Acompanhe nas redes sociais:

19 de Novembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 913 / 2017

16/03/2017 - 17:51:18

Crime prescreve dia 3 de abril; família acredita em justiça

Se o TJ não acatar a denúncia do MP contra o deputado João Beltrão no próximo dia 21, crime ficará na impunidade

Maria Salésia [email protected]
Poucos dias separam o deputado João Beltrão da impunidade ou da Justiça

Há 20 anos a família do bancário Dimas Holanda, assassinado em 1997, luta para que mandante e pistoleiros  acusados pelo homicídio sejam punidos. O crime está prestes a prescrever e o irmão da vítima, Davi Holanda, lamenta pela lentidão do processo e diz que a única coisa que pede é justiça. Se depender do Ministério Público, o procurador de Justiça Sérgio Jucá garante que os parentes do bancário podem acreditar no MP.

Com o adiamento da sessão do Pleno que vai acatar, ou não, a denúncia contra o deputado João Beltrão - do dia 14 de março para a próxima terça- feira, 21, Davi espera que dessa vez a Justiça se manifeste, pois essa morosidade só aumenta o sofrimento da família. “Não fomos nós que provamos que ele (Beltrão) mandou matar nosso irmão por motivo fútil. A polícia fez seu trabalho e agora esperamos que a Justiça também cumpra seu papel”, destacou. 

Quanto a possível prescrição do crime e ser mais um a ficar impune em Alagoas, Davi Holanda reafirmou sua confiança na Justiça. “Estamos nesta luta desde o dia em que assassinaram meu irmão brutalmente. Não foi só o sangue do Dimas que derramaram e sim toda uma família foi destruída. As pessoas nas ruas dizem que não vai dar em nada, mas acreditamos na Justiça. Que eles (os magistrados) coloquem a cabeça no travesseiro e vejam que não somos bandidos, nem estamos querendo vingança, mas apenas clamamos por justiça”, desabafou Davi Holanda.

O irmão da vítima agradece o apoio da imprensa na cobertura do caso e pede que a sociedade continue clamando pelo fim da impunidade do crime de Dimas Holanda. Davi relembra que a mãe, que morreu em 2015 com 79 anos, sofreu muito com a perda do filho e com a impunidade do rime. Já o pai, que tem 83, “está morrendo aos poucos”. Na luta, são ainda seis irmãos que usam a fé para se manterem confiantes. “Ele (João Beltrão) executou meu irmão e devorou minha família”, lamentou.

ADIAMENTO

Logo após o adiamento da audiência por falta de quórum, o procurador-geral de Justiça, Alfredo Gaspar de Mendonça Neto solicitou ao presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Otávio Praxedes, que convocasse juízes de 1º grau e  suspendesse as férias de magistrados para substituírem os desembargadores que se declararam suspeitos ou impedidos no caso.

No documento enviado ao TJ, o procurador-geral diz que o MP de Alagoas reafirma a sua confiança nesse Poder em não permitir a impunidade de fato tão grave. Ainda durante a sessão do Pleno, o relator do processo, desembargador João Luiz Azevedo Lessa, já havia sugerido à presidência a convocação de juízes de primeiro grau para garantir o andamento da matéria.

Vale ressaltar que a denúncia do Ministério Público de Alagoas, oferecida em dezembro de 2016, aponta João Beltrão como mandante do crime. O motivo seria ciúmes de uma namorada do acusado, Clécia Madalena de Oliveira. Outra denúncia havia sido apreciada pelo tribunal entre os anos de 2011 e 2012, mas foi rejeitada pelo Pleno.

João Beltrão já foi denunciado por outros três homicídios 

Em agosto de 2007 o EXTRA publicou uma reportagem em que o ex-coronel PM Manoel Cavalcante confessou em depoimento que foi o deputado João Beltrão quem mandou matar o bancário Dimas Holanda. Com riqueza de detalhes, ele afirmou que o deputado vivia maritalmente com Clécia e  que dentre os homens que a mulher fazia programas, um deles era o Dimas Holanda. Inclusive, que a amante tinha afirmado que o bancário “vivia dando em cima dela” e por isso Beltrão mandou executá-lo.

