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17 de Novembro de 2018

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Edição nº 915 / 2017

30/03/2017 - 20:03:35

Doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti

Morte de médico geriatra por chikungunya confirma riscos da proliferação do aedes

Da Redação
Sérgio da Hora: complicações causadas pela chikungunya

Como em uma tragédia anunciada, a morte do médico geriatra Sérgio da Hora Farias, esta semana, por complicações cardíacas causadas pela chikungunya como apurou o EXTRA, aconteceu pouco mais de três meses depois desse veículo de comunicação alertar a população, através de uma matéria onde foram ouvidos dois especialistas de renome na saúde pública em Alagoas, sobre as doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti. 

Esses casos estão se constituindo em um dos principais problemas de saúde pública no Brasil e, em Alagoas, a situação não é diferente. Ao que tudo indica, as frentes de combate ao mosquito são inócuas diante do seu poder devastador.  

À época, o infectologista Celso Tavares e o reumatologista George Christopouloslançaram um alerta dramático à sociedade e ao poder público: uma epidemia de chikungunya está prestes a acometer algo entre 350 mil a 600 mil alagoanos nos próximos meses ou anos. O sinal vermelho foi aceso e publicado no dia 22 de dezembro de 2016, na versão online do jornal EXTRA.

Segundo o infectologista Celso Tavares, não estamos prontos para lidar com a chikungunya. “Nem mesmo os médicos que atuam, na linha de frente da assistência à população em postos de saúde e emergências hospitalares”, frisou.

Recentemente, um caso veio corroborar de forma trágica a sentença feita pelo médico infectologista. No dia 23 deste mês, se espalhou rapidamente, nas redes sociais, pedidos de doação de sangue para o médico geriatra Sérgio da Hora Farias, 72. O apelo ultrapassou os grupos de médicos e alcançou diversas outras categorias profissionais. A campanha virtual para doação de sangue não determinava o tipo sanguíneo. “...estamos precisando de doadores de qualquer tipo sanguíneo para plaquetas”, dizia parte do pedido atribuído à família. 

Infelizmente, todo o esforço foi em vão. Ele faleceu quatro dias depois, no Hospital do Coração, anexo ao Hospital Arthur Ramos. 

A dor da separação repentina silencia a família. O profissional era casado com a também médica Ilda Souza. Sérgio da Hora Farias era um dos mais renomados geriatras do estado e presidia a Sociedade Brasileira de Medicina Avançada. 

Em nova entrevista ao EXTRA, o médico infectologista Celso Tavares reforçou o pedido para renovar o trabalho de conscientização da população sobre o combate ao mosquito Aedes aegypti.

“Não podemos dar trégua ao mosquito. A luta é diária. O combate deve começar de forma ininterrupta e durar de 1º de janeiro a 31 de dezembro de cada ano e de forma sequencial”, frisou o médico. 

Segundo o infectologista, o chamamento é para todos. “O combate ao vetor transmissor da chikungunya, dengue e zika é de responsabilidade de todos. Da população, do poder público, das empresas e dos profissionais”, afirmou, lembrando que o acúmulo de água das chuvas favorece o mosquito Aedes aegypti, que encontra o ambiente propício para se multiplicar e atingir a população.

Segundo estudos realizados no Brasil, de cada 100 pessoas acometidas pela zika, apenas 10 apresentarão sintomas. De cada 100 pacientes acometidos pela dengue, 30 sentirão o peso da doença. No caso da chikungunya, nada menos que 95 pessoas em cada 100 sentirão os efeitos da doença, ou seja, poucos escaparão dos sintomas, entre eles a inflamação nas articulações.

“O que mais assusta é que entre 25% e 30% apresentarão dores crônicas incapacitantes, alguns convivendo com este sofrimento por até seis anos”, frisou o reumatologista George Christopoulos. Segundo ele, há casos em que é necessário aplicar morfina para o controle da dor e há pacientes que não conseguem nem mesmo sentar-se em cadeira de rodas para serem transportados.

A situação é ainda mais preocupante quando lembramos que apenas 10% dos alagoanos têm planos de saúde. Os outros 90% da população recorre à rede pública de saúde quando precisa de assistência médico-hospitalar. 

Sintomas das doenças

Chikungunya– Em relação à chikungunya, quase sempre há febre alta de início imediato, dores intensas nas articulações, presente em 90% dos casos e que podem durar por meses. Também são registradas manchas vermelhas no corpo, que podem se manifestar nas primeiras 48 horas e, entre 50% a 80% dos doentes, pode ter coceira e vermelhidão nos olhos.

Também transmitida pelo Aedes aegypti, a chikungunya foi identificada há dois anos no Brasil e, em Alagoas, os primeiros casos foram registrados em 2015.

Dengue – Os sintomas da dengue, geralmente, são febre alta e de início imediato, dores moderadas nas articulações e podem surgir manchas vermelhas na pele. Na forma mais grave da doença (hemorrágica), o paciente deve ficar atento aos sinais de alarme que são hemorragias, dores abdominais contínuas, vômitos repetidos e tonturas.

Zika – Na zika, a febre pode estar presente, mas moderada, além do paciente ter dores e manchas vermelhas na pele, que se manifestam nas primeiras 24 horas após os primeiros sintomas. Também é possível registrar coceira entre leve a intensa, podendo ter ainda vermelhidão nos olhos. 


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