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18 de Setembro de 2018

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Edição nº 921 / 2017

16/05/2017 - 07:06:33

Lá se foi nossa última esperança

Jorge Morais

Não está sendo nada fácil para o povo brasileiro suportar tanta notícia ruim divulgada pela mídia em relação às operações seguidas e conduzidas pela Polícia Federal e determinadas pela justiça, especialmente esta última da Lava Jato. Antes, na Operação Mensalão, milhões e milhões de reais foram desviados da endividada Petrobras, com a compra de uma refinaria em Pasadena, nos Estados Unidos, com determinação expressa da ex-presidente do Conselho Consultivo da empresa, Dilma Rousseff, que autorizou o negócio e depois disse que não sabia de nada e nem do prejuízo causado.

Ainda em relação ao Mensalão, este se constituiu em um esquema ilegal de financiamento político organizado pelo Partido dos Trabalhadores (PT) para corromper parlamentares e garantir apoio ao governo Luiz Inácio Lula da Silva no Congresso Nacional. Segundo o Ministério Público, cerca de 141 milhões de reais foram movimentados entre empréstimos bancários e recursos desviados de contratos com o setor público, é quando se enquadra a Petrobras, agências bancárias e alguns outros segmentos políticos e da sociedade.

E quem era o mentor de tudo, o chefe da quadrilha nacional? Ele, exatamente, ele, José Dirceu. Preso e condenado a mais de 30 anos, mesmo assim, se descobre depois que o ex-ministro e ex-presidente do Partido dos Trabalhadores era um dos cabeças também da Operação Lava Jato. Já condenado em uma operação, Dirceu continuava roubando o dinheiro público e, mais uma vez, em esquemas que envolviam algumas empreiteiras em obras da “pobre” Petrobras; construção de estádios de futebol pelo Brasil; metrô; aeroportos; e rodovias para a realização da Copa do Mundo Padrão Fifa.

Na Operação Mensalão, preso e respondendo a dezenas de processos, José Dirceu passou a contar com a companhia de Antônio Palocci, Delúbio Soares, Marcos Valério, Fernanda Karina Somaggio, José Genoino, Sílvio Pereira, João Paulo Cunha, Luiz Gushiken, Anderson Adauto e muitos outros. Em agosto de 2007, mais de dois anos após ser denunciado o esquema, o Supremo Tribunal Federal (STF) acatou a denúncia da Procuradoria Geral da República, feita pelo procurador-geral Rodrigo Janot, e abriu processo contra quarenta envolvidos no escândalo do Mensalão.

Quando se imaginava que já tínhamos visto de tudo, explodiu a Operação Lava Jato e, para surpresa nossa, alguns envolvidos de antes aparecem com toda força nas investigações do jovem, competente e corajoso juiz Sérgio Moro, juntamente com um grupo tão jovem quanto ele próprio, de procuradores e promotores que resolveram passar o país a limpo e mandaram para a cadeia muita gente grande, rica e perigosa, entre essas pessoas, José Dirceu, Antônio Palocci, Bumlai, o amigo do presidente Lula, Nestor Ceveró e mais alguns, como Marcelo Odebrecht, o todo poderoso da maior construtora do país.

Eis que, para surpresa nossa, o Supremo Tribunal Federal, a maior instância da justiça brasileira, resolveu estragar o excelente trabalho realizado pela própria justiça, mandando para casa o segundo homem mais importante da hierarquia petista, José Dirceu, porque o primeiro é o ex-presidente Lula, sem levar em consideração tudo o que já foi feito até agora, com meses e anos de trabalho, noites de sonos interrompidas, recursos investidos nas diversas fases da operação, ameaças e situações diversas. E o pior: em uma decisão pessoal, pequena, revanchista, principalmente do ministro Gilmar Mendes, o que já era de se esperar.    

Foi a decisão de um velhinho contra a posição séria dos garotos do Paraná, que segundo ele, estavam brincando e querendo o enfrentamento com a mais alta Corte do Brasil, o que não é verdade. O que os garotos procuradores e promotores querem, simplesmente, é punir e colocar na cadeia a quadrilha que roubou os nossos recursos e levou ao estado de miséria a saúde, a educação, a segurança e o desemprego de quase 14 milhões de trabalhadores. É com uma decisão como essa do Gilmar Mendes que digo: lá se foi nossa última esperança. Com certeza, nos presídios brasileiros tem muita gente que já cumpriu suas penas, mas continua lá, diferente das benesses dadas ao Zé Dirceu.

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