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13 de Novembro de 2018

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Edição nº 921 / 2017

16/05/2017 - 06:56:54

Jorge Oliveira

Vale apena ver de novo

Jorge Oliveira

Cascais, Portugal - A última pesquisa divulgada pelo Datafolha mostra inequivocamente o rumo que o Brasil está tomando depois da passagem desastrosa da esquerda pelo poder. O descrédito das instituições, a corrupção generalizada, a violência desenfreada e o pensamento retrógrado de uma parte da nossa intelectualidade estão apontando para uma disputa em 2018 com o extremista de direita Jair Bolsonaro. Os números não deixam dúvidas: se a eleição fosse hoje, Lula (32%) disputaria o segundo turno com o deputado-coronel (15%) com risco de perder as eleições para o militar tamanha a sua rejeição. 

Infelizmente, é essa a leitura que se faz dos números divulgados pela Folha de S. Paulo quando elenca os nomes para o eleitor escolher o seu candidato a presidente. Boa parte do eleitorado conservador– alheio às pressões ideológicas – começa a se manifestar por Bolsonaro.  Apoia o seu discurso do “prendo e arrebento” tão usado por seus amigos de caserna, saudosos do general Figueiredo. Isso, na verdade, reflete o desespero de parte da população que se agarra na primeira boia para não afundar no mar dos aflitos. 

Esses eleitores emitem sinais claros de que precisam de um líder que enfrente a violência urbana e rural, que pacifique os conflitos de terra, que moralize os poderes da República tão avacalhados e “prenda e arrebente” os políticos corruptos, saqueadores dos cofres públicos. Aparentemente, Bolsonaro faz esse discurso que vem agradando a massa, como mostram as últimas pesquisas de opinião. Ele abre um canal direto principalmente com os 14 milhões de desempregados, esse povo carente que já beira a indigência. 

A Lava Jato não deixou pedra sobre pedra. Levou a rodo mais de 200 políticos no escândalo. Todos os presidenciáveis aparecem na caixinha da Odebrecht, o que virou um prato cheio para o aparecimento de um salvador da pátria, um moralista que pregue os bons costumes e fale para a massa descrente. Que conquiste a população jovem desencantada e sem perspectiva. Que transmita a cada um deles as conquistas do regime militar. E esse papel, Bolsonaro e sua tropa fazem com eficiência. Além disso, o deputado atrai a esquerda para o seu campo de batalha destroçando moralmente seu principal líder, o ex-presidente Lula, acusando-o de ter promovido o caos no país.

Bolsonaro é um velho político, mas quer parecer novo, sem vícios. Percorre o Brasil falando a linguagem que o povo quer ouvir: a da moralização, a da insegurança pública e a do combate à corrupção. Radicaliza contra o PT porque pensa em polarizar com a esquerda, raciocínio correto. Sabe que os candidatos de centro como Aécio, Alckmin e Marina foram feridos mortalmente pela Lava Jato e vão demorar a sair da UTI até as eleições do próximo ano.

As pesquisas mostram uma curiosidade: o coronel tem intenção de voto concentrada em jovens instruídos e de maior renda. São eles que assimilam o seu discurso de que só a força pode conter a hemorragia da corrupção. Não à toa, muitos ainda nutrem a ideia de que a ditadura levou o Brasil à prosperidade.

Impopular

Para alimentar mais ainda a esperança da direita, o Temer abocanhou a alta rejeição da Dilma em menos de um ano de governo. É incapaz de convencer os brasileiros das suas propostas de mudança, muitas, aliás, impopulares, mas que devem ser tomadas para tirar o país do atoleiro. Os ingredientes, como vimos, são próprios para uma radicalização política. E o caminho que se avista lá na frente é: votar em um candidato corrupto, que represente a esquerda carcomida, ou na direita representada por Bolsonaro, o pit bull de comportamento extremado que defende torturadores?

O novo

Estamos a pouco mais de um ano das eleições e, no meio desse destroço político, eis que surge um salvador da pátria, o nosso messias. João Doria, o prefeito de São Paulo, aparece como a salvação do país. E, a exemplo de Bolsonaro, quer também polarizar com a esquerda. Portanto, já escolheu o Lula como seu principal adversário. No confronto com o ex-presidente (ou outro candidato da esquerda) e Bolsonaro, ele corre por fora com boas chances de sucesso porque pode unir todas as tendências em sua volta. Mas é preciso cautela. Vamos devagar com o andor que o santo é de barro. Foi exatamente em um momento de crise no governo Sarney que surgiu em Alagoas o caçador de marajás para salvar a pátria. E o resultado todos nós conhecemos.

