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17 de Novembro de 2018

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Edição nº 917 / 2017

17/04/2017 - 10:18:41

Por uma relativização da moral?

CLÁUDIO VIEIRA

Há muito adquiri o hábito de ler jornais. A nível nacional, escolhi a Folha de S.Paulo para minha leitura diária. Assim, semana passada li com reflexão e perplexidade artigo de Luiz Carlos Bresser-Pereira, ex-ministro da Fazenda, do Governo Sarney; também ex-ministro da Administração e Reforma do Estado, e da Ciência e Tecnologia do Governo FHC. Não bastassem essas referências, o Sr. Bresser é ainda professor emérito da Fundação Getúlio Vargas. Títulos não lhe faltam. Fiquei, todavia, perplexo ao ler as ideias, que reputo mal postas, de pessoa tão distinta. 

Salvo engano meu de interpretação, o condestável senhor, confundindo moral e ética, conclui que a moral é relativa. A essa conclusão chega ele em crítica ao Poder Judiciário e à Polícia Federal que, segundo afirma, “transformaram-se em poder perigoso para os destinos da democracia”. E por quê? A resposta do aludido senhor é plúrima: extraíram delações que revelaram os roubos na Petrobras; estão, segundo ele, destruindo as grandes empresas nacionais de construção (leiam-se empreiteiras), e agora as empresas processadoras de carnes; dão publicidade às descobertas. Ainda conforme o ilustre raciocínio, tudo isso prejudica o Brasil. Pasmemos! E acrescenta professoralmente: “Sim, precisamos de moralidade. Sim, precisamos punir a corrupção. Mas de maneira razoável, pragmática, sem violência. Na vida social, – e mais ainda, na política, – os valores são essenciais”. Mais tucano impossível. Aliás, pareceu que ele faz simbiose entre os pensamentos de FHC e de Renan Calheiros. Afinal, em nome do Brasil, passemos um espanador sobre essa poeira, e reiniciemos a vida! Simples assim. Seguindo adiante na sua peroração, filosofa Bresser-Pereira que “os padrões éticos são uma construção social”. Que quis dizer com isso, indaguei-me?. E aí o Epaminondas veio em meu socorro: Êpa! O cara tá dizendo que o padrão ético brasileiro é a corrupção, a fraude.

Não é que o Êpa esclareceu as minhas dúvidas? Só discordo do desprezo com que tratou personalidade tão notável, a ele referindo-se como “o cara”. O homem é uma referência nacional, amigo Êpa. Favor tratá-lo com respeito. É certo que ele confunde moral e ética, sem distinguir, talvez porque jamais tenha aprendido que a moral é um valor universal; a ética é que é um valor social. Como valor social, a ética pode ser mutável, variar de povo para povo; a moral é, sim, absoluta.Talvez melhor servido estivesse o Sr. Bresser se lesse (ou relesse, talvez) as teses e conceitos kantianos. 

“Êpa, rapaz”, interrompe-me o Epaminondas. “Assim você também quer dizer que não temos ética?” Não é bem isso, respondo-lhe. É certo que a nossa ética estava um pouco ou muito frouxa. Pagar propina para não ser multado no trânsito; buscar sempre um “jeitinho” para driblar a lei etc., são comportamentos até há pouco considerados “quase-normais” entre nós. Graças à Lava Jato as coisas estão mudando. E vamos louvar isso!

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