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26 de Setembro de 2018

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Edição nº 913 / 2017

20/03/2017 - 18:39:14

Ética e moral na política

CLÁUDIO VIEIRA

Não raro qualquer estudo ou discussão sobre política envolve duas naturezas, ambas no campo da filosofia: ética e moral. Não raro, também, o reconhecimento de uma dualidade no conceito de política: a ciência e a prática. Desde já é de esclarecer ao leitor que o espaço não é apropriado a discussões filosóficas. Ademais, o cronista não retém cabedal bastante para isso. O cidadão, entretanto, que existe em todos nós, não se aquieta diante de temas políticos. Afinal, como registrou Aristóteles, somos “animais políticos”.

Pensando assim, o cronista deu-se a estabelecer comparações entre a política ideal (ciência) e a prática (praxis) que conhecemos, e que nos aflige e ao País, graças à tomada do Poder por pessoas que não cultivam a moral e a ética.

O que vemos nos municípios, nos estados e na União quando procuramos estabelecer adequações da atuação política dos nossos representantes (ao menos da grande maioria) à moral e à ética, princípios que deveriam estar presentes na natureza política da representação popular, assim como na administração pública? Os noticiários não nos deixam opção: corrupção, malversação da riqueza pública, confusão entre o público e o privado etc. Alguns dirão que tais comportamentos, usuais entre nossos representantes políticos, são antiéticos ou imorais. Considero haver erro conceitual nesse entendimento sobremaneira benevolente. A prática política contrária à lei é, entendo, amoral e aética, isto porque aquele que pratica a corrupção, que malversa os bens públicos, que confunde o público e o privado comumente considera o seu comportamento normal e deve ser aceito pela sociedade. Quem não recorda o “roubo mas faço” proclamado por políticos de antanho e d•agora? Quem convencerá presidente, governador, prefeito, senador, deputado ou vereador de que o fatiamento indiscriminado do poder, com a consequente distribuição de cargos comissionados em troca de apoio político-eleitoral e sem qualquer nuança de interesse social é malversação da coisa pública, um tipo de corrupção e de confusão entre o público e o privado? 

A desfaçatez do Lula em sentir-se injustiçado pelos inquéritos e processos a que responde, ele que “tanto fez pelo País”, é a mesma que substancia a distinção de FHC entre o “erro” de usar o caixa 2 para fins eleitoreiros, e o “crime” de o mesmo caixa ser utilizado para enriquecimento pessoal; a movimentação dos políticos, no Senado e na Câmara Federal, para anistiar os crimes eleitorais, são declarações e ações produzidas pela “aneticidade” e pela amoralidade.

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