundial de gastos com seu sistema de justiça), policiais federais, AGU e analistas do tesouro nacional.  E, claro, não podemos esquecer os super marajás do Congresso (onde motorista, barbeiro, ascensorista, desde que “concursados” ou “estáveis” ganham salários de até 20 mil reais). 

Tudo isso é uma afronta aos demais 204 milhões de brasileiros (no funcionalismo como um todo são em torno de 1 milhão de pessoas) e ainda maior àqueles que ganham salário mínimo (44% dos lares e 66% dos aposentados em nosso país).

O que esta sendo proposto com as mudanças na previdência que tanta celeuma e desinformação tem causado? Porque os marajás do funcionalismo estão em pé de guerra contra as mudanças? Porque os pelegos sindicalistas ameaçam “parar o Brasil” (como se suas falsas lideranças tivessem esse poder; mal conseguem atrair sem-terras e sem-teto para suas manifestações e ainda assim, à base de mortadela e grana).

Pois bem, vamos aos fatos.  O deficit da seguridade social é hoje de 4,1% do PIB (259 bilhões de reais) e se nada for feito e logo, pode alcançar nos próximos anos 18%. Ou seja, de tudo que se arrecadará, quase 20% será destinado ao pagamento das aposentadorias e pensões. Se hoje está ruim, pode ficar, muito, muito pior se a reforma não for aprovada ou aprovada com muitos cortes; 

Em 2016, o setor privado tinha 33 milhões de beneficiários que foram sustentados por 55 milhões de trabalhadores na ativa. Seu déficit: na casa dos 43 bilhões. Já o setor rural gerou um déficit de 105 bilhões de reais, enquanto o setor públco (1 milhão de funcionários e 995 mil aposentados) provocou um déficit pornográfico em torno dos 111 bilhões de reais (pouco mais que o dobro que o país gastou com saúde, educação e assistência social juntas). Isso é insustentável.

O governo pretende dar uma feio de arrumação nessa conta e aí os marajás do setor público estão todos mais que ouriçados, engajados em mistificar e distorcer fatos econômicos irrefutáveis em seu benefício. “A aposentadoria do setor público, que, como demonstrou recentemente a Fundação Getulio Vargas, constitui a casta salarial do Brasil, é a maior responsável pela insolvência do sistema” afirma Reinaldo Azevedo, em Veja.

Os pelegos sindicais por seu lado ameaçados de perder a “boquinha” do imposto sindical (após perder a “bocona” do governo petista) estão ensandecidos. Literalmente. Vão ter trabalhar, suar a camisa para – como todos – ganhar o pão de cada dia (e isso não é com eles, mesmo. Vejam o caso mais ilustre do cara que sem um dedo, nunca mais deu um dia de trabalho prá ninguém).

No front intelectual mais uma trapaça. Embusteiros forçam a barra insistindo que a Previdência é superávitária. Não é. O argumento de que o artigo 195 da Constituição destina à Seguridade Social recursos da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, COFINS (Contribuição para o financiamento da Seguridade Social) e parte das receitas das Loterias é de uma desonestidade intelectual (não quero achar que seja desconhecimento técnico) a toda prova. Esses recursos destinam-se à Previdência, sim e estão sendo repassados normalmente. Mas, também, se destinam à Saúde Pública como um todo, e à Assistencial Social, que também tem recebido normalmente seus quinhões.

Espero ter ajudado a você que não tem obrigação de conhecer “por dentro” os meandros deste tema. Mas saiba: quando você se posiciona contra as reformas está indo contra seus próprios interesses e em benefício dos marajás do sistema público, dos “sindicalistas de resultados” e de intelectuais nutridos de ódio endêmico à verdade.

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