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16 de Novembro de 2018

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Edição nº 915 / 2017

03/04/2017 - 15:20:40

Jorge Oliveira

Ciro ameaça Moro

Jorge Oliveira

Brasília - Ciro Gomes disse de alto e bom som em uma entrevista que se for intimado em qualquer processo recebe o juiz S[ergio Moro e a sua turma “a bala”. Isso mesmo, o candidato a presidente da República vai matar quem se atrever a chamá-lo a depor. Quanta irresponsabilidade, quanta ignorância e quanto incentivo à violência que o ex-ministro e ex-governador do Ceará prega, como se fosse um reles criminoso. 

O destemperado Ciro, aliado da dupla Lula/Dilma, perde a cabeça todas as vezes que está diante de um microfone. Foi assim quando foi candidato a presidente em 2002 pela Frente Trabalhista (PPS, PDT e PTB) ao dizer que o papel fundamental da atriz Patrícia Pillar, até então sua mulher, era o de “dormir com ele”. Desculpou-se depois, mas o eleitor não o perdoou. Descolou-se da sua candidatura e o deixou chupando dedo.

Ao falar do enfrentamento que teria com a “turma” do Moro, caso fosse intimado, Ciro incentiva a violência. E mais: induz a um tresloucado militante petista a sacar uma arma e atentar contra a vida dos responsáveis pela Lava Jato. O mundo está cheio desses malucos fanáticos que querem fazer justiça com as próprias mãos para defender seus guias espirituais, seus gurus. E daqueles que propõem, como é o caso do Ciro, a exterminar a Justiça para impedir a moralização do país e a prisão dos corruptos que criaram a maior organização criminosa do país. 

Ao dizer que recebe o juiz a bala, o desbocado Ciro Gomes, que ainda não responde a processos na Lava Jato, manda um recado aos envolvidos em processos de corrupção de que não se entreguem à Polícia Federal, não se submetam às ordens judiciais, reajam a bala a qualquer intimação. Olhe que as declarações de Ciro foram feitas a seco, à mesa da entrevista apenas um copo d’água. Não parecia ter ingerido nenhuma bebida alcoólica que justificasse qualquer desequilíbrio mental. Portanto, aquele político que desafia a Justiça brasileira e quer matar seus representantes, é o Ciro em seu estado normal, in natura.

Ciro Gomes está acostumado a humilhar seus eleitores, bater boca nas ruas e disparar petardos sem se incomodar como eles ferem as pessoas a quem se dirige. Foi assim que ele atacou verbalmente uma senhora em 2014. Numa visita em que acompanhou o ministro da Saúde na condição de secretário de Saúde do seu estado, foi questionado por uma mulher humilde, na porta de um hospital, sobre os gastos da Copa da Mundo em detrimento da saúde, um caos no Ceará. Logo reagiu com duas patadas: “Vá tratar da sua mãe com essas conversa aí”. E virando-se para o ministro Arthur Chioro, com quem visitava o hospital Doutor José Frota, explodiu: “Ela não quer tratamento nenhum. Deixa ela se virar com a Copa do Mundo dela”.

O ex-ministro está andando pelo país. Apresenta-se como candidato alternativo. Mas já disse que abre mão da candidatura se o seu guru Lula permanecer na disputa. É um defensor intransigente do ex-presidente e da Dilma, a quem aconselhou a partir para o ataque contra os seus adversários no Congresso Nacional para impedir o impeachment. É com esse comportamento que ele vai tentar conquistar os votos dos brasileiros em 2018. Vai bater cabeça com o deputado Jair Bolsonaro que se apresenta ao eleitor com esse mesmo perfil. 

A fonte

Com exceção da condução coercitiva – aquela em que o cara é obrigado a acompanhar a polícia para depor – não vejo nada demais na decisão do juiz Sérgio Moro em intimar o blogueiro paulista Eduardo Guimarães para depor sobre vazamento de informações da Lava Jato. O mais grave, no entanto, não é a convocação, mas a facilidade com que o blogueiro entregou a sua fonte nos primeiros minutos do depoimento na Polícia Federal. Isso só mostra que o escriba não tem respeito por seus informantes protegidos constitucionalmente. Deduz-se daí que não basta apenas ocupar as redes sociais para soltar seus torpedos indiscriminadamente, é preciso, antes de tudo, proteger a fonte mesmo quando acuado e acossado por seus inquisidores. E isso, infelizmente, Guimarães não o fez.

As viúvas

O blog do Guimarães é um entre as centenas que existem – ou existiam – numa ampla rede para defender a organização criminosa de Lula/Dilma e seus comparsas. Essas viúvas petistas, hoje desoladas, perderam os níqueis dos contribuintes que ajudavam na sobrevivência de cada um. Uma dessas viúvas, Paulo Henrique Amorim, porta-voz da Igreja Universal, defensor intransigente dos malfeitos petistas, agora vive mendigando doação para manter o seu “Conversa Afiada”. Ao pegar carona no PT quer, inclusive, tardiamente, agregar gotículas ideológicas à sua biografia. Coitado, acha que os petistas são de esquerda.

Os histéricos

Ao contrário do que pensam os militantes histéricos petistas que saíram em defesa de Guimarães nas redes sociais, não o considero um jornalista, mas também não o censuro por escrever no seu espaço o que vem à cabeça. O papel aceita tudo, qualquer coisa. Condeno-o, no entanto, quando ele usa o espaço para ameaçar as autoridades que investigam a Lava Jato e defender os gangsters envolvidos no assalto aos cofres públicos.  No ano passado, esse senhor foi intimado a depor em outra investigação por fazer veladas ameaças ao juiz Sérgio Moro. No twitter,  onde postou as ofensas, ele chama o juiz de psicopata e diz que os “delírios do magistrado vão custar sua vida, seu emprego”. 

Jornalista?

Com a liberdade de expressão na rede social que transforma todo mundo em “jornalista”, muita gente, surpreendentemente, tem se revelado bom escritor, bom contador de história e bom repórter, desmitificando a ideia de que apenas jornalista é que sabe escrever e investigar. O senhor Guimarães, além de blogueiro é filiado ao PCdoB e, por esse partido, foi candidato derrotado a vereador por São Paulo. Tem usado frequentemente seu espaço na internet para intimidar os investigadores e juízes da Lava Jato. 

Sob vara

Foi conduzido sob vara para depor porque a Justiça considera que ele desempenha um papel de obstrução aos trabalhos da Lava Jato quando antecipou no seu blog a condução coercitiva do ex-presidente Lula pra depor na Polícia Federal de São Paulo. Ora, apenas por ter noticiado isso não é motivo para ser intimado. Mas quando ele ameaça as autoridades, rotulando-se de jornalista evidentemente tem que pagar pela irresponsabilidade. Trata-se de um panfletário que empunha a bandeira de seu partido e de outros aliados para defender suas convicções ideológicas. Está longe evidentemente de ser um jornalista imparcial que vive e se sustenta da profissão. 

De acordo

Diante da celeuma que causou a ida do senhor Guimarães à Polícia Federal, a Justiça Federal do Paraná divulgou uma nota para dizer que “não é necessário diploma para ser jornalista, mas também não é suficiente ter um blog para sê-lo. A proteção constitucional ao sigilo de fonte protege apenas quem exerce a profissão de jornalista, com ou sem diploma”. Concordo.

Imbecil

O caso do blogueiro Eduardo Guimarães se encaixa muito bem na frase do escritor italiano Umberto Eco, ao lançar o livro Número Zero, sobre a redação de um jornal: “A internet pode tomar o lugar do mau jornalismo, mas as redes sociais deram voz a uma legião de imbecis”. 

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