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Edição nº 921 / 2017

11/05/2017 - 21:02:01

Justiça quer desvendar acordo entre Almeida e Chico Tenório

Assessora depõe nesta segunda em processo da Taturana; dúvida é saber porque Cícero ALMEIDA emprestou nome para Chico construtoras com novos encargos

Odilon Rios Especial para o EXTRA

Um depoimento marcado para a próxima quarta-feira (17) movimenta a sede da Justiça Federal em Maceió,  reacende as investigações da Operação Taturana e põe em evidência o deputado estadual Francisco Tenório (PMN) e o deputado federal Cícero Almeida (PMDB), ambos réus em ações que tramitam na Justiça sobre o maior esquema de corrupção já descoberto pela Polícia Federal em Alagoas, com desvios que superam R$ 300 milhões (os valores atualizados ultrapassam meio bilhão de reais).

É que vai depor Graciene Maria de Menezes, responsável pela prestação de contas do gabinete do deputado Francisco Tenório. Ela é testemunha de defesa do parlamentar. O depoimento está marcado para às 9h30 da manhã, na sala de audiência da 3ª Vara.

Este depoimento é uma peça importante no tabuleiro de xadrez em que se transformou um pedaço das investigações da Taturana. Porque permitirá ao Ministério Público Federal entender porque Cícero Almeida retirou R$ 120 mil (em valores atuais, pouco mais de R$ 214 mil) em um empréstimo bancário e simplesmente entregou o dinheiro a Chico Tenório. 

E o próprio Chico havia retirado, dizem as investigações, dois empréstimos no banco Bradesco (R$ 150 mil e R$ 40 mil), “outros tantos no Banco Rural”, conforme anotam os investigadores, além de ter recebido mais dinheiro de Almeida via Banco Rural.

Chico Tenório, sempre de acordo com o apurado pela Polícia Federal e o Ministério Público Federal, apropriou-se indevidamente de R$ 175.491,26, repassados a ele a título de verba indenizatória de gabinete entre os anos de 2005 e 2006.

Uma prestação de contas que deve ter sido testemunhada por Graciene Maria de Menezes, que organizava a prestação de contas do gabinete do deputado estadual. Por isso, ela deve ter algo a falar sobre o assunto.

“[...] com base em elementos probatórios colhidos durante a investigação de ilícitos praticados no âmbito da Assembleia Legislativa de Alagoas, que evidenciam a prática de fraudes para concessão de empréstimos bancários, para obtenção de restituição do imposto de renda e outros delitos, por parte dos parlamentares e servidores daquela Casa Legislativa. [...] o Deputado Federal Francisco Tenório, enquanto exerceu o mandato de Deputado Estadual de Alagoas, tomou parte num esquema criminoso de desvio de recursos públicos da Assembleia Legislativa daquele Estado, que consistia na utilização da chamada ‘verba de gabinete’ para quitação de empréstimos bancários concedidos aos parlamentares pelos Bancos Rural e Bradesco”, anotam as investigações.

Chico pediu ‘cota’ de Almeida 

Em depoimento à Polícia Federal, Cícero Almeida contou que foi procurado por Francisco Tenório. Chico disse a Cícero (segundo recorda o hoje deputado federal): “Existe um valor no Banco Rural que cada deputado estadual tem direito e você ainda não utilizou o seu”.

Cícero Almeida perguntou quanto era; “120 mil”, respondeu Chico.

Almeida disse não ter interesse no dinheiro “pois não pretendia endividar-se”.

Chico, então, pediu a Almeida o dinheiro. Disse que ele, Chico, pagaria as parcelas junto ao banco.

Cícero Almeida recusou emprestar o nome para a transação. Mas, durante um mês, sempre que encontrava Chico Tenório, ele falava da cota de Almeida junto ao Banco Rural. E insistia pelo dinheiro. Disse o porquê: queria montar uma fábrica de laticínios.

Diante da insistência, Almeida, então, conseguiu aval do então presidente da Assembleia, Celso Luiz, daí firmando o contrato com o banco Rural.

“O Deputado FANCISCO TENÓRIO, com a expressa autorização do Deputado CELSO LUIZ, foi quem se responsabilizou pelo pagamento das parcelas do empréstimo de R$ 120.000,00 tomado pelo interrogado junto ao Banco Rural”, diz Almeida, segundo está escrito no relatório final da Operação Taturana.

“Somente concordou em ‘emprestar’ seu nome em razão de não querer negar a um pedido do Presidente da ALE/AL, uma vez que acreditava que a atitude do Deputado CELSO LUIZ e CHICO TENÓRIO e, ainda, a do Banco Rural eram corretas, pois fundamentadas em convênio devidamente avalizado”, explicou Cícero Almeida, e ainda recebeu como garantia que o próprio Celso Luiz pagaria pelo empréstimo se Chico Tenório não honrasse a dívida.

“O empréstimo era legal, até porque resultante de convênio e caso o Deputado CHICO TENÓRIO não honrasse o compromisso de pagar as parcelas do empréstimo ele mesmo (Deputado CELSO LUIZ) se responsabilizaria”;(...)”

Dizem os peritos da PF, após analisar as transações bancárias: “Impende ainda destacar que CÍCERO ALMEIDA recebeu valores originários de contas de CELSO LUIZ que captaram recursos desviados da Assembléia Legislativa de Alagoas, exsurgindo a suspeita de que o investigado também participou da grande ‘lavanderia’ de dinheiro da ORCRIM”.

Além disso, as parcelas dos empréstimos eram quitadas não por Francisco Tenório. Mas, sim, com dinheiro da Assembleia, ou seja, verba do contribuinte.

O dinheiro da Taturana não circulou de graça pela Assembleia. E porque Cícero Almeida cedeu aos pedidos de Chico Tenório? Talvez mais depoimentos a respeito deste episódio ajudem a entender melhor a personalidade de Chico. E de Ciço.

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