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16 de Novembro de 2018

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Edição nº 914 / 2017

27/03/2017 - 09:19:55

Elite retrógada

ELIAS FRAGOSO

As pessoas costumam fazer ilações do tipo “se alguém dormisse 30 anos e acordasse iria se supreender com as mudanças no mundo”. No caso brasileiro elas teriam que mudar a fábula e falar em 500 anos. É que aqui nada mudaria. Estariam presentes a mesma camarilha de sempre. Uma “corte” composta pela “nomeklatura” do funcionalismo público insaciavelmente voluptuosa em se loclupletar dos sempre parcos recursos públicos tomados da classe média via “impostos” que só ela paga, e assim inviabilizando os investimentos necessários para o país se desenvolver. 

É essa elite que fez o país ser o último escravocrata da América Latina; Que atrelou nosso destino nos primórdios do século XX a um atavismo agrário retrógado enquanto os países hoje importantes se industrializavam; Que na “nova” república retomou alegremente os modos e meios de – aceleradamente para compensar o tempo perdido –  rapinar a Nação, o que sempre impediu qualquer alternativa de saída para melhor desse país.

Nossa elite (os 10% mais ricos) se apropria de 66% da renda nacional ficando os 90% restante do povo com 33% para dividir e sobreviver de qualquer jeito (o 1% mais rico, os ricos de verdade, detém 27% da renda brasileira).

O subsegmento elite política é ainda mais despudorado – há exceções, claro. Mas são raras. Farsante, fica incomodado quando pego com a mão na botija. Rapidamente se organiza para fazer leis – qualquer uma – que lhe blinde e livre sua cara. A repetição desse estado de coisas tem nos levado a uma atmosfera política que vem decaindo de forma  rápida estreitando a cada dia as saídas ainda possíveis. Cada vez mais políticos e povo se posicionam em lados opostos. 

Não há líderes para conduzir esse rito de passagem que forçosamente teremos que passar.  Existem somente náufragos se agarrando a qualquer boia que os livre da perda do mandato e, por consequência, da ameaça da cadeia. E a antecipação da campanha presidencial pelo chefe da quadrilha que assaltou nosso país (tentando criar um fato político que o livre da quase certa prisão) pode ampliar ainda mais esse clima de violência estridentemente surda já instalado entre nós. E amplificar o racha social entre 70% da nação e os demais seguidores da seita que nos desgovernou por mais de uma década.

Mormente quando se sabe que a retomada do nosso modesto padrão médio de crescimento (máximo de 3% ao ano graças a armadilha da baixa produtividade nacional, entre outras variáveis) ainda demora a “pegar”. Até por que, apesar do ufanismo oficial, todos os indicadores econômicos continuam negativos ou neutros. E dois fundamentais para a retomada continuam a piorar: o desemprego e a taxa de ocupação da indústria.

Ou seja, temos um país sem líderes aceites pela população, passamos pela maior crise econômica de todos os tempos graças as decisões “socialistas” de salão do petismo; Ainda não vemos a luz no fim do tunel (somente a partir de 2018, como já afirmei aqui desde o ano passado); O ambiente político a cada dia se deteriora mais, a tensão social está no ar, a insegurança grassa, os estados semi falidos  buscam a saída de sempre: dinheiro do governo – nosso – para cobrir os rombos provocados pelas despesas com mais contratações  no funcionalismo, má gestão e em grande parte, corrupção que ainda precisa ser atacada por outras frentes além da Lava-Jato...

É um cenário pessimista. Infelizmente. Mas realista. E como sempre tenho afirmado: há saida para isso.Afinal, política é terreno de disputa ideológica, de princípios, de visões antagônicas em prol do bem comum. Tudo que essa fauna política que aí está detesta, abomina e na quase totalidade – por semianalfabetos – desconhecem. Criem as novas opções.

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