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19 de Novembro de 2018

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Edição nº 919 / 2017

02/05/2017 - 09:16:15

Será que tem inocentes nisso?

Jorge Morais

O Brasil virou de “ponta cabeça” como costuma dizer o povo do interior. Tem gente na capital que nunca ouviu falar nessa expressão, mas essa “zorra” toda em que se encontra é, verdadeiramente, um caso de polícia, sem nenhuma referência ao trabalho realizado, hoje, pela Polícia Federal, prendendo e soltando a mando do juiz Sérgio Moro, especialmente. Nos últimos anos não se fala em outra coisa: primeiro a Operação Mensalão e, depois, a Operação Lava Jato, com o envolvimento, praticamente, das mesmas pessoas, na sua maioria da classe política.

Não sou adepto da ideia de que todo mundo é “farinha do mesmo saco” ou “banana do mesmo cacho”. Acredito, piamente, que tem pouca ou muita gente, não sei como explicar a quantidade real, que não sabia a origem do dinheiro; como os esquemas eram montados; quem ganhava mais ou menos dinheiro nesse negócio sujo; enfim, quem está envolvido da cabeça aos pés nessa roubalheira toda. Só acho que parte da classe política, os empresários e seus dirigentes ou executivos estão ou colocaram em prática uma coisa que se faz há muito tempo.

Nada disso que estamos acompanhando nas delações premiadas dos dirigentes e ex- executivos da Construtora Odebrecht é coisa nova. Não conheço ninguém que ajude financeiramente uma campanha que não esteja pensando em levar vantagem no futuro. Eu era menino, e isso já faz muito tempo, que o comentário sempre foi esse: a construtora ajuda agora, porque, depois, vai receber o favor em obras muito mais do que investiu antes. Sempre foi assim e todo mundo sabia disso, a justiça, as polícias, os políticos, todas as autoridades, e o povo, até aparecer o juiz Sérgio Moro, alguns procuradores e promotores que resolveram fazer justiça.

O problema de hoje é que eles foram com muita sede ao pote. Não tiveram limites nem escrúpulos. Quebraram o País, os estados, e os maiores exemplos disso são Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e outros de menor expressão. Eles destruíram os programas para a saúde, a educação, a segurança, e mexeram no bolso do funcionário público, atrasando salários. Agora, querem modificar os benefícios da Previdência, dificultando ainda mais a vida dos que estão trabalhando e dos mais de 13 milhões de desempregados no País, dizendo que “ou promovem as mudanças ou todo mundo quebra junto”.

Voltando ao tema do artigo, você pode até achar que sou um idiota, porque ainda acredito que tem inocente nessa história. Acredito, porque nem todo mundo era cabeça do esquema. As delações ainda não chegaram a 20% dos dirigentes e executivos da Odebrecht. Ao todo, são 77 delatores, isso sem contar os envolvidos das outras grandes empreiteiras que ainda não entraram pesado nessa fase de denúncias.

Todos dizem que o dinheiro recebido foi declarado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Pode ser verdade, sim. Envolver toda essa quantidade de gente denunciada com o conhecimento de caixa 2, é procurar “chifre em cabeça de cavalo”. Tem gente que pede e não quer nem saber como o dinheiro chegou; de onde ele veio; ou se é por dentro ou por fora. Ele está em uma campanha e quer o dinheiro para pagar compromissos assumidos. Por isso, recebe a “grana”, fica feliz da vida e declara que recebeu.

Mas, é exatamente isso o que a justiça do Sérgio Moro quer saber. Quem fazia do caixa 2 dinheiro de campanha e dinheiro para contas pessoais no exterior. Até que provem o contrário, todos são “inocentes”, uma vez que poucos foram denunciados e julgados. A grande verdade mesmo é que entre os delatores não tem ninguém besta, muito pelo contrário. Enquanto jogam aquilo no ventilador, a justiça precisa mesmo é comparar a vida e o patrimônio de antes e o depois desses senhores, que também estão podres de ricos, fruto da sobra de caixa 2.


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