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21 de Setembro de 2018

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Edição nº 917 / 2017

17/04/2017 - 09:52:47

Jorge Oliveira

E aí? Lula na cadeia?

Jorge Oliveira

Barra de S. Miguel, AL - A Dilma quando fala lá fora sobre o Brasil é de um cinismo arrebatador. Com a sua conta bancária estufada pelas aposentadorias de ex-presidente e a do INSS que ela furou fila para receber na frente de milhares de outros brasileiros, dessa vez ela se superou ao dizer na Universidade de Harvard, em Boston, nos Estados Unidos, que se preocupa que “predam o Lula com as mudanças das regras do jogo democrático”. Ela se se esquece que, a exemplo do seu chefe, o dela também está na reta, depois que o Marcelo Odebrecht disse de alto e bom som que o Antônio Palocci, o italiano, era o intermediário dos dois na arrecadação do dinheiro roubado da Petrobras e de outras estatais.

Ela viaja para o exterior para tentar cooptar apoio da comunidade universitária internacional para uma reação caso o Sérgio Moro – que também esteve na mesma conferência – decrete a prisão dos dois. Nessa altura do campeonato, não existe mais o disse-me-disse. Marcelo afirmou com todas as letras que o trio Palocci, Mantega e Lula se abasteceu do dinheiro roubado da Petrobras. E mais: apenas Palocci recebeu 130 milhões de reais para as campanhas de Dilma e de Lula. E que o ex-presidente recebia dinheiro vivo da Odebrecht. Diante de tantas evidências, de tantas provas, não se sabe porque Lula e Dilma ainda estão soltos.

Além das conhecidas bobagens que vocifera lá fora contra o Brasil que governou, Dilma mostra-se despreparada para conferências dessa envergadura. Com a repetição do fora Temer, ela falou aos estudantes brasileiros em Harvard que foi vítima de um golpe e que o Brasil vive numa instabilidade econômica e política. Ela não diz, por exemplo, que foi a responsável por essa tragédia, que o seu governo foi o mais corrupto da história e que a sua incapacidade de governar levou os brasileiros à bancarrota. 

Mesmo se dizendo vítima de perseguição e condenando o jogo democrático que a expurgou do processo político, ela se contradiz quando condena Moro por falar em público sobre a Lava Jato. Diz que a Lava Jato faz o “uso político e ideológico” dos seus atos. E acrescentou que “é inadmissível um juiz falar publicamente, fora do processo, em qualquer lugar do mundo”. Para uma plateia que certamente não acompanha o dia a dia da política brasileira, Dilma passa a ideia de que o sistema democrático brasileiro está comprometido com o advento da Lava Jato ao misturar corrupção com sistema legal de governo. Além disso, acha-se no direito de censurar a palavra do juiz que está tentando moralizar o pais que ela deixou irresponsavelmente no fundo do poço.

A estratégia da Dilma é se fazer de vítima. Dizer ao mundo que o governo Temer é ilegítimo, pois surgiu de um golpe. Em nenhum momento fala que Temer foi seu parceiro como vice em duas eleições e base dos dois governos de Lula na condição de presidente do PMDB. Esquece que foi apeada do poder pelo povo nas ruas que não suportava mais tanta roubalheira, crise na economia e inflação alta. O que se observa na fala da Dilma lá fora é uma gigantesca farsa, uma deslavada mentira e uma distorção política do que acontece no Brasil. 

A discussão no Brasil hoje não é mais a prisão do Lula. É qual o dia que isso acontecerá, pois, as evidências delituosas do ex-presidente saltam aos olhos. Os fatos estão aí. O capo di tutti i capi da organização criminosa, o senhor Marcelo Odebrecht, disse de alto e bom som que os governos de Lula e de Dilma, na verdade, eram um antro de bandidagem com ramificações em quase todas as empresas estatais e internacionais. Ora, se por menos do que isso muita gente já está na cadeia, inclusive os tesoureiros do PT, ex-ministros petistas, por que será então que o juiz Sérgio Moro ainda cozinha em banho maria o processo do Lula? Tem medo de uma reação conduzida pelos pelegos sindicais? 

Se a prisão de Lula e o seu bando não ocorrer, diante de tantas provas, caracteriza-se, isso sim, um processo seletivo, onde a Justiça deixa-se levar por uma suposta reação de movimentos sociais e uma ameaça de paralisação do país. Não é assim que deveriam agir os probos procuradores que tentam passar o Brasil a limpo.

Realidade

Temer, a exemplo do primeiro governo Lula, está com uma bomba na mão. O ex-presidente também calculou mal quando apresentou a reforma da Previdência e perdeu aliados que contestavam os números e a eficiência do plano no Nordeste. Uma das mais contundentes críticas da reforma foi a ex-senadora Heloísa Helena que preferiu se desligar do partido a compactuar com a reforma petista. 

Insensibilidade

A julgar pelo pomposo currículo de Meirelles, ninguém de bom senso diria que se trata de um neófito em finanças. Trata-se de um invejável administrador que qualquer empresa gostaria de tê-lo do lado como conselheiro ou para presidi-la. Evidentemente Meirelles não estaria entre os 14 milhões de desempregados se recusasse o convite de Temer para o Ministério da Fazenda.

Na porrada

Ocorre que Meirelles, acostumado a eficiências de planejamentos  e estratégia de negócios pelo mundo afora, deve estar assustado com o amadorismo e a porra-louquice do governo quando tira da gaveta a reforma da Previdência para empurrar de goela adentro dos brasileiros. Nota-se em suas declarações uma certa irritação para explicar as reformas. As vezes é visível a sua impaciência quando questionado sobre a eficácia das medidas. “Se o Brasil não fizer a reforma da previdência não terá dinheiro para pagar os aposentados”, repete sempre.

Divisão

Meirelles, portanto, ainda não se deu conta de que existem vários brasis neste Brasil varonil. E o que é bom para o Sul maravilha, não é bom para o Norte/Nordeste. A prova disso é a revolta dos políticos dessas regiões contra a reforma da Previdência na pré-eleição de 2018. Acostumado às empresas privadas, onde a coisa funciona de ouvido, tudo é planejado e ninguém tem estabilidade, Meirelles – que morou anos nos Estados Unidos, presidindo grandes grupos financeiros – certamente assusta-se com o improviso do governo.

Vai ou racha

Agora tudo volta novamente. As notícias são desencontradas e, mais uma vez, coloca-se em cheque a capacidade do governo em se comunicar com a população para explicar melhor a sua reforma, feita, desculpem os meus dez leitores, na coxa, no improviso. Portanto, seria importante que o governo tivesse várias peças de propaganda para regiões diferentes do país. Os nordestinos, de uma maneira geral, ainda não entendem bem essa nova aposentadoria que vai chegar por aí. Por isso, antes de qualquer coisa, já é oposição. É o que já dizia o escritor João Ubaldo Ribeiro com muita propriedade: Viva o povo brasileiro!, que continua na oposição.


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