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21 de Setembro de 2018

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Edição nº 921 / 2017

16/05/2017 - 07:06:54

Eu quero a minha mãe

Alari Romariz Torres

Todo ano, na segunda semana de maio, fico triste. As lembranças da minha mãe voltam bem fortes. Recordo-me de uma mulher bonita, que casou com um homem mais velho do que ela, responsável pelo comportamento infantil daquela pobre criatura.

Nada emociona mais os filhos de uma família do que a presença da mulher que os trouxe à vida. É indescritível a sensação de colocar no mundo uma criança! É um momento sagrado, que se aloja no coração, para não mais sair.

Como nem tudo na vida só tem o lado bom, nessa época penso nas mães sofredoras. Vejo na TV as mulheres esperando para entrar na cadeia, em dias de visitas. Segundo declarações dos pobres presos, as únicas que vão vê-los durante todo o período de reclusão são as mães. É doloroso saber que seu filho cometeu um crime e por ele responderá durante anos e anos. 

Outro fato que me angustia nessa triste fase porque o Brasil passa é ver os políticos sendo xingados nos jornais e na TV. Lembro-me das mães desses homens que estão sendo indiciados, condenados e não podem andar livremente pelas ruas. Com certeza, elas não acreditam na culpa dos filhos que inventaram a propina e a verba de campanha.

O sonho das mulheres que me antecederam era ter um filho padre. Minha sogra teve quatro filhos homens e esperou que o mais novo fosse para o seminário. Para elas, mulheres da década de 20, era uma verdadeira bênção poder afirmar: “Meu filho foi chamado para servir ao Nosso Deus”. Nesse caso, o sonho daquela mulher corajosa não se realizou: o filho virou engenheiro e economista, mas é uma pessoa muito boa. 

Dentro da família, normalmente, a responsabilidade maior com os filhos é da mulher. Trabalhei fora e, na hora da doença, corria primeiro para socorrer os filhos. Naquela época, o homem pensava menos na casa, mais no trabalho. A mulher esquecia tudo e corria para o hospital. Já saí,várias vezes, de reuniões para socorrer meus quatro pequenos.

Outra situação engraçada é quando os filhos se tornam pais. O coração fica dividido, mas o lado maternal ou paternal pulsa mais.

Recentemente, minha filha mais velha estava tentando vir passar o Dia das Mães comigo. Um belo dia, me liga toda feliz. “Quer notícia boa? Vou passar o domingo, 14, com meus filhos. Ganhei as passagens. Não é ótimo?” E a velha mãe foi esquecida! Passou para segundo plano! É o sentido natural da vida: o senso maternal é maior que o filial.

Fico bastante irritada quando vejo um jovem tratando mal um idoso. Não precisa ser pai ou mãe! Quando aparece oportunidade, repito: Só fica velho quem não morre pelo caminho. Sendo eu uma velha senhora e uma mãe idosa, exijo sempre dos filhos e netos um tratamento gentil. E retribuo, é claro.

Um assunto tratado insistentemente pela imprensa é a maternidade precoce. Moro numa cidade pequena e encontro pelas ruas “uma menina carregando outra menina”. Dá dó. Em minha família já houve casos semelhantes. Se a jovem não for bem orientada, as vítimas serão seus filhos.

Tenho quatro filhos, onze netos e me aborreço bastante se vejo alguém tratando mal qualquer um deles. Meus meninos e meninas já passaram dos quarenta, mas sinto uma forte dor no coração quando percebo que alguém não gosta deles.

Hoje, vivo de lembranças: minha velha mãe partiu muito cedo, aos 60 anos e deixou um enorme vazio em minha vida. Era uma mulher infantil que casou muito cedo, mas apaixonada pelos oito filhos. Ai de quem magoasse as “pedrinhas” de Dona Salvelina! Virava fera!

Daí, então, chorosa, nesta semana, grito aos quatro ventos: Eu quero a minha mãe!!!

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