Os raivosos

É difícil imaginar o Brasil depois da eleição de 2018. Analisado hoje, o país está no mato sem cachorro. Crescem em todos os cantos o sectarismo e a irracionalidade de grupos que defendem a extrema direita e de outros, ignóbeis, que apostam na volta do PT ao poder, depois de todo lamaçal. Há, de certa forma, uma obscuridade política que impede muita gente de raciocinar com imparcialidade e isenção sobre o momento em que vive o país e o seu futuro político. 

Fascismo

Pela primeira vez, desde o advento dos integralistas, movimento nazifascista, criado em 1932, que o eleitor não tinha uma opção tão clara para escolher um candidato a presidente de extrema direita. O capitão-deputado Jair Bolsonaro, que já aparece bem nas pesquisas, é o representante desses nacionalistas exacerbados e reacionários que condenam qualquer tipo de crítica ao seu candidato.

Homofóbico

Defensor da tortura, homofóbico e racista, esse parlamentar, que fala em nome de parte dos militares, surge no cenário político para disputar as eleições presidenciais com posições claras sobre o que pensa do Brasil e dos brasileiros. Por outro lado, os petistas estão em êxtase com as pesquisas que mostram Lula como candidato favorito à presidência. Como já disse aqui, estamos diante de um dilema: escolher o Bolsonaro, com seus padrões truculentos, ou o Lula, o chefe da organização criminosa que saqueou os cofres públicos. 

A sobra

Depois da fogueira da Lava Jato que chamuscou muitos pretendentes ao cargo, sobrou um tucano de penugem nova: João Doria, o político que se orgulha de não ser político e que se apresenta como um novo Jânio Quadros de vassoura em punho a limpar a sujeira de São Paulo. Os demais: Aécio, Marina, Serra e Alckmin, que até pouco tempo, eram pule de dez, foram minados pelos delatores da Odebrecht. Mas não se engane, eles estão apenas na UTI. Se a corrupção fosse parâmetro para interromper carreira política, Lula não estaria liderando as pesquisas.

Na Europa

A eleição na França mostrou que a direita, mesmo levando uma surra nas urnas, ainda está vivíssima na Europa. Marine Le Pen, a nacionalista bufão, levou o candidato de centro para o segundo turno e deixou os de esquerda a reboque. Um deles, Jean-Luc Mélenchon ficou com 19,62% dos votos e parou no primeiro turno. Na Holanda a extrema direita foi derrotada por Mark Rutte que conseguiu se reeleger. Mas os nacionalistas insistem na disputa por espaço. Isso, é claro, sem falar na América do Norte, onde Trump, o mais grotesco dos bufões, ameaça atear fogo ao mundo. 

Perigo

O Brasil caminha para uma rota perigosa depois que os petistas limparam as prateleiras dos órgãos público, no maior escândalo de corrupção da história. Os brasileiros que alçaram o Lula e a Dilma à presidência da República teriam todos os motivos para repudiá-los e a Justiça para botá-los na cadeia. Essa esquerda que se apresentou à população durante os últimos 14 anos foi a mais danosa, cruel e perversa para o povo. Ela saqueou os cofres públicos do dinheiro que hoje falta na educação, na saúde, na segurança e na infraestrutura do país. Transformaram-se do dia para a noite em vampiros do dinheiro dos brasileiros sob o falso pretexto de que só eles ajudariam os mais pobres porque o seu principal líder era um nordestino sobrevivente que conhecia de povo.  

O caminho

E para onde vai o Brasil agora, depois desse desastre da esquerda? Certamente para um confronto entre um candidato de centro e outro da direita, porque, ao contrário do que se imagina, a esquerda, capitaneada por Lula ou um seu representante, não terá folego no segundo turno. E o candidato de direita – que hoje seria o capitão Bolsonaro – também certamente vai patinar se chegar ao segundo turno, a exemplo do que acaba de acontecer na França. O capitão terá contra ele todas as forças políticas juntas. Portanto, o que escrevi lá no início desse artigo refere-se a um cenário político de hoje, baseado nas últimas pesquisas. O diabo é que o candidato de centro que se apresenta hoje, o João Doria, não transmite a mínima seriedade. Está mais para João Bobo.

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