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16 de Novembro de 2018

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Edição nº 920 / 2017

08/05/2017 - 16:06:17

Pesquisas (sempre) manipuladas

ELIAS FRAGOSO

Institutos de pesquisas de opinião e seus números fantásticos (sic) continuam a fazer das suas para influenciar eleições. Na semana passada um desses institutos famosos colocou o chefe do bando petista como líder na corrida presidencial de 2018. A técnica é stalinista: criar um factoide, ajudar a disseminar uma mentira tantas vezes que  ela venha a se tornar ”verdade” de tão repetida.

Mas antes, vamos nos entender. Como economista fui durante certo tempo professor de pesquisa de mercado (depois enveredei por outras áreas acadêmicas), como empresário lidei sempre com pesquisas bem mais sofisticadas que as eleitorais, voltadas para o mercado de produtos de alta tecnologia onde estive envolvido por décadas. Não me considero um neófito no assunto. Até porque, especificamente no mercado político, participei/coordenei/assessorei tecnicamente campanhas de presidente da república, governador de estado, prefeitos de capitais, prefeitos de cidades interioranas, deputado federal, deputado estadual e até de vereadores. Quando a “maçã” apodreceu, tirei meu time de campo.

Voltando ao assunto, a pesquisa diz textualmente que o líder do bando petista tem 30% de intenções de votos, mesmo depois de tudo que a Lava Jato revelou. Alimenta-se o mito de que nada pega no cara e todas as mazelas que ele cometeu contra o povo brasileiro se reverte em votos para si (contrariamente a todos os outros políticos que poderiam lhe fazer frente, que cairam miseravelmente na referida pesquisa, exceto duas improbabilidades: a nulidade política chamada Marina e o juiz Moro que não será candidato – será que foi por isso que o fizeram crescer?). 

Mas o mais impressionante é que sabemos pela mesma pesquisa que a sua rejeição  (quando o eleitor diz que não vota no candidado de jeito algum) é de 45%. Ou seja, o sujeito é rejeitado por metade do país e ainda assim, cresce na opinião dos demais... Deve ser a primeira pesquisa no mundo onde essa situação esquisita acontece. Ainda mais quando se sabe que a seita não tem hoje mais que entre 10% e 15% dos votos da nação.

Não é de estranhar. Estranho seria se a pesquisa (encomendada?) mostrasse a realidade. Que o povo brasileiro quase acabou de varrer do mapa o PT nas últimas eleições (de lá para cá a chapa só esquentou para o lado deles). Como acreditar nas asnices dessa pesquisa? Até por que, e para não ir muito longe, sabemos que “erros” flagrantes são a regra e não a exceção nesse mercado (só se tornam exceção após as eleições, quando as tradicionais desculpas tipo: “o povo mudou de posição nos últimos dois dias”, “a pesquisa não captou o sentimento (oculto) do eleitor” e por aí vai, mostra nuamente os problemas por trás dos números.

Não é a primeira vez que esse instituto erra. A ombusdsman do próprio jornal que empresta seu nome ao instituto, em artigo publicado sob o título “Eu não vim para explicar” mostra em outro caso ocorrido no governo Dilma, de forma explícita, um erro grosseiro daquele instituto ao tentar captar a opinião do povo em relação à corrupção na Petrobras. Disse ela: “Se 68% responsabilizam de alguma forma a presidente Dilma pelas irregularidades na empresa, como é possível que 42% tenham concedido a seu governo a avaliação de ótimo/bom, mesmo índice de outubro, no auge da campanha eleitoral?” Digo eu: aqueles 68% + 42% são = 110% e os atuais 45% + 30% não rimam. Não é pesquisa.

Para relembrar: no primeiro turno das eleições municipais de 2012, em 23 das 26 capitais de estados onde teve disputa eleitoral para a prefeitura houve algum erro e/ou falha nas pesquisas eleitorais divulgadas durante o período de campanha eleitoral e às vésperas da votação (boca de urna). Não é pouco. Aliás, é muitissimo. Portanto, é preciso muito cuidado com o que vai acontecer daqui para a frente nessa área. São muitos os caminhos “técnicos” para explicar o inexplicável. Querem um exemplo? 

Uma das principais causas de maior dificuldade para identificar a ocorrência de erro ou fraude é quando o instituto realiza mais entrevistas do que foi informado no registro de protocolo da pesquisa perante a Justiça Eleitoral, fazendo-se uma seleção para alcançar o resultado pretendido. As demais pesquisas (excessos das entrevistas) são eliminadas. Essa técnica de descarte é a pior de todas. Fabrica um resultado, sem deixar vestígios.

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