Acompanhe nas redes sociais:

25 de Setembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 916 / 2017

12/04/2017 - 10:05:57

Confissões de uma velhinha

Alari Romariz Torres

Vivemos num pequeno Estado da Federação que sofre com a ganância desesperada dos políticos. Tenho 76 anos e acompanho o desenrolar dos acontecimentos em Alagoas desde que “me entendo de gente”, como diziam meus avós.

O Poder Judiciário é muito lento porque tem milhares de processos para serem julgados e seus servidores são poucos em relação às ações que dependem de juízes e desembargadores. Ainda existe um ligeiro problema: depende do Legislativo para aprovar suas verbas.

O Executivo é um pobre coitado. Vem lutando há vários anos, chefiado por grupos políticos, dividindo suas secretarias com pessoas que o apoiaram no pleito anterior, independente de competência para o cargo. Já passou por vários governadores nos últimos cinquenta anos e não vejo sinais de melhora. Os dirigentes se sucedem; só se preocupam com as próximas eleições. Também depende do Legislativo para aprovar seus projetos e, o que é pior, para ratificar o orçamento do ano seguinte, elaborado por secretários de sua escolha.

Meu Deus: iluminai meus lábios para eu falar do Poder Legislativo. Um verdadeiro horror! Composto atualmente por 27 homens eleitos pelo povo, os escândalos se sucedem, os desvios de dinheiro público são insistentes, mas nada acontece.

De vez em quando, a Polícia Federal faz uma visita à Casa de Tavares Bastos, leva documentos e computadores; descobre fantasmas, falecidos e “laranjas” na folha de pagamento, mas nada acontece. 

Os servidores ativos e inativos são humilhados, perseguidos, têm seus salários cortados; empresas são contratadas para terceirizar serviços a preços exorbitantes e nada acontece; assessores recebem salários dobrados, outros percebem altos valores graciosos, mas nada acontece.

O retrato do nosso Poder legislativo é negro. Quando comecei a trabalhar na ALE/AL, há muitos anos, tudo funcionava normalmente. Não havia enxertos na folha de pagamento, cotas de deputados, nem falecidos e fantasmas no quadro de pessoal.

O peso da idade me dá o direito de pensar: aonde iremos parar? Quem vai segurar a ganância dos políticos acostumados a usar o dinheiro público como se deles fosse? 

Já vivemos épocas difíceis em Alagoas, com grupos políticos rivais se matando. Mas em matéria de corrupção nada se compara aos dias de hoje.

O Brasil está revirado de “ponta-cabeça”, entretanto os políticos alagoanos não se assustam. Senadores, deputados federais e empresários estão na cadeia, mas em Alagoas nada acontece.

O Rio de Janeiro vive dias terríveis: cinco conselheiros do Tribunal de Contas foram presos, o presidente do Legislativo deve ser afastado, os servidores com salários atrasados, hospitais fechando. E os deputados alagoanos nem se incomodam com os acontecimentos!

Outros estados sofrem coma crise, o Temer está numa “corda bamba”, Lula cheio de processos, Renan virou oposição, mas os deputados alagoanos vivem num outro mundo e continuam praticando ilegalidades.

Temos uma pequena associação dirigida por uma companheira e precisamos, quase todos os dias, comparecer ao “local de trabalho voluntário” para resolver problemas. Vivemos reclamando na Justiça os direitos que nos são negados. Ainda não conseguimos parar de trabalhar!

O nosso sindicato tenta administrar os problemas da categoria, mas as Mesas Diretoras mentem, mentem, mentem...

Vejo o tempo passar, chego já aos 80 e não vou conseguir aproveitar a tão sonhada aposentadoria.  

Quero descansar, curtir minha casa, mas não posso viver em paz. Todo pagamento traz surpresas, cortes, atrasos...

Fica, aqui, o apelo desesperado de uma velhinha de 76 anos!

Só Deus no comando!

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia