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Edição nº 917 / 2017

17/04/2017 - 10:15:33

Nova série da Netflix provoca polêmica entre especialistas

psicólogos e psiquiatras, acreditam que o seriado pode incentivar jovens a tirarem a própria vida por vingança

Sofia Sepreny Estagiária sob supervisão da Redação

Um seriado exclusivo da Netflix colocou em voga o tema suicídio entre os jovens. Com o nome de Os Treze Porquês e no ar desde o dia 31 de março, o drama conta a história da adolescente Hannah que tirou a própria vida após sofrer bullying de colegas de escola. A série fez com que as opiniões se dividissem. Muitos gostaram da temática por tocar em um assunto considerado tabu e por mostrar às pessoas o que a recriminação, bullying e preconceito podem fazer com as pessoas. Outros, como psicólogos e psiquiatras, acreditam que o seriado pode incentivar o suicídio.

Sem atenuantes, a série retrata o ensino médio de forma nua e crua e serve como uma reflexão da sociedade. Os personagens são construídos de maneira complexa. Os estereótipos de escola norte-americana estão presentes, mas com nuances e críticas mais próximas da realidade.

Para o psicólogo e vice-presidente do grupo Centro de Amor à Vida (Cavida), Arnaldo Santtos, as situações mostradas no seriado são mais comuns do que a sociedade imagina. Na série, Hannah tem a vida exposta através das redes sociais após ter relações com um rapaz de sua escola. Esse foi um dos diversos motivos para o suicídio da protagonista.

“O suicídio vem aumentando no mundo todo pela crise existencial e financeira que o mundo vem enfrentando. Tudo isso embasa as pessoas a não terem uma perspectiva de vida melhor. Já o bullying é um dos fatos que aumenta a tendência suicida entre adolescentes”, disse ao EXTRA. 

No decorrer da série, a personagem principal deixa 13 fitas para determinadas 13 pessoas que colaboraram para sua decisão final de tirar a vida. Ela deixa as gravações como forma de vingança e justificativa de seu ato comportamental.

ERROS

Arnaldo enfatiza que durante o seriado o espectador fica com vontade de saber o motivo pelo qual a jovem se matou, sendo que isso é um erro grave do escritor da série, pois não existem culpados no suicídio “A pessoa que tirou a vida não pode buscar por vingança. Esse meio de entretenimento pode desencadear alguém que tem fragilidade mental a cometer o suicídio, sugerindo também a vingança como solução”, relata o psicólogo. Ele ainda afirma que buscar incessantemente por um motivo ou culpado é doloroso e improdutivo para todos que conviveram com a pessoa.

O psicólogo também ressalta que a série diz que ajuda nesse tipo de situação é ineficiente, sendo que ajuda é fundamental, assim como a conversa. A abordagem e acolhimento para com a pessoa neste tipo de situação também é indispensável. A depender do caso, psicoterapia é uma das soluções mais pertinentes.

O Centro de Amor à Vida é uma Organização Não Governamental que conta com 14 psicólogos voluntários e ampara pessoas com fragilidade emocional, depressão e tendências suicidas.  O telefone para contato é (82) 98879-2710.

Brasil é 8º no ranking de suicídios 

Suicídio é um problema de saúde pública. O Brasil ocupa atualmente a 8ª posição no ranking de países com maior incidência de suicídios, ultrapassando o número de 12 mil casos por ano. Porém, o assunto é pouco debatido, inclusive no jornalismo. O maior número de casos é no Rio Grande do Sul. Depressão, esquizofrenia, clima frio, predisposição genética, fragilidade emocional e consumo de drogas são vetores mais frequentes.

A psicoterapia é uma grande forma de ajudar a recuperação ou a prevenção de tentativas suicidas criadas por depressão. Base familiar afetiva é muito importante e significativa para saúde mental. 

Jogo pode ter levado à morte de adolescente brasileira

Além da estreia da série, chega ao Brasil um novo jogo supostamente criado na Rússia, chamado Baleia Azul, com 50 tarefas que quem participa deve cumprir, entre elas mutilação, sendo que a tarefa final é se matar. Nas redes sociais há pelo menos 13 grupos fechados no Facebook que são vertentes deste jogo suicida. Na última terça-feira, 11, uma jovem de 16 anos do Cuiabá (MT) participava do jogo online e se jogou em uma represa de profundidade. A Polícia Civil está investigando o caso, que pode ser o primeiro registrado no Brasil relacionado com o macabro jogo que se tornou muito comum na Rússia e em parte da Europa


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