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20 de Setembro de 2018

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Edição nº 921 / 2017

16/05/2017 - 07:07:17

Aos mortos, toda a culpa

CLÁUDIO VIEIRA

Nós, os brasileiros, somos reconhecidos gente de emoção. Diz-se ser o nosso temperamento latino, em contraposição a uma suposta frieza de outros povos, notadamente nórdicos e anglo-saxões. Ao par dessa emotividade, somos um povo extremamente respeitoso aos mortos. Comumente vamos além desse respeito àqueles que já foram apartados da vida, que conosco já não estão, olvidando todos os seus eventuais defeitos enquanto vivos. Defunto não tem defeito, passamos a pensar e a proclamar. Por que isso? Por que essa amnésia, sincera talvez só na exteriorização? Penso ser ela espécie de autoproteção decorrente da presciência do nosso destino final, única certeza absoluta em nossa breve jornada nesta Terra, e que almejamos esteja o mais distante possível. Enfim, homenageamos exageradamente os mortos pensando em nós mesmos. Nesse ponto, recordo-me de dístico encimando portal do Cemitério da Piedade, no bairro do Prado: Mortuismorituri, ou seja, aos mortos, oferecem os que vão morrer.

A resistente operação Lava Jato, dentre os tabus em bom tempo quebrados, tem dado ensejo a que os mortos sejam menos respeitados: vários acusados espertamente vêm atribuindo a pessoas já falecidas os cabeludos delitos ora investigados pela Polícia Federal, pelo Ministério Público e pela Justiça. O mais recente caluniador é nada menos que o senhor José Carlos Bumlai, amigo do peito do ex-presidente Lula.A vítima, pasmemos, ninguém menos que a senhora Marisa Letícia, esposa recém-falecida do político petista. Teria sido ela, quando viva também acusada, que lhe teria pedido ajuda para comprar um terreno para o Instituto Lula e ele, como momentaneamente não dispusesse de recursos, socorrera-se da Odebrecht para atendê-la. Cuidadosa, Marisa Letícia pedira para que o marido não viesse a saber da negociata. Tudo muito conveniente ao mantra da mais néscia das criaturas: não sabia ele de nada. Os brasileiros, exceção feita aos petistas e aos acólitos do ex-presidente, certamente estamos todos a nos perguntarmos como pessoa tão alheia a tudo de ruim que ocorria a sua volta, pôde um dia ser presidente do Brasil. E por duas vezes. Como pode ser crível que alguém tão obtuso se exiba como grande conferencista a cobrar 200 mil dólares por cada palestra proferida? Ou que o presidente da nação mais poderosa do mundo possa considerá-lo “o cara”? Como diria a sua amiga Cristina Kirchner, foi tudo um “bromito”, uma embromação, uma patranha.

Precatemo-nos, a tragédia bufa ainda não terminou!

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