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25 de Setembro de 2018

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Edição nº 915 / 2017

30/03/2017 - 19:59:53

Campanha antecipada de Renan e Rui movimenta classe política

Confronto reedita briga histórica dos Calheiros e Palmeira

Odilon Rios Especial para o EXTRA
Rui Palmeira e Renan Filho estão em campo de olho nas eleições para o governo no próximo ano

A reedição de uma eleição histórica envolve dois sobrenomes de peso na política alagoana. Calheiros X Palmeira. 

A história se repete três décadas depois. Em 1988, Guilherme Palmeira, pai de Rui Palmeira, venceu Renan Calheiros, pai de Renan Filho, nas eleições municipais de Maceió. 

Em 2018, os filhos repetirão essa disputa, mas no plano estadual. 

Hoje, Renan Calheiros é um poderoso senador em Brasília, onde controla a bancada do PMDB no Senado; Guilherme é um ex-governador aposentado, mas que mantém seus contatos com a velha guarda da política alagoana, principalmente do antigo PDS/PFL. 

Os filhos estão em outro caminho. Rui Palmeira é ex-deputado federal, prefeito reeleito da capital que quer sentar na cadeira que um dia foi do pai; Renan Filho, ex-deputado federal, é o atual governador de Alagoas, realizando um sonho do pai que tentou esse posto em 1990, mas foi derrotado por Geraldo Bulhões. Os dois herdeiros vão disputar a eleição de 2018, que já está marcada pela polarização.

A campanha, que será no próximo ano, está movimentando os campos organizados e bem demarcados para a disputa; de um lado, o peemedebista Renan Filho e seus aliados; do outro, o tucano Rui Palmeira com as forças políticas de oposição. 

É bom lembrar que estas duas coligações têm 90% do tempo de TV e rádio, ainda o principal palanque eleitoral. 

Faltando 18 meses para a disputa, deputados federais e estaduais, prefeitos e vereadores dos principais partidos já sabem para onde vão caminhar. Ou estão sendo obrigados a definir seus lados na votação.

O centro da disputa será o Palácio República dos Palmares, mas as duas vagas para o Senado terão um papel tão importante quanto a de governador nos resultados finais. 

Grandes nomes se apresentam para essa disputa: o ex-governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) e o atual senador Benedito de Lira (PP) estão no barco de Rui Palmeira; Renan Calheiros e, provavelmente, o ministro do Turismo, Marx Beltrão, serão os nomes do PMDB. 

No meio dessas duas chapas majoritárias quase não existirá espaço para os demais partidos e candidatos, restando nas listas proporcionais – federal e estadual – o lugar de acomodação daqueles que querem um mandato em 2018.

Essa definição de blocos está sendo costurada desde 2016. No final das eleições municipais, o senador Renan Calheiros publicou uma carta com ataques a Rui Palmeira, que foi traduzida como um verdadeiro pontapé inicial de campanha, fechando as portas para qualquer tipo de composição com os tucanos. 

Logo em seguida, nas festas de final do ano, na Barra de São Miguel, os encontros tradicionais nas casas de praia de políticos conhecidos se transformaram em verdadeiros atos de campanha. Rui Palmeira é considerado hoje, pela oposição, um nome forte e competitivo, depois de ter derrotado o ex-governador Ronaldo Lessa (PDT) em 2012, e o deputado federal e ex-prefeito Cícero Almeida (PMDB), nas eleições da capital.

Na campanha municipal, o apoio explícito de Renan Filho a Cícero Almeida, de um lado, e as denúncias da campanha de Rui Palmeira contra o senador Renan Calheiros, de outro, foram compreendidas como uma antecipação da disputa de 2018. 

No final, os resultados negativos das recentes eleições municipais deixaram um gosto amargo nas bases governistas e, no bloco PSDB/DEM, esses mesmos resultados ficaram como um incentivo para a disputa de 2018. 

Vitórias expressivas, como a de Maceió, e surpreendentes, como Arapiraca, deram um fôlego grande à oposição. Derrotado em grande parte dos municípios, o governador está buscando recompor e atrair para seu governo nomes com peso eleitoral que garanta sua reeleição. É isso que explica a migração da deputada Jô Pereira e dos prefeitos do Pilar, Renato Canuto, e de Porto Real, Aldo Popular, para o PMDB, três nomes fortes no interior. 

Na capital, consciente do tamanho desse colégio eleitoral, tentando enfraquecer a gestão de Rui Palmeira, o governador tem financiado obras viárias importantes, construindo dois hospitais e várias escolas em tempo integral. No ano da eleição, lançou o programa “Pequenas Obras, Grandes Mudanças”, que tem incomodado a base de Rui Palmeira pela receptividade que vem obtendo nas grotas de Maceió. 

Por seu lado, Rui Palmeira e seus aliados não dormem no ponto. Tendo o apoio declarado de Téo Vilela, Biu de Lira, do ministro dos Transportes, Maurício Quintella, e do secretário municipal de Saúde, José Thomaz Nonô, o prefeito de Maceió representa a possibilidade, antes impensada, da volta do bloco PSDB, DEM e PP ao governo de Alagoas. 

Parlamentares e assessores da prefeitura descartam a ideia de Rui migrar para o DEM e estão trabalhando a ideia de uma chapa Rui Palmeira e o deputado estadual Rodrigo Cunha (PSDB), que, segundo eles, empolgaria os eleitores de Maceió; uma coligação que contaria com o apoio de prefeitos de municípios importantes, como Arapiraca, São Miguel dos Campos e Palmeira dos Índios, desequilibrando as eleições a favor dos tucanos. 

Renan Filho já anunciou que o vice será mantido, com a recondução do atual secretário da Educação e ex-prefeito de Arapiraca, Luciano Barbosa.    

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