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Edição nº 917 / 2017

13/04/2017 - 15:41:06

Alagoas pode perder a gestão do Porto para o Rio Grande do Norte

Maria Salésia [email protected]

O Porto de Maceió corre sério risco de perder definitivamente sua autonomia para a Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern). O assunto é polêmico e devido a sua complexidade, o ministro dos Transportes, Maurício Quintella Lessa, determinou novo prazo para que um grupo de trabalho realize estudos sobre a possível incorporação da Unidade Maceió à Codern.

Na portaria nº 146, de 7 de abril de 2017, Quintella fala da necessidade da mudança de data, já que a anterior expirou em 5 de abril. “Considerando a complexidade do assunto, que requer levantamento de informações, inclusive em outros estados da federação; resolve prorrogar por mais 90 dias, a partir do dia 05 de abril de 2017, o prazo para apresentação de relatório conclusivo à Secretaria Executiva do Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil, de que trata a Portaria nº 02, de 04 de janeiro de 2017.”

A possível incorporação ao estado potiguar tem preocupado os trabalhadores que temem que a unidade de Maceió venha a perder sua autonomia e assim prejudicar a categoria. Esta semana, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Portuários, Milton Jorge, enviou ofício ao administrador do Porto de Maceió, Tadeu Lira, pedindo explicação sobre o caso. Segundo ele, ainda não obteve resposta, mas continuará cobrando posição do administrador.

O EXTRA tentou contato na quarta, 12, por telefone, com Tadeu Lira, mas a informação foi de que ele estaria em reunião e retornaria a ligação. Até o fechamento desta edição, contudo, ele não se pronunciou. Houve ainda várias tentativas de ouvir o ministro Maurício Quintella, mas seu celular permanecia em caixa postal.

Deputados pedem união para evitar retrocesso

Há quem diga que o processo da possível entrega do Porto de Maceió ao Rio Grande Norte está em andamento há muito tempo, mas pelo menos não chegou ao conhecimento de alguns parlamentares alagoanos. O deputado Bruno Toledo (PSDB) mostrou-se surpreso e disse que Alagoas “tem um potencial turístico a ser explorado, posição geográfica estratégica, além da importância do setor sucroalcooleiro, que são fatores determinantes e que contribuem para o fortalecimento do Porto”. Ele teme pela desvalorização do Porto, caso passe a ser comandado pela Companhia Docas.

O parlamentar mostrou-se indignado, mas confiante de que as autoridades competentes não vão deixar que Alagoas sofra mais esta perda. “Lamento e faço apelo ao ministro alagoano Mauricio Quintella para que não permita este retrocesso”, disse o deputado acrescentando que espera que todos se unam para que isso não aconteça, inclusive que o senador Renan Calheiros também seja “solícito à causa.”

O deputado pastor João Luís (PSC) foi mais longe e disse que a informação que tem é de que há quase 20 anos a administração do Porto de Maceió deixou de pertencer a capital alagoana e passou para a Companhia Docas do Rio Grande do Norte. Ele afirmou que a crise no Porto é preocupante, principalmente para os trabalhadores estivadores e arrumadores que estão em situação difícil.

A indignação do pastor com o problema vem de algum tempo. Inclusive, em 29 de março último o parlamentar abordou a questão durante sessão plenária na Assembleia Legislativa. Na ocasião, ele afirmou que a dívida no Porto ultrapassa os R$ 30 milhões e que a crise financeira que se instalou por lá reflete nos sindicatos dos trabalhadores da estiva e dos arrumadores. Segundo o deputado, devido aos altos custos cobrados nos serviços, o porto tem perdido clientes, que preferem buscar os serviços de portos de outros estados.

Administração fala em crescimento; internauta nega

No final de março, a Administração do Porto de Maceió divulgou nota do balanço do primeiro trimestre de 2017 anunciando um crescimento de 8% em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo o documento, foram movimentadas quase 620 mil toneladas de cargas entre 1º de janeiro e o dia 30 de março por 61 navios que atracaram na capital alagoana, acima das 572 mil toneladas de 2016. 

Outro motivo de comemoração, diz a nota, “é a retomada da economia em um ano em que o Porto de Maceió deve receber cerca de R$ 100 milhões do Ministério dos Transportes, Aviação e Portos, em investimentos na dragagem do calado e na modernização de toda a área portuária, permitindo que Alagoas passe a receber navios com mais de 40 mil toneladas”.

Mas, diferente da euforia do documento, em 7 de abril uma pessoas identificada como Junior escreveu abaixo da postagem em um site local que se deslumbra com o “conto de fadas descrito” e que vai fazer de contas que ninguém sabe que a realidade está muito longe do que diz a matéria. “O porto de Maceió está deteriorado por mais de duas décadas de abandono e falta de investimentos, desde de quando o gerenciamento alagoano mostrou-se incompetente em tomar conta do porto de Maceió, ele se tornou responsabilidade de outro estado brasileiro: Rio Grande do Norte (codern), e não vem recebendo os devidos recursos para investimentos, modernização e ou reparos estruturais necessários para a saúde do empreendimento. Maquinas sucateadas, milhões em dividas públicas e trabalhadores passando fome, são a realidade de anos de abandono e mau gerenciamento em uma das artérias da economia do estado”, desabafou.


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