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20 de Setembro de 2018

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Edição nº 920 / 2017

08/05/2017 - 16:07:22

Pelas estradas da vida

Alari Romariz Torres

Os anos vão passando e vamos aprendendo lições e lições de vida. Nada que venha da escola ou dos livros, mas fundamentos da própria existência.

Nasci num lar pobre, família de oito filhos, onde tudo era dividido. Meu pai não se acomodou com o salário de um emprego público. Tinha outras atividades e era alfaiate nas horas vagas.

Quando nos acostumamos a dividir comida, roupa e dinheiro, entendemos que nada é só nosso; tudo é de todos.

Acostumei-me a viver na capital de Alagoas, mas passava as férias em Penedo, cidade onde nasceram meus pais. E o cheirinho de mato de cidade pequena sempre me atraiu.

Moravam por lá família ricas, cujos filhos iam estudar em Salvador ou em Maceió. Na minha inocência infantil, eram pessoas privilegiadas, tinham muito dinheiro e viviam muito bem.

Fui crescendo e verificando que todos passam por bons e maus momentos e o dinheiro não resolve todos os problemas. Há casos de doença que são solucionados com médicos ou com a ajuda de Deus.

Conheci um rapaz de família pobre que morava no quarto de empregada na casa de uma irmã, com a mãe e outra irmã. Sempre foi muito vaidoso, tinha vergonha da pobre família e casou-se com uma moça rica. Anos depois eu o encontrei num ginásio, todo torto por causa de um derrame. Fiquei olhando para ele, não o cumprimentei. Ele me chamou e ficamos conversando, relembrando os velhos tempos Sofrido, magro, doente e mais humilde. Pouco tempo depois morreu. Levou a vaidade e deixou o dinheiro.

Quando morávamos no Farol, fomos vizinhos de um rico e famoso advogado. Casado pela segunda vez com uma mulher pobre. Vez em quando ela nos chamava em sua casa para provar um bolo feito pela doméstica que trabalhava para eles. A família era rejeitada pelos parentes porque, naquela época, não havia divórcio e a segunda mulher era considerada amante. Ele, o advogado, puxava conversa comigo e me achava sabida. Morreu o casal e alguns anos depois encontrei a empregada na missa. “Alari”, disse-me ela, “tenho casa própria, vivo bem; minha filha e meu genro são da Caixa Econômica”. Coisas da vida!

Outro dia, tive um susto com uma possível doença de um ente querido. E pensei com meus botões: “Que vou fazer agora? Só Deus me ajudando”. E graças a Deus não deu em nada. Tudo ficou bem.

Moro em Paripueira, num bom condomínio e tenho vizinhos maravilhosos. Certo dia, um morador de uma casa próxima, me perguntou: “Sabe quem eu sou?” Não, respondi. Ele prosseguiu: “Sou filho do padeiro que entregava pão em sua casa, no Farol. Conheço toda sua família”. “Que bom”, disse eu.

Em compensação, quando eu estudava no Grupo Escolar Fernandes Lima, menina pobre, filha de funcionário público, havia umas meninas filhas de uma professora que estudavam no Colégio Sacramento e zombavam das coitadinhas de escola pública. Recentemente encontrei-me com uma delas e perguntei pelas outras: umas doentes, outras coma vida atrapalhada. O pai tinha muito dinheiro, mas não se preocupava com os filhos. Mais uma vez, o dinheiro não trouxe felicidade.

Tive uma colega de classe no Instituto de Educação, moradora da Ponta Grossa. Fazia o maior sacrifício para estudar e sumiu. Certa feita, entrei num salão de beleza e percebi que uma moça olhava para mim como se me conhecesse. Fui para perto dela e engatei uma conversa. Era a fulana que estudou comigo. Quando cheguei em casa, meu irmão Sabino já me esperava bravo: “Estava num salão de beleza conversando com uma prostituta?” Disse: “Era uma ex-colega”. Depois, ela casou, teve filhos e netos

A vaidade, a ostentação, o excesso de dinheiro prejudicam demais. A vontade de vencer, estudar, trabalhar, produzir, impulsiona as criaturas.

No entanto não queremos afirmar que só os pobres na infância serão felizes na velhice.Tudo depende do que aprendemos com nossos pais e para onde caminhamos neste mundo de meu Deus.

Sejam todos felizes!!!

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