Acompanhe nas redes sociais:

17 de Novembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 920 / 2017

08/05/2017 - 16:06:52

Protesto sim, baderna não

Jorge Morais

O que se viu nas ruas das capitais e de algumas grandes cidades do interior não foi um protesto, mas uma baderna generalizada provocada por meia dúzia de pessoas em relação ao número de trabalhadores no país. Em todo lugar, pequenos grupos de 10, 30 ou 50 pessoas fecharam entradas e saídas de cidades, terminais rodoviários, portões das garagens de ônibus, alguns aeroportos, escolas não funcionaram e o comércio central dessas cidades não funcionou.

Como se não bastasse tudo isso, hospitais e postos de saúde foram prejudicados no atendimento por falta de médicos, enfermeiros e atendentes, prejudicando toda uma população e não só os trabalhadores. Lamentável, sob todos os aspectos, a baderna institucional constituída por sindicatos e algumas entidades. Fico triste quando vejo a igreja católica, que liberou seus fiéis e padres, divulgando nota de apoio ao movimento que, de certo modo com um cunho de justiça, mas desvirtuado na sua finalidade, o que já era esperado.

Quando pequenos grupos fecham ruas, tocam fogo em pneus, provocam quebra-quebra, danificam o patrimônio público, destroem fachadas de lojas, queimam veículos de passeios e ônibus, entram em confronto com a polícia, que é obrigada a reagir com balas de borracha e bombas de efeito moral para garantir o direito constitucional de ir e vir das pessoas, isso não pode ser considerado um protesto, mas uma onda da baderna de poucos contra o equilíbrio de quem não sai de casa, mesmo contra as reformas trabalhistas e previdenciárias, como eu.

Vejo isso como um prejuízo muito grande para a nação. Um país parado não arrecada e, com isso, não investe, mesmo que tenha sido por um dia. Além dos prejuízos causados nas áreas de manifestações, a outra parte normal das cidades não funciona porque o trabalhador não chega ao seu destino e ninguém aparece para comprar. Consegui observar nos movimentos, pessoas querendo chegar ao seu destino e sendo impedidas por um grupo inexpressivo de baderneiros.

Por que eles não fazem uma manifestação mais inteligente, com show, discursos, atrativos para crianças em locais previamente e estrategicamente escolhidos? Com certeza, daria uma resposta muito maior, levaria milhões de pessoas a participar, a imagem seria mais bonita e direta, mas eles não querem porque faltaria o que mais gostam de fazer: queimar pneus e promover a baderna. É por isso e outras coisas mais que, como ex-sindicalista lá do passado, não tenho coragem de sair de casa e me juntar a essa gente. Enquanto isso, a nossa luta tem que ser outra, que é continuar cobrando e pedindo aos nossos representantes  nas casas congressuais que votem contra as propostas, não deixem se levar pelas propostas palacianas, mesmo que na Câmara dos Deputados a proposta da reforma trabalhista já tenha sido votada e aprovada. Precisamos continuar pedindo que no Senado da República a situação se inverta e isso não seja aprovado, como garante que não vai passar o senador Renan Calheiros.

Acho que a gente não precisa da guerra urbana para conquistar o respeito e o apoio nessa hora. Diferente do que penso, sindicalistas dizem que é preciso fechar tudo, interromper a circulação em ruas e avenidas, queimar pneus e outros absurdos mais para chamar a atenção. Acho que, agindo assim, o movimento é pequeno, sem força, prejudicial aos interesses de todos, com o governo não se sentindo incomodado, devido ao inexpressivo comparecimento de pessoas. O que houve no país na sexta-feira, 28, não muda nada. Perguntem aos outros 99,9% dos brasileiros se eles aprovaram o movimento como foi feito. 

Finalizo o artigo desta semana fazendo um apelo aos nossos senadores e deputados federais. Mesmo que entenda a situação individual de cada um, os compromissos e comprometimento partidário e pessoal, como dos nossos ministros e até dispenso as desculpas e explicações, mas apelo para que os demais, sem cargos diretos, reflitam, pesem muito bem as reações populares e pensem no futuro dessa nossa gente trabalhadora.  

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia