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25 de Setembro de 2018

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Edição nº 913 / 2017

20/03/2017 - 18:38:18

As esquinas da vida

Alari Romariz Torres

Encontrei-me recentemente com uma amiga da época do Instituto de Educação, preocupada com a luta que assumi contra os desmandos das várias Mesas Diretoras da ALE/AL durante décadas. E ela me dizia: “Alari, será que vale a pena você se expor tanto? E os companheiros reconhecem?”

Parei um pouco e fiquei pensando: hoje, até para receber os salários é uma incessante busca dos inativos até o dia em que o dinheiro cai na conta. Para terem seus direitos respeitados, os velhinhos vivem entrando com ações na Justiça. Se pararmos, ficarmos calados, o que acontecerá conosco?

E fui me recordando de “causos” ocorridos nesse mundo de meu Deus. De repente, o Brasil se modificou: alguns juízes entraram na luta contra a corrupção; figuras famosas, que nunca pensaram em cadeia, são presas, raspam a cabeça e suas vidas viram pelo avesso.

Quem diria que Lula, Fernando Henrique e o próprio Temer seriam citados em delações e correm o risco de serem presos?

Nos últimos vinte anos, o Brasil virou o País das Maravilhas: políticos enriqueciam rapidamente, eleições eram festas mágicas financiadas com dinheiro público, os aviões da Força Aérea Brasileira carregavam amantes de autoridades, escondidas; senadores vinham a Recife fazer implante de cabelo.

Lembro-me então que, grávida de oito meses do meu terceiro filho, precisei vir a Alagoas. Um amigo conseguiu que eu, Rubião, e os dois filhos mais velhos viéssemos num avião da FAB, de Brasília a Recife, sentados em bancos laterais de lona. Resultado: dois dias depois nasceu o meu João. Que diferença: não havia bebida, comida e nada era escondido.

Um político alagoano, influente na República, se dá ao luxo de ter um apartamento na Ponta Verde, à beira mar, uma casa na Barra de São Miguel, também em frente ao mar, viaja pelo mundo todo e ainda recebe ajudas de custo.

Enquanto isso, os servidores públicos do Estado do Rio de Janeiro não receberam, em parcelas, dezembro e o décimo terceiro salário.  

Outro fato interessante: o Brasil tem mais de 12 milhões de desempregados. Os políticos que moram em Brasília, possuem assessores em seus estados de origem, parentes ou não, recebendo altos salários. Os deputados alagoanos possuem 900 assessores com salários dobrados.

Apesar de a Operação Lava Jato ter mostrado um grande número de políticos, empresários, doleiros e laranjas envolvidos com propinas, ainda falta muito e o meu medo de ficar calada é que não chegue a Alagoas a ação da Justiça Federal. Precisamos muito de punição para pessoas do mal que usam o dinheiro público em benefício próprio.

Temos convivido com inativos do Legislativo alagoano e vivenciamos dramas enormes. Há companheiros cardíacos, com câncer, com pernas e braços amputados, esperando meses que um parlamentar, moço, filhinho de papai, assine um processo de aposentadoria ou de isenção de imposto de renda. Deus poderia inspirar esse “dono do dinheiro público” a ir ao hospital visitar o companheiro nosso que se encontra desde agosto, mutilado, hospitalizado. Ele veria, então, o sofrimento humano.

É por tantos contrastes existentes no nosso estado, no nosso país, que vivemos turbulências com policiais em greve, saques, assassinatos em massa.

Será que sentados na varanda de seus apartamentos na Ponta Verde, nas suas casas de praia, nas suas fazendas, os políticos vão pensar no perigo que corremos com tanta injustiça? Ou não imaginam o mal que causam aos brasileiros?

Ou será que, dentro de sua própria família, há problemas sem solução, para os quais precisarão de ajuda do próximo?

E aí, eu respondo à minha amiga de adolescência: Não nasci para ficar calada vendo os absurdos acontecendo.

São as esquinas da vida, amigos leitores.

Só Deus na causa!!!

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