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16 de Novembro de 2018

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Edição nº 911 / 2017

06/03/2017 - 18:26:27

Suruba, senador?

ELIAS FRAGOSO

Sua excrescência, o candidato a líder de qualquer governo, senador Jucá teria cometido um ato falho ou seria mesmo um sincericídio ao se posicionar contra a ideia inconstitucional de restringir o foro privilegiado, ora em gestação no STF (a Suprema Tolerância Federal, segundo o jornalista José Neumâne)?  Disse ele ao Estadão querer “todo mundo na suruba, não uma suruba selecionada”. E aí a turma caiu de pau em cima. Só que não entenderam a metáfora de sua excrescência. O que ele quis na verdade dizer foi que o “excessivo bom; excelente” (segundo o dicionário online de português) deveria continuar a ser locupletado pelos mesmos e não apenas por alguns ainda mais “privilegiados”. Termo aqui usado adjetivamente para qualificar a escandalosa e corrupta convivência dos poderosos deste país. Um tipo de gente - a maioria - que parece ter o crime como “modussobrevivendi” (sic).

Vejamos as últimas: o presidente nomeia ministro o “angorá” denunciado pela Odebretch para livrá-lo do Moro; o Supremo proíbe o juiz Moro de abrir inquérito contra ninguém menos que José Sarney delatado com provas na Lava Jato (dando à raposa felpuda maranhaense o direito a foro privilegiado, sem que este faça jus a essa excrescência!); os salários estratosféricos continuam estratosféricos; o ministro da Fazenda afirmou que o país está saindo da crise; o presidente da Comissão de Constituição e Justiça é um implicado na Lava Jato; dez senadores idem. Foram eles que aprovaram em sabatina o novo futuro ministro do Supremo que os irá julgar. Ufa! Acham eles que estamos em 1900? Imaginam esses boçais que com isso irão livrar a cara? Eles podem até tentar, mas as próximas eleições dirão quem irá vencer essa luta: eles ou o povo.

Nossa elite – com as raríssimas exceções de sempre – tem caráter macunaímico, é despudoramente sem princípios e desde sempre utilizou-se do Estado como se fosse uma propriedade sua. Deixando os “restos” para o resto da Nação. Nós. E ficam incomodadíssimos quando são alcançados por alguma tímida ação do “povo”. Reagem (lembram do recente episódio desse garoto que colocaram lá como presidente da Câmara dos Deputados quando afirmou alto e bom som que eles, políticos, não estavam lá para defender o povo e sim, suas causas?) e se agasalham na proteção da podre estrutura jurídico-político-institucional que blinda a elite contra o “resto”.

A elite dirigente deste país é podre. A direita é (com licença do Reinaldo Azevedo) chucra, a esquerda, retrógada, incompetente é tão ou mais ladravaz (o nazilulopetismo é a maior prova disso) que a direita. Eles, os poderosos, são todos “farinha do mesmo saco”. Fingem umas “briguinhas”, divergências. Mas sabem que em caso extremo (e a Lava Jato para eles é isso) podem contar com o apoio solidário dos “seus”. 

No momento estão todos desesperados. Farsantes, articulam sob as mais estaparfúdias explicações saídas para se livrarem da Lava Jato. Mas quando tentam por em prática criando “leis” para protegê-los, a pressão popular os obriga a retroagir. Estão como baratas tontas.

Enquanto isso o país está à deriva. Ninguém investe com receio, sem visualizar saídas; o desemprego aumenta (mesmo com o ministro da Fazenda dizendo que recomeçamos a crescer); o governo não sinaliza rumos para o futuro. Preocupa-se apenas em tentar salvar a pele dos seus acólitos (afinal esse foi compromisso) e ruma para provocar a mais brutal recessão que este país jamais passou. 

Voltando ao senador Jucá. Para se explicar utilizou-se de uma das músicas dos Mamonas Assassinas. Eles acham mesmo que nós somos uns palhaços. Tempos difíceis estes. Para nós, o “resto”!

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