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24 de Setembro de 2018

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Edição nº 919 / 2017

02/05/2017 - 09:07:13

Jorge Oliveira

“Se gritar pega ladrão...”

Jorge Oliveira

Brasília - O cantor Bezerra da Silva profetizou o Brasil há mais de uma década quando teve a felicidade de compor a música “Se gritar pela ladrão, não fica um meu irmão”. Pois é, pelo que se viu até agora na Lava Jato parece mesmo que não escapa ninguém. Quase 200 políticos, presidentes e ex-presidentes, empresários, lobistas, marqueteiros, executivos e donos de empreiteiras todos estão envolvidos no maior escândalo de que se tem notícia no país. O PT, liderado por Lula e seus pelegos sindicais, transformou o Brasil em um gueto da corrupção, em um depósito de bandidos. Os bilhões roubados dos cofres públicos fazem falta na educação, na saúde e na infraestrutura em um país com a economia destroçada.

As delações dos donos das empreiteiras são de um cinismo atroz. Os empreiteiros falam com riqueza de detalhes como os petistas criaram a organização criminosa e dela se beneficiaram para permanecer mais de uma década no poder. As ordens saiam do Palácio do Planalto, onde a quadrilha se organizou para saquear o país. De lá, Lula e Dilma comandaram os gângsteres que depenaram a Petrobras, até então uma das empresas mais saudáveis financeiramente do país.

E, infelizmente, tudo iria continuar se não fosse a ousadia de uns abnegados procuradores e do juiz Sérgio Moro que não titubeou em usar a caneta para prender os delinquentes, que agora decidem abrir o bico com receio de mofarem na cadeia. Palocci, o todo poderoso ex-ministro da Fazenda, é a bola da vez. Implorou, quase de joelhos, ao juiz Sérgio Moro para que lhe conceda o direito de delatar. Que horror!

Mas, nós, os brasileiros, queremos mais. O Brasil quer saber, por exemplo, por que as contas de todos esses políticos foram aprovadas pelos tribunais eleitorais. Alguma coisa está errada. Das duas uma: ou os tribunais são refratários, incompetentes e lenientes com o crime, ou todos os políticos envolvidos são inocentes e o juiz Sérgio Moro os persegue a troco de nada. Acho que a primeira versão é a mais correta. A exemplo dos tribunais de contas, os TREs dificilmente desaprovam contas de políticos. Muitos dos seus juízes estão sempre a serviço deles. Vivem pendurados em favores. Empregam amigos e parentes nos estados e municípios como cafetões do dinheiro público.

 Varredura

Dizer que teve as contas aprovadas pelo TRE virou uma mania de todos os políticos que são denunciados na Lava Jato. É uma espécie de salvo conduto que os protege diante dos escândalos de corrupção. Por que, então, o TSE não pede uma varredura nas contas desses políticos que se dizem probos? Dificilmente isso ocorrerá, até porque o próprio Tribunal Superior Eleitoral, em outros momentos, também foi leniente com prestação de contas de campanhas nas últimas décadas.

Combate

Político roubar no Brasil é coisa antiga. O novo mesmo no país é um juiz com a marca de Sérgio Moro e procuradores que decidiram ir fundo no combate à corrupção. Sem medo de cooptação e das ameaças, esse grupo, que tenta higienizar o Brasil desses malfeitores, já está sendo rotulado até de extrema direita pela esquerda corrupta e raivosa que o acusa de estar a serviço da CIA. 

Raivosos

Outra novidade dos petistas enraivecidos é contar o tempo em que as redes de TV dedicam ao escândalo do partido. Eles acham que a imprensa deveria ficar calada diante de tanta indecência e que o Lula, coberto da lama da Lava Jato, não deveria ter tanto destaque na mídia. O engraçado é que a censura ao noticiário sobre o ex-presidente é de jornalistas que até pouco tempo estavam nas redações de jornais, antes de se revelarem fervorosos defensores das maracutaias petistas em seus blogs. 

Desmonte

Alguns ministros da Segunda Turma do STF caminham para desmontar a Lava Jato. Esta semana o recado foi dado depois que o tribunal mandou soltar Bumlai, amigo de Lula, e Genu, ex-tesoureiro do PP, ambos condenados pelo juiz Sérgio Moro. Na pauta também estava o habeas corpus que iria dar a liberdade também a Zé Dirceu, mas os ministros decidiram adiar sine-die o julgamento que iria botá-lo na rua com certeza.

A turma

A Segunda Turma é composta por cinco ministros: Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli, Edson Fachin, Gilmar Mendes e Celso de Mello. Desses, dois, Toffolli e Lewandowski são simpatizantes do PT. O primeiro foi empregado do Zé Dirceu e o segundo indicado por dona Marisa, mulher de Lula, para o tribunal. Já Gilmar Mendes declarou que é contra as “prisões prolongadas”. O desenho jurídico da Corte, portanto, é favorável ao Zé Dirceu que cumpre pena de mais de trinta anos no presídio de Curitiba.

Na prisão

Fachin não conseguiu impedir que seus colegas aprovassem o prosseguimento do habeas corpus para julgamento a ser marcado, mas deixou claro que não iria acompanhar o voto dos seus pares porque considera Zé Dirceu um delinquente reincidente nos crimes de corrupção, peculato e lavagem de dinheiro. Mas certamente será vencido lá na frente quando os restantes dos ministros julgarem o habeas corpus.

Tendência

Lamentavelmente, a tendência dos três ministros é a de soltar o ex-ministro. E assim começa a caminhada para libertar tantos outros criminosos da Lava Jato condenados por Sérgio Moro sob a alegação de que quase todos foram condenados em primeira instância. E outros estão sendo mantidos na cadeia por prisão preventiva, o que muitos dos ministros do STF condenam.

Exclusividade

Dentro do STF já há ministro que sugere criar uma força tarefa com o objetivo específico de ajudar os trabalhos de Fachin nos processos da Lava Jato. Acreditam alguns deles que isso daria isenção aos julgamentos de políticos que têm influência sobre alguns dos ministros que estão na Corte, o que não deixa de ser uma verdade. Ou consideram também que a mesma Segunda Turma fique exclusivamente na Lava Jato para dar mais rapidez aos processos que vão levar muito, muito tempo mesmo para chegar à primeira condenação de um político com foro privilegiado.

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Agora, se me permite, curta um pouquinho da música do Bezerra da Silva:

Se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão

Se gritar pega ladrão, não fica um

Se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão

Se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão

Se gritar pega ladrão

não fica um meu irmão


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