Acompanhe nas redes sociais:

23 de Setembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 912 / 2017

09/03/2017 - 19:40:02

Renan Calheiros dá a largada

Marx Beltrão quer a outra vaga, hoje de Biu; Othoniel Pinheiro sairá pelo PSOL

Odilon Rios Especial para o EXTRA
Senador Renan Calheiros prevê dificuldades para reeleger o filho ao governo e inicia articulações

Um ano e sete meses antes das eleições, a disputa ao Governo e ao Senado em Alagoas movimenta todos os partidos. Renan Calheiros (PMDB), por exemplo, talvez prevendo que terá dificuldades nas urnas com o prefeito Rui Palmeira (PSDB), inciou o ataque, com revide do “trator” de Rui, Welinson Miranda, chamando o PMDB para a briga. “Não aceita que foi derrotado nas eleições e em cidades como Maceió, Arapiraca, Palmeira dos Índios”, disse Miranda, esta semana, ao programa Cidadania, apresentado pelo radialista França Moura, na Rádio Correio.

Renan não ficou para trás. Acusou Rui de visitar obras em bairros de Maceió cujos recursos foram conseguidos por ele - Renan. E falou da crise nos cemitérios de Maceió, pendenga envolvendo o Governo e a Prefeitura da capital que começou no acúmulo de 43 corpos pelo chão do Instituto Médico Legal (IML), passou pela pressão do Ministério Público Estadual para enterro dos cadáveres e terminou em covas do cemitério Divina Pastora, onde indigentes são enterrados há anos em condições indignas.

E Rui Palmeira? Permaneceu calado, visitou uma Usina de Asfalto (pauta antiga, apenas para movimentar o próprio nome nas redes sociais e nas rádios) e aproveitou para mostrar Ib Brêda, secretário de Infraestrutura, aposta do prefeito para a engorda eleitoral de 2020, talvez para a mesma Prefeitura da capital, hoje chefiada pelo tucano.

Ib é filiado ao PR, partido comandado pelo ministro dos Transportes, Maurício Quintella.

Rui deve ser candidato a governador, disputando voto a voto com Renan Filho (PMDB). Daí vem a preocupação do senador Renan apesar do formato da briga não ser consenso no Palácio República dos Palmares.

Terceira via

No meio do vale-tudo eleitoral, o PSOL mostra a cara e quer capitalizar para si a briga entre Renan e Rui. O partido anunciou que vai lançar o professor de História, Gustavo Pessoa, ao Governo; o professor de Direito, Othoniel Pinheiro, ao Senado; e o também professor de Direito da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Basile Christopoulos, a deputado federal.

“Os dois grupos estão em amplo desgaste com o eleitorado”, diz Gustavo Pessoa. “A Operação Lava Jato vai mostrando para quê se brigava tanto por obras federais para Alagoas. O dinheiro não ia para os alagoanos. Os recursos federais para cá mais que duplicaram nos últimos 20 anos, e ainda ocupamos os últimos lugares no ranking social do Brasil. O quê explica isso? O alagoano não merece ser tão humilhado”, analisa Pessoa.

O ministro do Turismo, Marx Beltrão, quer convencer a todos que está descolado de todos os caciques políticos alagoanos, mas segue em fidelidade a Renan Calheiros. Permanece no PMDB, mas isso não é garantia de muita coisa, porque em abril do próximo ano abre-se a janela da infidelidade e estará aberta a temporada de pular a cerca em busca de novas legendas.

Beltrão insiste ser candidato ao Senado. E as duas vagas abertas no próximo ano (a de Renan Calheiros e Benedito de Lira, do PP), estão disputadíssimas.

Até o final desta semana, Renan Calheiros e Marx Beltrão confirmaram seus nomes ao Senado. Pelo PSOL, o escritor e professor de Direito Constitucional, Othoniel Pinheiro, quer conquistar o “eleitor de opinião”, aquele que não pensa com o bolso na hora de procurar a urna eletrônica.

“No panorama local, além de entender que o pequeno e médio empresário é figura essencial para o nosso desenvolvimento, precisamos apresentar caminhos concretos e viáveis para soluções das diversas facetas da exclusão social que assola o nosso Estado”, disse, em texto publicado no dia 10 de março, nas redes sociais.

Pinheiro virou nome nacional nas discussões sobre o Escola Livre. Em palestras pelo país, é contrário ao projeto do deputado estadual Ricardo Nezinho (PMDB), que virou lei, mas o próprio aliado dele, o governador Renan Filho (PMDB), contrário à proposta, move ação nos tribunais superiores para derrubar a iniciativa do parlamentar alagoano.

Prudência, diálogo, inclusão e justiça social 

Prudência, diálogo, inclusão e justiça social são os lemas do adversário psolista de Renan e Marx Beltrão. 

Há ainda Biu de Lira, que à beira dos 80 anos, mantem-se em forma, diz que vai brigar pela vaga que hoje é dele ao Senado, porém, em nome do apoio ao ex-governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) - provável candidato ao posto em Brasília - deve “descer” a deputado federal ou ainda estadual. Porque o filho, Arthur Lira (PP), está inelegível pela condenação, ano passado, em segunda instância, na primeira de uma leva de ações resultado da Operação Taturana, que estourou há 10 anos.

A bolsa de apostas ao Senado inclui ainda o deputado estadual Rodrigo Cunha (PSDB). Em verdade, ele vai se consolidando a uma candidatura para deputado federal.

Num cenário de incertezas, pelo menos existe uma ideia bem definida: Renan Calheiros e Benedito de Lira, além de Renan Filho, terão concorrentes com bastante disposição para 2018. Resta saber a estratégia de cada um deles.


Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia