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21 de Setembro de 2018

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Edição nº 919 / 2017

27/04/2017 - 21:13:03

Dois terços dos metalúrgicos de Alagoas perdem o emprego

Petrobras reduz os contratos com terceirizados e provoca uma onda de demissões

Maria Salésia [email protected]
José Jobson: trabalhadores são as maiores vítimas da crise

Deflagrada em março de 2014 pela Polícia Federal, a Operação Lava Jato, que investiga um esquema bilionário de desvio e lavagem de dinheiro envolvendo a Petrobras, além de trazer a lume o grau de corrupção, trouxe ainda outros problemas para o setor petrolífero. Nos últimos tempos, as rescisões de contratos da estatal com empresas fornecedoras e prestadoras de serviços têm gerado graves consequências aos trabalhadores terceirizados. Neste período, somente em Alagoas, dois terços dos metalúrgicos do estado foram demitidos e a tendência é aumentar o quadro de desemprego no setor. 

As informações são do presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Alagoas (Sindimetal), José Jobson Ferreira Torres. Segundo ele, quando as falcatruas foram descobertas na Petrobras quem não estava envolvido também pagou a conta, neste caso, os trabalhadores e empresas prestadoras de serviço. Ele cita como exemplo as empresas Jaraguá e recentemente a Argos Engenharia. No caso da primeira, o prejuízo foi grande e ela encontra-se desativada, mas espera voltar a operar. 

Para se ter uma ideia do tamanho da crise no setor, apenas a Jaraguá tenta receber R$ 700 milhões da Petrobras. Torres disse ainda que diante das dificuldades operacionais a empresa dispensou mais de 500 trabalhadores em Alagoas. “Durante este período de crise o setor teve grande baixa no estado”.

De acordo com o sindicalista, algumas vezes os trabalhadores são reaproveitados por outras empresas que sucedem os contratos daquelas que perdem a licitação. Mas são poucos, disse ele. No caso da Argos Engenharia, que atuava nas estações do Pilar e São Miguel dos Campos, as demissões chegaram a cerca de 200 funcionários. 

Segundo um ex-funcionário da Argos, a empresa trabalha com pintura, manutenção, caldeiraria, entre outros serviços, mas perdeu dois contratos dos três que tinha com a Petrobras. Por conta disso, desde fevereiro desde ano já foram demitidos mais de 180 funcionários da Argos. Ele acrescentou ainda que o único contrato que permanece deve acabar entre os meses de junho e julho deste ano e assim o número de desempregados deve aumentar.

INDENIZAÇÃO

Outro problema apontado pelo setor trata-se das verbas rescisórias: os trabalhadores ficam desempregados e sem os direitos trabalhistas respeitados. Jobson Torres critica ainda que algumas empresas que ganham licitação maquiam os serviços rotulando como da construção civil para “dar trambique nos trabalhadores”. 

Ele aponta ainda que a crise financeira, política e moral é responsável também pela demissão de trabalhadores nas pequenas obras. E afirma que com a mudança de governo outras empresas reduziram o número de empregados.

Ferrostaal

O sindicalista revela que a empresa Tomé Ferrostaal mantinha cerca de três mil empregos em Alagoas, quase dois mil de mão de obra local. Trata-se de um consórcio contratado pela Petrobras para fabricar módulos para plataformas do tipo FPSO (Flutuantes de Produção, armazenamento e descarga). Instalado na área do Porto de Maceió em 2012, fabricou dois módulos em Alagoas e a outra obra em que geraria mais de 2400 empregos não veio porque, segundo Torres, o governo cancelou plataformas de navios e outras obras em todo o Brasil. “Reduziu-se muito as vagas de emprego e quem paga por isso é o trabalhador”, criticou Torres.


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