No dia do crime, contou o ex-militar, um dos assassinos ficou circulando a casa de Dimas Holanda e, quando ele se aproximou de sua residência desconfiou, parou o carro, desceu e saiu correndo. Foi quando ele recebeu os tiros dos pistoleiros. 

Segundo a denúncia ao MP, João Beltrão é o “cabeça” da trama. Os outros acusados são Eufrásio Tenório Dantas, Daniel Luiz da Silva Sobrinho, Paulo Nei, Valdomiro dos Santos Barros e outro conhecido como Paulo.

João Beltrão responde em Alagoas pelos crimes de Dimas Holanda, Cabo Gonçalves e ourtra ação penal que tem como vítima Pedro Daniel, Pedrinho Arapiraca.

CABO GONÇALVES

O deputado João Beltrão é acusado de tramar a morte de seu ex-aliado, o cabo José Gonçalves, em  maio de 1996. Após sofrer um atentado, Gonçalves deixou de pertencer a “turma de Beltrão” e passou a trabalhar para o deputado federal Francisco Tenório. Em seu depoimento, ex-coronel Cavalcante afirmou que Beltrão acreditava que o cabo vinha para Alagoas para executá-lo. Mesmo com vasta experiência no crime,  Gonçalves caiu na armadilha e quando parou para abastecer seu veículo no Auto Posto Veloz, na Via Expressa, em Maceió, foi executado.

Um fato que chama a atenção nesse processo é que há sete anos o ex-coronel Manoel Cavalcante prestou depoimento e acusou Beltrão. Em outro depoimento, tempo depois, disse não se lembrar disso. Gonçalves foi morto, diz o processo, porque se negou a matar um desafeto do parlamentar.

Neste processo o deputado João Beltrão é réu e o caso não prescreveu porque houve denúncia do Ministério Público. Inclusive, no próximo dia 31 de março vai haver audiência no Tribunal de Justiça. 

CRIME DO 

TOCANTINS

O parlamentar também é réu no caso conhecido como chacina do Tocantins. Ele responde como autor intelectual da morte do fazendeiro Pedro Daniel de Oliveira Lins, o Pedrinho Arapiraca, morto com 15 tiros de pistola e escopeta em frente a um posto telefônico, na cidade de Taguatinga, em Tocantins, no dia 9 de julho de 2001.

O inquérito aponta que um bébito de R$ 54.208.00 que o deputado tinha com a vítima, seria o motivo do assassinato do fazendeiro. Pedrinho Arapiraca teria vendido 337 cabeças de gado por R$ 82.500,00, porém, Beltrão teria pago apenas R$28.292,00. A vítima teria cobrado as dívidas na Justiça.

O processo 0002811-82.2012.8.02.0000 está no TJ Alagoas desde agosto de 2012 e tem como relator o desembargador José Carlos Malta Marques. Mas, inicialmente o caso tramitava na 1ª Vara de Taguatinga/TO e foi transferido por que o  Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que, como se trata de um crime doloso contra a vida, a competência para o julgamento é do Tribunal do Júri da Constituição Estadual - neste caso, a de Alagoas. A reportagem do jornal EXTRA manteve contato com a assessoria de comunicação do TJ para saber sobre o andamento do caso. A informação foi de que o responsável estava viajando e só teria posicionamento na próxima semana. 

CRIME DO 

MARANHÂO

Outro homicídio atribuído ao deputado João Beltrão é do agricultor Paulo José Gonzaga dos Santos, em maio de 2000, na cidade de Santa Luzia do Paruá, no Maranhão. João Beltrão teria comprado uma fazenda hipotecada pelo Banco do Nordeste que pertencia a Paulo José. O parlamentar pagou apenas R$ 35 mil e assumido compromisso verbal de pagar o restante das parcelas. Não honrou o compromisso, foi ameaçado de que seria denunciado ao banco e por isso mandou executar o agricultor.    

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia