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24 de Setembro de 2018

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Edição nº 921 / 2017

16/05/2017 - 07:01:38

Chefe de quadrilha foi acusado de deserção na PM de Alagoas

Irmão de militar também ajudou a financiar campanha de candidato

José Fernando Martins [email protected]
Coletiva da Polícia Civil da Paraíba com a apresentação da quadrilha formada por alagoanos

Um dos chefes do grupo criminoso que fraudava concursos públicos no País, o cabo Flávio Luciano Nascimento Borges, 34, chegou a ser inocentado por deserção na Polícia Militar de Alagoas. Flávio foi aprovado no concurso da PM no estado no ano de 2006, sendo que dois anos mais tarde enfrentou processo devido a faltas no trabalho. 

Em sua defesa, o policial alegou à época que se encontrava de licença para tratamento de saúde e sua conduta não se amoldava ao tipo penal propriamente militar da deserção. A decisão que o inocentou, de janeiro de 2014, foi do juiz Carlos Henrique Pita Duarte, então na Justiça Militar, e publicada no Diário Oficial do Estado.

Ele foi apresentado nesta segunda-feira, 8, pela Operação Gabarito, deflagrada na Paraíba e no estado do Rio Grande do Norte. Dezenove pessoas foram presas em flagrante e outras 20 pessoas envolvidas no esquema ainda devem ser indiciadas por participação na quadrilha investigada há três meses e que praticava crimes desde 2005. Segundo estimativas, o grupo criminoso ajudou a colocar cerca de 500 pessoas no funcionalismo ilicitamento. 

Já Vicente Fabricio Nascimento Borges, 32, também um dos chefes da quadrilha e irmão do policial militar, está cadastrado como inspetor de obras pela Secretaria de Infraestrutura da cidade Santa Rita (PB). Ele chegou a doar R$ 2 mil para campanha do candidato a deputado estadual daquele estado vizinho, em 2014, Adones Gomes, que acabou não sendo eleito. 

De acordo com a Polícia Civil da Paraíba, Vicente Fabrício também acumula cargo pela Polícia Militar de Alagoas. “Também temos a informação que outro envolvido no esquema, Jamerson Izidio de Oliveira Silva, seria policial aposentado também pelo estado alagoano. Ainda estamos nas investigações e mais gente de Alagoas pode ser presa por participar da quadrilha”, informou o delegado Lucas Sá à reportagem do EXTRA.

Questionada, a Polícia Militar de Alagoas informou, por meio de nota, que o subcomandante da PMAL, coronel Wilson da Silva, determinou à corregedoria da corporação abertura de procedimento administrativo para apurar a possivel participação de policiais militares na máfia do concurso público.

INVESTIGAÇÃO

A Gabarito foi executada durante as provas do concurso para o Ministério Público Federal (MPF) realizado no Rio Grande do Norte, quando foram presas nove pessoas. “Nesse grupo havia professores, de informática e matemática, que estavam fazendo o concurso para responder as questões; os candidatos fraudadores; e ainda pessoas que atuavam no apoio. Na hora do flagrante foram apreendidos receptores utilizados para que fosse feita a comunicação entre o quartel general, em João Pessoa, e quem estava fazendo as provas”, explicou o delegado.

A quadrilha também teria ajudado candidatos a burlarem a segurança de concursos da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e do Instituto Federal de Alagoas (Ifal), ambos realizados em 2012. “Passaremos o que conseguimos para a Polícia Civil de Alagoas para que faça uma investigação nas instituições no estado”, finalizou. 

A assessoria de imprensa da Ufal informou não ter sido notificada oficialmente sobre a possível fraude.

De acordo com a assessoria do Ifal, em 2012, foram realizados dois concursos públicos para professores efetivos e substitutos. Destacou, ainda, que todos os selecionados passaram por várias etapas, desde provas individuais a avaliação de currículos. 

O ESQUEMA 

A organização criminosa atuava há pelo menos dez anos e conseguiu “aprovar” servidores em instituições municipais, estaduais e federais de todo o País, mas principalmente na Região Nordeste, obtendo mais de R$ 18 milhões. O esquema abrangia desde a confecção de documentos falsificados, se fosse necessário, até a assessoria no momento do certame. 

Além dos já citados foram presos em João Pessoa os alagoanos Kamilla Marcelino Crisóstomo da Silva, esposa do cabo, e o irmão dela José Marcelino da Silva Filho, conhecido como Diogo. A lista continua com os nomes: Thyago José de Andrade, Hugo José da Silva, Marcelo Diego Pimentel dos Santos, Alex Souza Alves, Thiago Augusto Nogueira Leão. 

Na cidade de Natal, no Rio Grande do Norte, foram presos Alisson Douglas da Silva, Chrystiann Machado de Araújo, Elaine Patricia da Silva Medeiros, Darcio de Carvalho Lopes, Leonardo Alexandre Gomes da Silva, Andé Luiz Medeiros Costa, Edson José Claudino Ferreira, Marcelo Zanir do Nascimento e Luiz Antônio Ferreira de Oliveira.

Estão sendo investigados os concursos da Guarda Municipal (João Pessoa, Bayeux, Cabedelo), Prefeituras Municipais (João pessoa, Bayeux, Santa Rita, Cabedelo, Conde, Alhandra e outras cidades do interior da Paraíba), Câmara Municipal de João Pessoa, Corpo de Bombeiros da Paraíba e Polícia Militar da Paraíba, além de diversos outros certames a nível municipal, estadual e federal.

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